Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064310
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
Sobre a Síndrome de Leriche, assinale a opção que indica os sinais e sintomas encontrados.
AClaudicação de glúteos, disfunção erétil e infertilidade.
BClaudicação de glúteos, ausência de pulsos femorais e hiperpigmentação das pernas.
CClaudicação de glúteos e de coxas, ausência de pulsos femorais e disfunção erétil.
DDisfunção erétil, assimetria de pulsos e frialdade de membros inferiores.
EAlteração de pele e fâneros, lesões tróficas infectadas e ausência exclusiva de pulsos pediosos.
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GabaritoC — Claudicação de glúteos e de coxas, ausência de pulsos femorais e disfunção erétil.
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Síndrome de Leriche: tríade clássica da doença aorto-ilíaca
Gabarito: letra C. A Síndrome de Leriche é a manifestação da doença arterial obstrutiva aorto-ilíaca, caracterizada pela tríade clássica de claudicação de glúteos e coxas, ausência de pulsos femorais e disfunção erétil (impotência). A alternativa C é a única que reúne os três componentes dessa tríade, conforme a descrição clássica da síndrome.
A Síndrome de Leriche, descrita pelo cirurgião francês René Leriche, resulta da oclusão crônica da aorta abdominal distal e/ou das artérias ilíacas, geralmente por doença aterosclerótica. A obstrução nesse nível compromete o fluxo sanguíneo para os membros inferiores e para os órgãos pélvicos, gerando um quadro clínico característico. A tríade clássica é composta por: (1) claudicação intermitente que acomete glúteos e coxas (por isquemia da musculatura proximal dos membros inferiores), (2) ausência ou diminuição dos pulsos femorais (pela obstrução proximal ao nível da bifurcação aórtica) e (3) disfunção erétil (por comprometimento do fluxo arterial para as artérias ilíacas internas, que irrigam os corpos cavernosos). Essa tríade é tão característica que, quando presente, praticamente fecha o diagnóstico clínico da síndrome.
A fisiopatologia explica cada sintoma: a claudicação em glúteos e coxas ocorre porque o esforço muscular aumenta a demanda de oxigênio, mas o fluxo sanguíneo está limitado pela estenose/oclusão proximal; a ausência de pulsos femorais reflete a obstrução antes da bifurcação femoral; e a disfunção erétil decorre da isquemia pélvica, que compromete o mecanismo de ereção (que depende de aporte sanguíneo adequado). É importante notar que a claudicação na Síndrome de Leriche é proximal (glútea e coxa), diferente da claudicação da doença femoropoplítea, que acomete tipicamente a panturrilha.
Na prática clínica, o diagnóstico é essencialmente clínico, mas pode ser confirmado por exames de imagem como ultrassonografia Doppler, angiotomografia ou arteriografia. O tratamento envolve controle dos fatores de risco (tabagismo, dislipidemia, diabetes, hipertensão) e, em casos sintomáticos ou graves, revascularização cirúrgica ou endovascular (angioplastia com stent).
A banca explora a confusão entre a Síndrome de Leriche e outras apresentações de doença arterial periférica (DAP). A chave é lembrar que a tríade é específica da doença aorto-ilíaca: claudicação proximal + ausência de pulsos femorais + disfunção erétil. Alternativas que trocam um desses elementos por achados de isquemia distal (como hiperpigmentação, alterações de pele e fâneros, ou ausência de pulsos pediosos) estão incorretas, pois esses são sinais de doença mais distal ou de isquemia crônica avançada, não da tríade clássica.
Síndrome de Leriche: Oclusão aorto-ilíaca (Aterosclerose); Tríade clássica (Claudicação de glúteos e coxas, Ausência de pulsos femorais, Disfunção erétil); Sinais distais (não fazem parte) (Hiperpigmentação, Lesões tróficas, Ausência de pulsos pediosos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A cita "claudicação de glúteos, disfunção erétil e infertilidade". O erro está em substituir a ausência de pulsos femorais por infertilidade. A disfunção erétil é um componente da tríade, mas a infertilidade não faz parte da Síndrome de Leriche. A isquemia pélvica pode afetar a função erétil, mas não é causa de infertilidade masculina (que envolve produção de espermatozoides, não fluxo sanguíneo peniano). A tríade correta inclui a ausência de pulsos femorais, não infertilidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B traz "claudicação de glúteos, ausência de pulsos femorais e hiperpigmentação das pernas". Os dois primeiros elementos estão corretos, mas hiperpigmentação das pernas não é um sinal da Síndrome de Leriche. A hiperpigmentação cutânea é mais associada a insuficiência venosa crônica (dermatite ocre) ou a outras condições, não à isquemia arterial aorto-ilíaca. Na doença arterial periférica, os achados cutâneos típicos são palidez, cianose, pele fina e brilhante, perda de pelos e atrofia muscular — não hiperpigmentação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa C descreve exatamente a tríade clássica da Síndrome de Leriche: claudicação de glúteos e de coxas, ausência de pulsos femorais e disfunção erétil. A claudicação proximal (glútea e coxa) é característica da doença aorto-ilíaca, a ausência de pulsos femorais reflete a obstrução proximal, e a disfunção erétil decorre da isquemia pélvica. Esses três elementos, em conjunto, definem a síndrome.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D menciona "disfunção erétil, assimetria de pulsos e frialdade de membros inferiores". Embora a disfunção erétil seja um componente, a assimetria de pulsos e a frialdade de membros inferiores são achados inespecíficos de doença arterial periférica, não específicos da Síndrome de Leriche. A tríade clássica exige a ausência de pulsos femorais (não apenas assimetria) e a claudicação proximal (não apenas frialdade). A frialdade pode ocorrer em qualquer isquemia, mas não é um dos três pilares da síndrome.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E cita "alteração de pele e fâneros, lesões tróficas infectadas e ausência exclusiva de pulsos pediosos". Esses são sinais de isquemia crônica avançada e distal, não da Síndrome de Leriche. A ausência exclusiva de pulsos pediosos sugere doença obstrutiva mais distal (femoropoplítea ou tibial), enquanto na Leriche há ausência de pulsos femorais (proximais). Alterações de pele e fâneros e lesões tróficas são complicações tardias da isquemia, não fazem parte da tríade clássica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir a tríade clássica da Síndrome de Leriche com achados de outras formas de doença arterial periférica. O candidato pode marcar a alternativa B, que contém dois elementos corretos, mas troca o terceiro (disfunção erétil) por hiperpigmentação — um sinal de insuficiência venosa, não arterial. Lembre-se: a tríade é claudicação proximal + ausência de pulsos femorais + disfunção erétil. Nada de infertilidade, hiperpigmentação ou lesões tróficas.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe a Síndrome de Leriche à oclusão aorto-ilíaca: o fluxo é bloqueado antes da bifurcação femoral, então os pulsos femorais somem e a musculatura proximal (glúteos/coxas) claudica. A disfunção erétil é a pista de que a obstrução compromete a irrigação pélvica. Se a alternativa trouxer sinais distais (pulsos pediosos, lesões tróficas, hiperpigmentação), desconfie: não é Leriche.