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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064316
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
Sobre a avaliação da trombose venosa profunda de membros inferiores, assinale a opção que apresenta a característica ultrassonográfica de alterações pós-trombótica.
  1. ATrombo flutuante no lúmen do vaso (cauda).
  2. BO trombo tem menos brilho (hipoecoico), tem o aspecto mais macio e deformável com a compressão do transdutor.
  3. CO fluxo, quando presente, se localiza na periferia do vaso.
  4. DDistensão com aumento do calibre venoso.
  5. EO fluxo, quando presente, se localiza no centro do vaso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O fluxo, quando presente, se localiza no centro do vaso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação ultrassonográfica da trombose venosa profunda: alterações pós-trombóticas

Gabarito: letra E. Na fase pós-trombótica (crônica), o trombo se organiza, adere à parede do vaso e pode recanalizar; quando há fluxo residual, ele se localiza no centro do vaso, entre as paredes espessadas e o material trombótico organizado — é exatamente essa a característica que a alternativa E descreve. As demais alternativas descrevem achados da TVP aguda ou de outras condições, não da sequela crônica.

A trombose venosa profunda (TVP) é a formação de um coágulo (trombo) no interior de uma veia profunda, mais comumente nos membros inferiores. A ultrassonografia com Doppler colorido é o exame de escolha para o diagnóstico, e a avaliação das características do trombo e do fluxo sanguíneo permite distinguir a fase aguda da fase crônica (pós-trombótica) — distinção fundamental para o tratamento e o prognóstico.

Na fase aguda (primeiras semanas), o trombo é hipoecoico (menos brilhante), macio e deformável à compressão do transdutor, e pode estar flutuante no lúmen do vaso (a chamada "cauda" do trombo). A veia encontra-se distendida, com aumento do calibre, e o fluxo sanguíneo, quando presente, desvia-se para a periferia do vaso, contornando o trombo central.

Na fase crônica (pós-trombótica), o trombo sofre organização: torna-se mais ecogênico (mais brilhante), aderente à parede do vaso e não deformável à compressão. A veia pode estar retraída (diminuição do calibre) ou apresentar recanalização parcial, com fluxo sanguíneo no centro do vaso, circundado pelo material trombótico organizado e pelas paredes espessadas. É essa a característica que a alternativa E descreve corretamente.

A distinção entre as fases é crucial: na fase aguda, o trombo é instável e há risco de embolia pulmonar, indicando anticoagulação; na fase crônica, o trombo é estável e o foco é a prevenção da síndrome pós-trombótica (insuficiência venosa crônica secundária).

A pegadinha da questão está em inverter as características das fases: as alternativas A, B, C e D descrevem achados da TVP aguda, enquanto a alternativa E descreve o achado da fase crônica. O candidato que não domina a evolução ultrassonográfica do trombo tende a marcar uma das alternativas de fase aguda, por serem mais "familiares".

TVP na ultrassonografia
  • 1Fase aguda
    • Trombo hipoecoico (menos brilhante)
    • Macio e deformável à compressão
    • Pode ser flutuante (cauda)
    • Veia distendida (calibre aumentado)
    • Fluxo na periferia do vaso
  • 2Fase crônica (pós-trombótica)
    • Trombo hiperecoico (mais brilhante)
    • Aderente à parede, rígido
    • Veia retraída (calibre diminuído)
    • Recanalização parcial
    • Fluxo no centro do vaso
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O trombo flutuante no lúmen do vaso (cauda) é uma característica da TVP aguda, quando o trombo ainda não está aderido à parede e pode se desprender, causando embolia pulmonar. Na fase pós-trombótica, o trombo está aderido à parede e não flutua.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O trombo hipoecoico, macio e deformável à compressão é típico da TVP aguda, quando o coágulo é recente e pouco organizado. Na fase crônica, o trombo é hiperecoico (mais brilhante) e rígido, não deformável à compressão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O fluxo sanguíneo na periferia do vaso é característico da TVP aguda, quando o trombo ocupa o centro do lúmen e o sangue contorna-o pelas bordas. Na fase crônica, com a recanalização, o fluxo se localiza no centro do vaso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A distensão com aumento do calibre venoso é um achado da TVP aguda, quando o trombo oclui a veia e esta se dilata. Na fase crônica, a veia tende a estar retraída (diminuição do calibre) ou com calibre irregular, devido à fibrose e à organização do trombo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Na fase pós-trombótica, o trombo organizado adere à parede do vaso e pode haver recanalização parcial, com fluxo sanguíneo no centro do vaso, circundado pelo material trombótico e pelas paredes espessadas. Essa é a característica ultrassonográfica clássica da alteração pós-trombótica.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as fases da TVP na ultrassonografia, memorize os pares opostos: aguda = trombo hipoecoico, flutuante, deformável, veia distendida, fluxo periférico; crônica = trombo hiperecoico, aderido, rígido, veia retraída, fluxo central. Se a alternativa descreve um achado "macio" ou "flutuante", é aguda; se descreve "aderido" ou "fluxo central", é crônica.

Gabarito: letra E

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