Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
- Código
- fg064317
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia Vascular
- AC4a.
- BC4b.
- CCC3a.
- DC3b.
- EC5.
GabaritoB — C4b.
Gabarito: letra B (C4b). Na classificação CEAP, o componente clínico "C" gradua os sinais objetivos da doença venosa crônica, e as alterações tróficas como lipodermatosclerose e atrofia branca correspondem ao grau C4b — enquanto o C4a abrange apenas pigmentação e eczema. A distinção entre C4a e C4b é o ponto central da questão, e a tabela da classificação clínica (adaptada de Eklöf et al., 2004) é a fonte que resolve o caso.
A classificação CEAP (Clinical, Etiological, Anatomical, Pathophysiological) é o sistema padronizado internacionalmente para avaliar e acompanhar a doença venosa crônica. O componente clínico (C) descreve os sinais objetivos da doença, variando de C0 (ausência de sinais) até C6 (úlcera ativa). É importante entender que essa classificação é cumulativa e progressiva: conforme a doença avança, o paciente pode apresentar características de mais de um grau, e o clínico deve registrar o maior grau presente. Por exemplo, um paciente com varizes (C2) e edema (C3) será classificado como C3, pois o edema é um sinal mais avançado.
A tabela da classificação clínica, adaptada de Eklöf et al. (2004), é a referência direta para esta questão:
Grau | Descrição |
|---|---|
C0 | Ausência de sinais de doença venosa |
C1 | Teleangiectasias e veias reticulares |
C2 | Veias varicosas |
C3 | Edema |
C4a | Pigmentação, eczema |
C4b | Dermatoesclerose ou atrofia branca |
C5 | Úlcera venosa cicatrizada |
C6 | Úlcera venosa aberta |
A pegadinha da banca está exatamente na subdivisão do grau C4. Muitos candidatos memorizam apenas que "C4 = alterações tróficas" e não percebem que o C4 foi subdividido em C4a (pigmentação e eczema — alterações de pele mais superficiais) e C4b (dermatoesclerose/lipodermatosclerose e atrofia branca — alterações tróficas mais profundas e graves). A lipodermatosclerose (endurecimento e fibrose da pele e do subcutâneo) e a atrofia branca (áreas esbranquiçadas e atróficas de pele) são justamente os achados que definem o C4b. O C5, por sua vez, já representa a presença de úlcera cicatrizada, um estágio mais avançado que as alterações tróficas isoladas.
Na prática clínica, essa distinção tem implicações prognósticas e terapêuticas: o C4b indica doença mais avançada e maior risco de ulceração, exigindo acompanhamento mais próximo e, muitas vezes, intervenção mais agressiva. O reconhecimento correto desses sinais no exame físico é essencial para a classificação adequada e, consequentemente, para a conduta. Guarde a fronteira entre C4a e C4b: é exatamente nela que esta questão se divide — e é o erro mais comum que a banca explora.
O C4a corresponde a pigmentação e eczema, não às alterações tróficas citadas no enunciado. A banca troca o conteúdo dos subgrupos do C4: enquanto o C4a abrange alterações de pele mais superficiais (hiperpigmentação por hemossiderina e eczema), o C4b é que engloba a lipodermatosclerose e a atrofia branca. O candidato que memoriza apenas "C4 = alterações de pele" sem distinguir os subgrupos cai nesta alternativa.
O C4b é definido exatamente por dermatoesclerose (lipodermatosclerose) ou atrofia branca, que são as alterações tróficas mencionadas no enunciado. A tabela da classificação clínica CEAP (adaptada de Eklöf et al., 2004) é explícita: "C4b — Dermatoesclerose ou atrofia branca". Portanto, o paciente com essas alterações deve ser classificado como C4b.
A alternativa "CC3a" não existe na classificação CEAP. O componente clínico é representado apenas pela letra "C" seguida do número (C0 a C6), sem repetição da letra. O C3 corresponde a edema, e não há subdivisão "3a" ou "3b" na classificação clínica — as subdivisões existem apenas no C4 (C4a e C4b). Esta alternativa mistura a notação correta com uma estrutura inexistente.
O C3b não existe na classificação CEAP. O C3 corresponde a edema, sem subdivisões. Além disso, o edema é um sinal menos avançado que as alterações tróficas (C4b), que são o foco do enunciado. O candidato que confunde a progressão da doença ou inventa subdivisões inexistentes pode marcar esta opção.
O C5 corresponde a úlcera venosa cicatrizada, um estágio mais avançado que as alterações tróficas isoladas. O enunciado descreve apenas lipodermatosclerose e atrofia branca, sem mencionar úlcera (cicatrizada ou ativa). Portanto, o paciente ainda não atingiu o estágio C5 — ele se encontra no C4b, que é o estágio imediatamente anterior ao aparecimento da úlcera.
A banca explora a subdivisão do C4, que é o ponto mais sutil da classificação clínica. O candidato que decora apenas "C4 = alterações tróficas" sem distinguir C4a (pigmentação/eczema) de C4b (dermatoesclerose/atrofia branca) tende a errar. Memorize o par: C4a = pele pigmentada/eczema; C4b = pele endurecida/atrofiada. Com treino, essa distinção fica automática 💪
Gabarito: letra B (C4b).
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