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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg064319
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia Vascular
Paciente de 55 anos, sexo masculino, fumante, hipertenso, dá entrada na sala de emergência com quadro de dor de início súbito no membro inferior direito.Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca = 85 bpm, frequência respiratória = 22 irpm, Sat O2 99%. Observa-se palidez e frialdade da perna direita, com pulsos femorais amplos e simétricos. Os pulsos poplíteos encontram-se assimétricos, não palpável à direita. Pulsos podálicos esquerdos amplos mas ausentes à direita. Apresentando perda de sensibilidade em ante pé direito. Realizado o Eco Color Doppler Arterial (Duplex Scan), observa-se: oclusão de artéria poplítea direita. No Doppler Venoso, não há alterações.Com os dados acima, a posição do paciente na classificação de Rutherford e o tratamento a ser indicado são, respectivamente,
  1. AI, membro viável e heparinização plena.
  2. BIIa, membro em risco potencial e heparinização plena.
  3. CIIb, membro em risco imediato e intervenção cirúrgica.
  4. DIII, membro já inviável e indicação de amputação.
  5. EI, membro já inviável e heparinização plena.
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GabaritoC — IIb, membro em risco imediato e intervenção cirúrgica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Isquemia aguda de membro inferior: classificação de Rutherford e conduta

Gabarito: letra C. O paciente apresenta isquemia aguda de membro inferior com perda de sensibilidade (déficit neurológico) e ausência de pulsos distais, o que o enquadra na categoria IIb (membro em risco imediato) da classificação de Rutherford, indicando intervenção cirúrgica de urgência (revascularização). A presença de déficit neurológico é o marco que diferencia a categoria IIb da IIa, e a viabilidade do membro (categoria I) é excluída pela presença de sintomas e sinais objetivos de isquemia.

A isquemia aguda de membro (IAM) é uma emergência vascular caracterizada pela redução súbita da perfusão arterial, classicamente manifestada pelos seis "Ps": dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), poiquilotermia (redução da temperatura), parestesia e paralisia. A etiologia mais comum é a embólica (fibrilação atrial, trombo mural) ou a trombótica (sobre placa aterosclerótica, como no caso de um paciente fumante e hipertenso). O exame físico é crucial: a palpação dos pulsos demonstra o nível da oclusão — neste caso, pulsos femorais amplos e simétricos, mas poplíteo e podálicos ausentes à direita, localizando a obstrução na artéria poplítea, confirmada pelo Duplex Scan.

A classificação de Rutherford (ou de Rutherford-Baker) estratifica a gravidade da isquemia aguda em quatro categorias, baseando-se na presença de dois fatores: viabilidade do membro e déficit neurológico (sensibilidade e motricidade). Essa classificação é fundamental porque determina a urgência e o tipo de tratamento. A categoria I (viável) não apresenta déficit neurológico nem ameaça imediata; a IIa (ameaçada) tem déficit neurológico leve (parestesia), mas com Doppler arterial audível; a IIb (risco imediato) apresenta déficit neurológico moderado (perda de sensibilidade, como no caso) e Doppler inaudível; a III (inviável) tem déficit neurológico grave (paralisia, anestesia) e necrose tecidual.

O tratamento é diretamente proporcional à gravidade. Na categoria I, a heparinização plena e a investigação eletiva são suficientes. Na IIa, a heparinização plena e a revascularização de urgência (dentro de horas) são indicadas. Na IIb, a revascularização imediata (cirúrgica ou endovascular) é mandatória, pois o membro está em risco iminente de perda — a janela de viabilidade é de poucas horas. Na III, o membro já está inviável, e a amputação é a conduta, pois a revascularização poderia causar síndrome de reperfusão com risco de vida. A heparinização plena é adjuvante em todas as categorias, mas não é o tratamento definitivo na IIb.

A pegadinha central desta questão é a distinção entre as categorias IIa e IIb, ambas com déficit neurológico. A banca explora a confusão entre "parestesia" (formigamento, sensibilidade preservada) e "perda de sensibilidade" (anestesia, déficit neurológico moderado). Na IIa, o déficit é leve (parestesia) e o Doppler arterial é audível; na IIb, o déficit é moderado (perda de sensibilidade) e o Doppler é inaudível. O enunciado é claro: "perda de sensibilidade em ante pé direito" — isso é IIb, não IIa. Além disso, a alternativa A (categoria I) ignora completamente os sinais de isquemia aguda, e a D (categoria III) exige paralisia e necrose, que não estão presentes.

Guarde a fronteira entre as categorias IIa e IIb: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O critério decisivo é a presença de déficit neurológico moderado (perda de sensibilidade) com Doppler inaudível, que define a IIb e impõe intervenção cirúrgica imediata.

Categoria de Rutherford

Déficit Neurológico

Doppler Arterial

Conduta

I (viável)

Ausente

Audível

Heparinização + investigação eletiva

IIa (ameaçado)

Leve (parestesia)

Audível

Heparinização + revascularização de urgência

IIb (risco imediato)

Moderado (perda de sensibilidade)

Inaudível

Revascularização imediata (cirúrgica/endovascular)

III (inviável)

Grave (paralisia/anestesia) + necrose

Inaudível

Amputação

1Categoria I (viável)
Sem déficit neurológico
Doppler arterial audível
Conduta: heparinização + investigação eletiva
2Categoria IIa (ameaçado)
Déficit leve: parestesia
Doppler arterial audível
Conduta: heparinização + revascularização em horas
3Categoria IIb (risco imediato)
Déficit moderado: perda de sensibilidade
Doppler arterial inaudível
Conduta: revascularização imediata
4Categoria III (inviável)
Déficit grave: paralisia/anestesia
Necrose tecidual
Conduta: amputação
Isquemia aguda de membro (Rutherford)
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Isquemia aguda de membro (Rutherford): Categoria I (viável) (Sem déficit neurológico, Doppler arterial audível, Conduta: heparinização + investigação eletiva); Categoria IIa (ameaçado) (Déficit leve: parestesia, Doppler arterial audível, Conduta: heparinização + revascularização em horas); Categoria IIb (risco imediato) (Déficit moderado: perda de sensibilidade, Doppler arterial inaudível, Conduta: revascularização imediata); Categoria III (inviável) (Déficit grave: paralisia/anestesia, Necrose tecidual, Conduta: amputação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Classifica o membro como viável (categoria I) e indica apenas heparinização. Erro grave: a categoria I é assintomática ou com isquemia crônica compensada, sem déficit neurológico. O paciente tem dor súbita, palidez, ausência de pulsos e perda de sensibilidade — sinais inequívocos de isquemia aguda ameaçadora. A heparinização plena é adjuvante, mas nunca o tratamento isolado de uma isquemia com déficit neurológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Classifica como IIa (membro em risco potencial) e indica heparinização plena. A IIa tem déficit neurológico leve (parestesia, formigamento) com Doppler arterial ainda audível. O paciente tem perda de sensibilidade (déficit moderado) e o Duplex mostra oclusão — o Doppler distal está ausente. Isso o coloca na IIb, não na IIa. A heparinização é correta como adjuvante, mas insuficiente: a IIb exige revascularização imediata.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica como IIb (membro em risco imediato) e indica intervenção cirúrgica. A perda de sensibilidade (déficit neurológico moderado) com ausência de pulsos distais e oclusão confirmada ao Doppler caracteriza a IIb. Nessa categoria, o membro está em risco iminente de perda, e a revascularização de urgência (cirúrgica ou endovascular) é mandatória, com heparinização plena adjuvante. A alternativa espelha exatamente a conduta correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Classifica como III (membro inviável) e indica amputação. A categoria III exige déficit neurológico grave (paralisia, anestesia completa) e sinais de necrose (flictenas, cianose fixa). O paciente tem apenas perda de sensibilidade no antepé, sem paralisia ou necrose — o membro ainda é viável e deve ser revascularizado. Amputar um membro potencialmente salvável seria conduta iatrogênica grave.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Classifica como I (membro viável) e indica heparinização. Repete o erro da alternativa A: ignora o déficit neurológico e os sinais de isquemia aguda. Além disso, contradiz-se ao chamar o membro de "viável" e "já inviável" na mesma frase — um erro conceitual grosseiro. A categoria I não se aplica a um paciente com dor súbita, palidez e perda de sensibilidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar as categorias IIa e IIb, que são as mais confundidas. A chave é o déficit neurológico: parestesia (formigamento) = IIa; perda de sensibilidade (anestesia) = IIb. E lembre: Doppler audível = IIa; Doppler inaudível = IIb. Nesta questão, o enunciado entrega os dois dados — "perda de sensibilidade" e oclusão ao Doppler — para você fechar a IIb. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental das 4 categorias de Rutherford com os dois critérios que as separam (déficit neurológico e Doppler). Na prova, leia o exame físico e o Doppler antes de classificar: o enunciado sempre dá as pistas. Se houver déficit neurológico, a categoria é II ou III — nunca I. Se houver perda de sensibilidade sem paralisia, é IIb — intervenção imediata.

Gabarito: letra C

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