Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2023

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
fg064321
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Paciente de 50 anos de idade, apresenta-se com bom estado geral, sem comorbidades, com um tumor glótico (T3), em que a prega vocal está fixa mas a aritenoide está móvel. Existe extensão tumoral à comissura e ao pé da epiglote.Para o caso apresentado, assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
  1. ALaringectomia supracricoidea com crico-hióido-pexia (CHP).
  2. BLaringectomia Near-total.
  3. CLaringectomia supracricoidea com crico-hióido-epigloto-pexia (CHEP).
  4. DLaringectomia hemilaringectomia vertical.
  5. ELaringectomia vertical fronto-anterior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Laringectomia supracricoidea com crico-hióido-pexia (CHP).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Laringectomia supracricoidea: CHP × CHEP

Gabarito: letra A. Para um tumor glótico T3 com prega vocal fixa, aritenoide móvel e extensão à comissura anterior e ao pé da epiglote, a conduta mais adequada é a laringectomia supracricoidea com crico-hióido-pexia (CHP). A distinção crucial está na mobilidade da aritenoide: quando ela está preservada, a CHP (que resseca a epiglote) é preferível à CHEP (que a preserva), pois permite margens adequadas na extensão supraglótica sem comprometer a função de proteção de vias aéreas.

A laringectomia supracricoidea é uma cirurgia de preservação de órgão para carcinomas laríngeos avançados, mas selecionados. Ela remove a cartilagem tireoide, o espaço paraglótico e as pregas vocais, mantendo pelo menos uma aritenoide funcional e, dependendo da variante, a epiglote. As duas variantes principais são a CHP (crico-hióido-pexia) e a CHEP (crico-hióido-epigloto-pexia). A diferença anatômica fundamental é que a CHEP preserva a epiglote, enquanto a CHP a remove. Essa distinção é decisiva na escolha da técnica.

A indicação clássica da CHEP é para tumores glóticos e supraglóticos que não acometem o pé da epiglote, a valécula ou a base de língua, permitindo a preservação epiglótica. Já a CHP é indicada quando há extensão tumoral à epiglote (como no caso do enunciado, que descreve extensão ao pé da epiglote), exigindo sua ressecção para obter margens livres. A aritenoide móvel é um pré-requisito para ambas, pois a deglutição e a fonação dependem de pelo menos uma aritenoide funcionante.

Na prática, o cirurgião avalia a extensão tumoral por laringoscopia e exames de imagem. Se o tumor invade a epiglote, a CHP é a escolha, pois a CHEP deixaria margem comprometida. A CHP reconstrói o trânsito aerodigestivo aproximando o osso hióide à cricoide, sem a epiglote, o que exige maior cuidado na reabilitação da deglutição, mas é oncologicamente segura. A aritenoide móvel garante a adução glótica necessária para a proteção das vias aéreas durante a deglutição.

A pegadinha da banca está em confundir as duas variantes da laringectomia supracricoidea. O candidato que decora apenas que "tumor glótico T3 com aritenoide móvel = laringectomia supracricoidea" pode marcar a CHEP, mas a extensão à epiglote é o dado que direciona para a CHP. A presença de aritenoide fixa, por outro lado, contraindicaria a cirurgia supracricoidea, indicando uma laringectomia total ou near-total.

Guarde a fronteira: aritenoide móvel + epiglote livre = CHEP; aritenoide móvel + epiglote comprometida = CHP. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

Critério

CHP (Crico-hióido-pexia)

CHEP (Crico-hióido-epigloto-pexia)

Epiglote

Removida (resseca a epiglote)

Preservada

Indicação principal

Tumor com extensão à epiglote (pé da epiglote, valécula, base de língua)

Tumor sem acometimento da epiglote (glótico/supraglótico limitado)

Margem oncológica

Adequada quando a epiglote está comprometida

Comprometida se houver invasão epiglótica

Reabilitação da deglutição

Exige maior cuidado (sem epiglote)

Mais favorável (epiglote preservada)

1CHEP (preserva epiglote)
Aritenoide móvel
Epiglote livre
2CHP (remove epiglote)
Aritenoide móvel
Epiglote comprometida
3Contraindicação
Aritenoide fixa
Laringectomia total/near-total
Laringectomia supracricoidea
LEVELsoulevel.com.br
Laringectomia supracricoidea: CHEP (preserva epiglote) (Aritenoide móvel, Epiglote livre); CHP (remove epiglote) (Aritenoide móvel, Epiglote comprometida); Contraindicação (Aritenoide fixa, Laringectomia total/near-total)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A CHP é a conduta mais adequada porque o tumor apresenta extensão ao pé da epiglote, exigindo sua ressecção para margens oncológicas adequadas. A aritenoide móvel permite a reconstrução funcional com a pexia crico-hióidea, preservando a deglutição e a voz. A CHP é a técnica supracricoidea indicada quando a epiglote está comprometida, removendo-a junto com a tireoide e as pregas vocais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A laringectomia near-total (ou subtotal) é uma técnica que preserva um cordão faringolaríngeo para fonação, mas é indicada em casos mais avançados ou quando a aritenoide está comprometida. No caso descrito, a aritenoide está móvel e o tumor é ressecável por cirurgia supracricoidea, que oferece melhor resultado funcional. A near-total é uma alternativa para tumores que não podem ser tratados por técnicas de preservação mais conservadoras.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A CHEP é a variante da laringectomia supracricoidea que preserva a epiglote. No entanto, o enunciado descreve extensão tumoral ao pé da epiglote, o que contraindica sua preservação. Realizar a CHEP nesse caso deixaria margem cirúrgica comprometida, aumentando o risco de recidiva local. A CHP é a escolha correta quando a epiglote está envolvida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hemilaringectomia vertical é uma cirurgia parcial indicada para tumores glóticos T1 e T2 selecionados, com prega vocal móvel ou discretamente comprometida. No caso, o tumor é T3 com prega vocal fixa, o que contraindica essa técnica por ser insuficiente para ressecção oncológica adequada. A extensão à comissura anterior e ao pé da epiglote também ultrapassa os limites da hemilaringectomia vertical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A laringectomia vertical fronto-anterior é indicada para tumores glóticos anteriores com extensão à comissura anterior, mas em estágios iniciais (T1b, T2). No caso, o tumor é T3 com prega vocal fixa, o que contraindica essa cirurgia parcial. A extensão ao pé da epiglote também não é tratável por essa técnica, que não resseca a epiglote.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/fg064321