Sobre o tratamento sistêmico em neoplasias malignas de cabeça e pescoço, assinale a afirmativa correta.
ACisplatina e carboplatina são agentes da família das platinas, que induzem à formação de adutos no DNA, amplamente usados no tratamento das neoplasias de cabeça e pescoço.
BCisplatina e carboplatina tem perfil de tolerabilidade distintos, sendo que a carboplatina causa mais anemia, ototoxicidade e disfunção renal.
CDocetaxel e paclitaxel são novos compostos à base de platinas, raramente utilizadas no tratamento das neoplasias de cabeça e pescoço.
DDocetaxel semanal em combinação com radioterapia trouxe resultados frustrantes em pacientes com inelegibilidade à cisplatina.
EEsquemas de quimioterapia paliativa comumente incluem anticorpos inibidores da angiogênese em neoplasias de cabeça e pescoço.
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GabaritoA — Cisplatina e carboplatina são agentes da família das platinas, que induzem à formação de adutos no DNA, amplamente usados no tratamento das neoplasias de cabeça e pescoço.
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Tratamento sistêmico das neoplasias de cabeça e pescoço
Gabarito: letra A. A cisplatina e a carboplatina são agentes da família das platinas, que atuam formando adutos no DNA, sendo amplamente utilizadas no tratamento das neoplasias de cabeça e pescoço. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de informação sobre esses agentes e outros fármacos.
O tratamento sistêmico das neoplasias de cabeça e pescoço baseia-se principalmente em quimioterapia com agentes derivados da platina, como a cisplatina e a carboplatina. Esses fármacos exercem seu efeito citotóxico ao se ligarem ao DNA, formando adutos que levam a quebras na dupla fita e, consequentemente, à morte celular. A cisplatina é o agente mais estudado e utilizado, especialmente em combinação com radioterapia para doença localmente avançada, enquanto a carboplatina é frequentemente uma alternativa para pacientes com contraindicações ou intolerância à cisplatina, como aqueles com disfunção renal, neuropatia ou perda auditiva significativa.
É fundamental compreender as diferenças no perfil de toxicidade entre esses dois agentes. A cisplatina é conhecida por causar mais nefrotoxicidade, ototoxicidade e neuropatia, além de náuseas e vômitos intensos. A carboplatina, por sua vez, tem como principal toxicidade a mielossupressão, especialmente a trombocitopenia, sendo menos nefrotóxica e ototóxica. Essa distinção é crucial na prática clínica, pois orienta a escolha do agente conforme as comorbidades do paciente.
Os taxanos, como docetaxel e paclitaxel, pertencem a uma classe diferente de fármacos: são alcaloides vegetais que inibem a despolimerização dos microtúbulos, interferindo na mitose celular. Eles não são derivados de platina e são utilizados em diversos tumores, incluindo mama, pulmão e, em alguns contextos, cabeça e pescoço. No tratamento das neoplasias de cabeça e pescoço, o docetaxel tem papel estabelecido em esquemas de indução e em combinação com radioterapia, especialmente em pacientes que não podem receber cisplatina.
A quimioterapia paliativa para doença metastática ou recidivada frequentemente inclui a combinação de platina (cisplatina ou carboplatina) com 5-fluorouracil e, mais recentemente, com cetuximabe, um anticorpo monoclonal que inibe o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Os inibidores da angiogênese, como o bevacizumabe, não fazem parte do arsenal padrão para essas neoplasias, sendo seu uso limitado a contextos experimentais ou específicos.
A pegadinha central desta questão está na distinção entre as classes de fármacos e seus perfis de toxicidade. A banca explora a confusão entre platinas e taxanos, além de inverter as toxicidades características de cada agente. Guarde bem: platinas formam adutos no DNA; taxanos agem nos microtúbulos. Cisplatina é mais nefrotóxica e ototóxica; carboplatina é mais mielotóxica.
Fármaco
Classe
Mecanismo de ação
Toxicidade principal
Uso em cabeça e pescoço
Cisplatina
Platina
Formação de adutos no DNA
Nefrotoxicidade, ototoxicidade, neuropatia
Amplamente usado (curativo e paliativo)
Carboplatina
Platina
Formação de adutos no DNA
Mielossupressão (trombocitopenia)
Alternativa à cisplatina (ex.: disfunção renal)
Docetaxel
Taxano
Estabilização de microtúbulos (bloqueio da mitose)
Mielossupressão, neuropatia
Indução e combinação com radioterapia (inelegíveis à cisplatina)
Paclitaxel
Taxano
Estabilização de microtúbulos (bloqueio da mitose)
Mielossupressão, neuropatia
Contextos específicos
Cetuximabe
Anticorpo monoclonal
Inibição do EGFR
Reações cutâneas
Paliativo (com platina + 5-FU)
Platinas
1Mecanismo
Formam adutos no DNA
2Cisplatina
Nefrotoxicidade
Ototoxicidade
Neuropatia
3Carboplatina
Mielossupressão (trombocitopenia)
Menos nefro/ototóxica
4Taxanos
Mecanismo
Estabilizam microtúbulos
Docetaxel
Indução
Alternativa à cisplatina
Paclitaxel
5Paliativo
Platina + 5-FU
Cetuximabe (anti-EGFR)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta ao descrever que cisplatina e carboplatina são agentes da família das platinas, que induzem à formação de adutos no DNA, e são amplamente usados no tratamento das neoplasias de cabeça e pescoço. Esse é o mecanismo de ação clássico desses fármacos, e sua aplicação nesse tipo de tumor é bem estabelecida, tanto em contexto curativo (com radioterapia) quanto paliativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa inverte o perfil de toxicidade dos dois agentes. A carboplatina não causa mais anemia, ototoxicidade e disfunção renal que a cisplatina; na verdade, é a cisplatina que apresenta maior potencial para ototoxicidade e nefrotoxicidade. A carboplatina tem como principal efeito adverso a mielossupressão, especialmente trombocitopenia, sendo menos nefrotóxica e ototóxica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Docetaxel e paclitaxel não são compostos à base de platinas; são taxanos, alcaloides vegetais que atuam estabilizando os microtúbulos e impedindo a mitose. Além disso, não são raramente utilizados nas neoplasias de cabeça e pescoço — o docetaxel, por exemplo, tem papel em esquemas de indução e em combinação com radioterapia, especialmente em pacientes inelegíveis à cisplatina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O docetaxel semanal em combinação com radioterapia não trouxe resultados frustrantes; pelo contrário, é uma opção eficaz e bem tolerada para pacientes com inelegibilidade à cisplatina. Estudos demonstram que essa combinação é uma alternativa viável, com taxas de resposta e controle locorregional satisfatórias, sendo utilizada na prática clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os esquemas de quimioterapia paliativa para neoplasias de cabeça e pescoço não incluem rotineiramente anticorpos inibidores da angiogênese, como o bevacizumabe. O padrão inclui platina (cisplatina ou carboplatina) associada a 5-fluorouracil e, frequentemente, cetuximabe, que é um inibidor do EGFR, não da angiogênese. O uso de inibidores de angiogênese não é estabelecido nesse cenário.