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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
fg064330
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
A terapia sistêmica para carcinoma diferenciado de tireoide iodo refratário é indicada na presença de doença metastática
  1. Acaptante de iodo.
  2. Bque não capta iodo, estável nos exames de imagem de acompanhamento.
  3. Cestável nos exames de imagem com tireoglobulina em ascensão.
  4. Dcom progressão de doença estrutural pelos exames de imagem.
  5. Ecom histologia agressiva, independentemente da progressão estrutural.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — com progressão de doença estrutural pelos exames de imagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma diferenciado de tireoide iodo-refratário: indicação de terapia sistêmica

Gabarito: letra D. A terapia sistêmica (inibidores de tirosina quinase, como lenvatinibe e sorafenibe) é indicada no carcinoma diferenciado de tireoide (CDT) iodo-refratário quando há progressão de doença estrutural pelos exames de imagem — é o critério que define a necessidade de tratamento sistêmico, conforme as diretrizes da American Thyroid Association (ATA) e do Ministério da Saúde. A simples presença de doença metastática, sem progressão documentada, não justifica iniciar a terapia, pois muitos pacientes permanecem estáveis por longos períodos e a toxicidade do tratamento é significativa.

O carcinoma diferenciado de tireoide (papilífero e folicular) é, em geral, um tumor de bom prognóstico, tratado inicialmente com tireoidectomia total e radioiodoterapia (RIT) quando indicada. O seguimento é feito com dosagens de tireoglobulina (Tg) e ultrassonografia cervical. A Tg é um marcador tumoral sensível: após tireoidectomia total e ablação com iodo-131, os níveis devem ser indetectáveis (< 0,5 ng/mL sob supressão de TSH); elevações progressivas sugerem recorrência ou doença metastática e exigem investigação com exames de imagem e cintigrafia corporal total.

O problema surge quando a doença metastática não capta iodo (iodo-refratária) ou quando, mesmo captando, progride apesar do tratamento com RIT. Nesses casos, a RIT deixa de ser eficaz e a terapia sistêmica com inibidores de tirosina quinase (lenvatinibe, sorafenibe) torna-se a opção. No entanto, a indicação não é automática pela simples presença de metástases: é necessário documentar progressão estrutural — ou seja, aumento do tamanho das lesões ou surgimento de novas lesões nos exames de imagem (TC, RM, PET-CT) em um intervalo de 12 a 24 meses. Essa exigência decorre do perfil de toxicidade dos inibidores de tirosina quinase (hipertensão, diarreia, fadiga, síndrome mão-pé) e do fato de que muitos pacientes com doença estável permanecem assintomáticos por anos sem tratamento.

A distinção crucial é entre doença estável e doença progressiva. A elevação isolada da tireoglobulina (resposta bioquímica incompleta) sem progressão estrutural não é indicação de terapia sistêmica — o paciente deve ser acompanhado com exames de imagem seriados. Da mesma forma, a histologia agressiva (variante de células altas, células colunares, etc.) aumenta o risco de recorrência, mas não é, por si só, indicação de terapia sistêmica na ausência de progressão estrutural. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que memoriza "iodo-refratário = tratar" sem considerar a progressão erra a questão.

Guarde o critério decisivo: progressão estrutural documentada é o gatilho para a terapia sistêmica no CDT iodo-refratário. É nesse ponto que as alternativas se dividem.

Critério

Indica terapia sistêmica?

Situação clínica

Doença metastática captante de iodo

❌ Não (tratar com RIT)

Lesões captam iodo → elegível para radioiodoterapia

Doença metastática iodo-refratária estável

❌ Não (conduta expectante)

Sem progressão estrutural → vigília com exames seriados

Tg em ascensão com imagem estável

❌ Não (resposta bioquímica incompleta)

Tg elevada isolada → investigar, mas não tratar sistemicamente

Histologia agressiva sem progressão

❌ Não (fator de risco isolado)

Variante de alto risco → não justifica terapia sistêmica

Progressão estrutural documentada

✅ Sim (gabarito)

Aumento de lesões ou novas lesões em 12–24 meses → iniciar ITK

1Critério decisivo
Progressão estrutural documentada
Aumento de lesões ou novas lesões
2Não indica (isoladamente)
Doença estável
Tireoglobulina em ascensão
Histologia agressiva
3Doença captante de iodo
Tratamento com radioiodoterapia
Terapia sistêmica no CDT iodo-refratário
LEVELsoulevel.com.br
Terapia sistêmica no CDT iodo-refratário: Critério decisivo (Progressão estrutural documentada, Aumento de lesões ou novas lesões); Não indica (isoladamente) (Doença estável, Tireoglobulina em ascensão, Histologia agressiva); Doença captante de iodo (Tratamento com radioiodoterapia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A terapia sistêmica não é indicada para doença metastática captante de iodo. Lesões que captam iodo são tratadas com radioiodoterapia (RIT), não com terapia sistêmica. A captação de iodo é justamente o que define a elegibilidade para RIT; a refratariedade ao iodo é um pré-requisito para considerar a terapia sistêmica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Doença metastática que não capta iodo e estável nos exames de imagem não é indicação de terapia sistêmica. A estabilidade estrutural, mesmo com doença metastática iodo-refratária, permite conduta expectante (vigília) com acompanhamento seriado, pois a progressão é o critério que justifica o tratamento. Iniciar terapia sistêmica em doença estável exporia o paciente a toxicidade sem benefício comprovado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A elevação da tireoglobulina (Tg) com exames de imagem estáveis caracteriza resposta bioquímica incompleta, não progressão estrutural. A Tg em ascensão é um sinal de alerta que motiva investigação, mas a terapia sistêmica só é indicada quando há progressão estrutural documentada. A banca troca o critério bioquímico pelo estrutural — a Tg elevada isoladamente não define a indicação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A terapia sistêmica é indicada no CDT iodo-refratário quando há progressão de doença estrutural pelos exames de imagem. Esse é o critério central das diretrizes da ATA e do Ministério da Saúde: documentar aumento do tamanho das lesões ou surgimento de novas lesões em exames seriados (TC, RM, PET-CT) em intervalo de 12 a 24 meses. A progressão estrutural demonstra que a doença está crescendo e que o paciente se beneficiará do tratamento sistêmico, apesar da toxicidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A histologia agressiva (variantes de alto risco) é um fator de pior prognóstico e pode influenciar a decisão terapêutica, mas não é indicação de terapia sistêmica independentemente da progressão estrutural. A progressão documentada é o critério obrigatório; a histologia agressiva isolada, sem progressão, não justifica o tratamento sistêmico. A banca explora a confusão entre fator de risco e critério de indicação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o critério de indicação da terapia sistêmica: em vez de exigir progressão estrutural (aumento de lesões ou novas lesões), oferece alternativas com doença estável, elevação isolada de tireoglobulina ou histologia agressiva. O candidato que memoriza "iodo-refratário = tratar" sem considerar a progressão cai nas alternativas B, C ou E. Lembre-se: a progressão estrutural é o gatilho — sem ela, não há indicação.

NÃO CAIA NESSA!

Na prova, quando a questão perguntar sobre indicação de terapia sistêmica no CDT iodo-refratário, procure a alternativa que mencione progressão estrutural ou aumento de lesões. As demais opções costumam descrever situações que não preenchem o critério: doença estável, Tg elevada isolada, ou fatores de risco isolados. Essa é a pegadinha clássica da FGV nesse tema.

Gabarito: letra D — a terapia sistêmica é indicada no CDT iodo-refratário com progressão de doença estrutural pelos exames de imagem.

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