Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Genética Médica — FGV 2023

MedicinaGenética Médica
Código
fg064331
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Paciente negro, 38 anos, comparece à consulta e durante o exame clínico observa-se face estreita com depressão em região de bochechas, coloboma com ausência de cílios na região e inclinação oblíqua das fissuras palpebrais além de alterações morfológicas em pavilhão auricular. Ele relata que o pai também apresenta tais características.Essas características são comuns na Síndrome de
  1. ACrouzon.
  2. BApert.
  3. CTreacher-Collins/Disostose mandibulofacial.
  4. DPerry Romberg.
  5. EDisostose craniofacial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Treacher-Collins/Disostose mandibulofacial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndromes craniofaciais: reconhecimento clínico

Gabarito: letra C. O quadro descrito — face estreita com depressão malar, coloboma de cílios, fissuras palpebrais oblíquas e alterações de pavilhão auricular, com história familiar compatível com herança autossômica dominante — é a apresentação clássica da Síndrome de Treacher-Collins (Disostose mandibulofacial). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no reconhecimento do padrão dismorfológico característico.

A síndrome de Treacher-Collins é uma condição genética rara, de herança autossômica dominante, que afeta o desenvolvimento dos primeiros arcos branquiais, resultando em hipoplasia dos ossos faciais (malar e mandíbula), coloboma de pálpebras inferiores, fissuras palpebrais oblíquas para baixo e anomalias de orelha. A história de pai afetado reforça o padrão de herança dominante, com expressividade variável — o que explica por que o pai pode apresentar manifestações mais leves ou semelhantes. O diagnóstico diferencial inclui outras craniossinostoses e síndromes faciais, mas a combinação específica de coloboma palpebral com hipoplasia malar é altamente sugestiva de Treacher-Collins.

Na prática clínica, o reconhecimento dessas síndromes depende da observação cuidadosa de múltiplos estigmas dismorfológicos. A presença de três ou mais anomalias menores em conjunto deve levantar a suspeita de uma síndrome genética. No caso descrito, os achados são numerosos e específicos, permitindo o diagnóstico sindrômico. A avaliação familiar é crucial, pois muitas dessas condições têm herança autossômica dominante, como evidenciado pelo pai afetado.

A banca explora a confusão entre síndromes craniofaciais que compartilham alguns sinais, mas que têm características distintivas importantes. Enquanto Treacher-Collins é uma disostose mandibulofacial com coloboma palpebral, as síndromes de Crouzon e Apert são craniossinostoses com proptose ocular e hipertelorismo, sem coloboma. A síndrome de Perry Romberg é uma atrofia hemifacial progressiva, e a disostose craniofacial é um termo genérico que não corresponde a uma entidade específica. A chave para a resposta está no coloboma de cílios e na depressão malar, que são patognomônicos de Treacher-Collins.

Guarde o critério decisivo: coloboma palpebral + hipoplasia malar = Treacher-Collins; craniossinostose + proptose = Crouzon/Apert. É essa distinção que separa as alternativas.

Síndrome

Herança

Características distintivas

Achados ausentes no caso

Treacher-Collins (C)

Autossômica dominante

Coloboma palpebral, hipoplasia malar, fissuras oblíquas, orelhas displásicas

— (quadro compatível)

Crouzon (A)

Autossômica dominante

Craniossinostose, proptose, hipertelorismo, crânio em trevo

Coloboma palpebral

Apert (B)

Autossômica dominante

Craniossinostose, proptose, sindactilia de mãos/pés

Coloboma palpebral, sindactilia

Perry Romberg (D)

Não congênita (atrofia progressiva)

Atrofia hemifacial progressiva

Coloboma, fissuras oblíquas, alterações auriculares

Disostose craniofacial (E)

Termo genérico

Não é entidade específica

Não é diagnóstico clínico definido

1Treacher-Collins (gabarito)
coloboma palpebral
hipoplasia malar
fissuras oblíquas
orelhas displásicas
2Crouzon
craniossinostose
proptose ocular
sem coloboma
3Apert
craniossinostose
sindactilia
sem coloboma
4Perry Romberg
atrofia hemifacial progressiva
não congênita
Síndromes craniofaciais
LEVELsoulevel.com.br
Síndromes craniofaciais: Treacher-Collins (gabarito) (coloboma palpebral, hipoplasia malar, fissuras oblíquas, orelhas displásicas); Crouzon (craniossinostose, proptose ocular, sem coloboma); Apert (craniossinostose, sindactilia, sem coloboma); Perry Romberg (atrofia hemifacial progressiva, não congênita)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A síndrome de Crouzon é uma craniossinostose caracterizada por fusão precoce das suturas cranianas, resultando em crânio em trevo, proptose ocular (exoftalmia), hipertelorismo e hipoplasia do terço médio da face. Não apresenta coloboma palpebral, que é o achado-chave do caso. A banca troca a hipoplasia malar da Treacher-Collins pela proptose ocular da Crouzon.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A síndrome de Apert também é uma craniossinostose, com fusão precoce das suturas coronais, resultando em crânio em torre, hipertelorismo, proptose e, distintivamente, sindactilia de mãos e pés (fusão de dedos). O coloboma palpebral não faz parte do quadro. A presença de sindactilia é o diferencial que a banca espera que o candidato conheça para excluir esta alternativa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de Treacher-Collins, também chamada de disostose mandibulofacial, é uma condição de herança autossômica dominante que afeta o desenvolvimento do primeiro e segundo arcos branquiais. As características descritas no enunciado — face estreita com depressão malar (hipoplasia dos ossos zigomáticos), coloboma com ausência de cílios na região (coloboma de pálpebra inferior), inclinação oblíqua das fissuras palpebrais (para baixo e para fora) e alterações morfológicas do pavilhão auricular (orelhas displásicas ou em formato de taça) — são os estigmas clássicos da síndrome. A história de pai afetado reforça o padrão de herança autossômica dominante, com expressividade variável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome de Perry Romberg, ou hemiatrofia facial progressiva, é uma condição rara caracterizada por atrofia progressiva da pele, tecido subcutâneo, músculos e, às vezes, osso de um lado da face. Não é uma síndrome congênita e não apresenta coloboma, fissuras palpebrais oblíquas ou alterações auriculares. A banca inclui esta alternativa para testar o conhecimento de outras condições faciais, mas a ausência de características dismórficas congênitas a exclui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O termo "disostose craniofacial" é genérico e não corresponde a uma síndrome específica. Ele pode ser usado para descrever qualquer anormalidade no desenvolvimento dos ossos do crânio e da face, mas não é um diagnóstico clínico. A banca usa este termo como distrator, pois o nome "disostose mandibulofacial" (que é o subtipo específico da Treacher-Collins) poderia confundir o candidato. A resposta correta exige o nome específico da síndrome, não o termo genérico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre síndromes craniofaciais que compartilham hipoplasia facial, mas que têm características distintivas. O coloboma palpebral é o achado que separa a Treacher-Collins das craniossinostoses (Crouzon e Apert). Lembre-se: coloboma + hipoplasia malar = Treacher-Collins; proptose + sindactilia = Apert; proptose + crânio em trevo = Crouzon. Com treino, você reconhece esses padrões de longe 💪

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg064331