Paciente negro, 38 anos, comparece à consulta e durante o exame clínico observa-se face estreita com depressão em região de bochechas, coloboma com ausência de cílios na região e inclinação oblíqua das fissuras palpebrais além de alterações morfológicas em pavilhão auricular. Ele relata que o pai também apresenta tais características.Essas características são comuns na Síndrome de
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Síndromes craniofaciais: reconhecimento clínico
Gabarito: letra C. O quadro descrito — face estreita com depressão malar, coloboma de cílios, fissuras palpebrais oblíquas e alterações de pavilhão auricular, com história familiar compatível com herança autossômica dominante — é a apresentação clássica da Síndrome de Treacher-Collins (Disostose mandibulofacial). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no reconhecimento do padrão dismorfológico característico.
A síndrome de Treacher-Collins é uma condição genética rara, de herança autossômica dominante, que afeta o desenvolvimento dos primeiros arcos branquiais, resultando em hipoplasia dos ossos faciais (malar e mandíbula), coloboma de pálpebras inferiores, fissuras palpebrais oblíquas para baixo e anomalias de orelha. A história de pai afetado reforça o padrão de herança dominante, com expressividade variável — o que explica por que o pai pode apresentar manifestações mais leves ou semelhantes. O diagnóstico diferencial inclui outras craniossinostoses e síndromes faciais, mas a combinação específica de coloboma palpebral com hipoplasia malar é altamente sugestiva de Treacher-Collins.
Na prática clínica, o reconhecimento dessas síndromes depende da observação cuidadosa de múltiplos estigmas dismorfológicos. A presença de três ou mais anomalias menores em conjunto deve levantar a suspeita de uma síndrome genética. No caso descrito, os achados são numerosos e específicos, permitindo o diagnóstico sindrômico. A avaliação familiar é crucial, pois muitas dessas condições têm herança autossômica dominante, como evidenciado pelo pai afetado.
A banca explora a confusão entre síndromes craniofaciais que compartilham alguns sinais, mas que têm características distintivas importantes. Enquanto Treacher-Collins é uma disostose mandibulofacial com coloboma palpebral, as síndromes de Crouzon e Apert são craniossinostoses com proptose ocular e hipertelorismo, sem coloboma. A síndrome de Perry Romberg é uma atrofia hemifacial progressiva, e a disostose craniofacial é um termo genérico que não corresponde a uma entidade específica. A chave para a resposta está no coloboma de cílios e na depressão malar, que são patognomônicos de Treacher-Collins.
Guarde o critério decisivo: coloboma palpebral + hipoplasia malar = Treacher-Collins; craniossinostose + proptose = Crouzon/Apert. É essa distinção que separa as alternativas.
Síndromes craniofaciais: Treacher-Collins (gabarito) (coloboma palpebral, hipoplasia malar, fissuras oblíquas, orelhas displásicas); Crouzon (craniossinostose, proptose ocular, sem coloboma); Apert (craniossinostose, sindactilia, sem coloboma); Perry Romberg (atrofia hemifacial progressiva, não congênita)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome de Crouzon é uma craniossinostose caracterizada por fusão precoce das suturas cranianas, resultando em crânio em trevo, proptose ocular (exoftalmia), hipertelorismo e hipoplasia do terço médio da face. Não apresenta coloboma palpebral, que é o achado-chave do caso. A banca troca a hipoplasia malar da Treacher-Collins pela proptose ocular da Crouzon.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome de Apert também é uma craniossinostose, com fusão precoce das suturas coronais, resultando em crânio em torre, hipertelorismo, proptose e, distintivamente, sindactilia de mãos e pés (fusão de dedos). O coloboma palpebral não faz parte do quadro. A presença de sindactilia é o diferencial que a banca espera que o candidato conheça para excluir esta alternativa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome de Treacher-Collins, também chamada de disostose mandibulofacial, é uma condição de herança autossômica dominante que afeta o desenvolvimento do primeiro e segundo arcos branquiais. As características descritas no enunciado — face estreita com depressão malar (hipoplasia dos ossos zigomáticos), coloboma com ausência de cílios na região (coloboma de pálpebra inferior), inclinação oblíqua das fissuras palpebrais (para baixo e para fora) e alterações morfológicas do pavilhão auricular (orelhas displásicas ou em formato de taça) — são os estigmas clássicos da síndrome. A história de pai afetado reforça o padrão de herança autossômica dominante, com expressividade variável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome de Perry Romberg, ou hemiatrofia facial progressiva, é uma condição rara caracterizada por atrofia progressiva da pele, tecido subcutâneo, músculos e, às vezes, osso de um lado da face. Não é uma síndrome congênita e não apresenta coloboma, fissuras palpebrais oblíquas ou alterações auriculares. A banca inclui esta alternativa para testar o conhecimento de outras condições faciais, mas a ausência de características dismórficas congênitas a exclui.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O termo "disostose craniofacial" é genérico e não corresponde a uma síndrome específica. Ele pode ser usado para descrever qualquer anormalidade no desenvolvimento dos ossos do crânio e da face, mas não é um diagnóstico clínico. A banca usa este termo como distrator, pois o nome "disostose mandibulofacial" (que é o subtipo específico da Treacher-Collins) poderia confundir o candidato. A resposta correta exige o nome específico da síndrome, não o termo genérico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre síndromes craniofaciais que compartilham hipoplasia facial, mas que têm características distintivas. O coloboma palpebral é o achado que separa a Treacher-Collins das craniossinostoses (Crouzon e Apert). Lembre-se: coloboma + hipoplasia malar = Treacher-Collins; proptose + sindactilia = Apert; proptose + crânio em trevo = Crouzon. Com treino, você reconhece esses padrões de longe 💪