Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2023
- Código
- fg064333
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
- AV – V – F.
- BV – V – V.
- CV – F – F.
- DV – F – V.
- EF – V – V.
GabaritoD — V – F – V.
Gabarito: letra D (V – F – V). A primeira afirmativa é verdadeira, pois resume corretamente os resultados dos estudos MSTL-1 e MSTL-2 sobre linfonodo sentinela no melanoma; a segunda é falsa, pois inverte a relação entre vitiligo e resposta a imunoterápicos (a associação é de MELHOR resposta, não pior); a terceira é verdadeira, pois a biópsia excisional é o padrão-ouro diagnóstico e margens amplas na abordagem inicial não são recomendadas por prejudicarem a detecção do linfonodo sentinela. A sequência correta é V – F – V.
O melanoma é uma neoplasia cutânea de alta agressividade, cujo manejo exige domínio de três pilares: o estadiamento cirúrgico pelo linfonodo sentinela, a compreensão da resposta imune antitumoral e a técnica correta de biópsia diagnóstica. Vamos a cada um deles.
Linfonodo sentinela e os estudos MSTL-1 e MSTL-2. O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo para o qual as células cancerosas têm probabilidade de se disseminar a partir do tumor primário. Sua biópsia é recomendada para todos os pacientes com melanoma de espessura intermediária (1 a 4 mm) e deve ser considerada em melanomas T1b (0,8 a 1,0 mm ou < 0,8 mm com ulceração). O estudo MSTL-1 (Multicenter Selective Lymphadenectomy Trial I) comparou a biópsia de linfonodo sentinela com o acompanhamento clínico (observação) em pacientes com melanomas intermediários e espessos, demonstrando superioridade da biópsia no estadiamento e na detecção precoce de metástases linfonodais. O estudo MSTL-2, por sua vez, avaliou pacientes com linfonodo sentinela positivo e comparou a dissecção linfonodal completa imediata com a observação cuidadosa (com ultrassonografia de rotina). O resultado foi que a dissecção completa não alterou a sobrevida doença-específica, mas aumentou a sobrevida livre de recorrência. Essa é a base da afirmativa 1, que está correta.
Vitiligo e resposta a imunoterápicos. O vitiligo é uma condição autoimune que pode surgir em pacientes com melanoma, especialmente durante o tratamento com imunoterapia (inibidores de checkpoint, como anti-PD-1 e anti-CTLA-4). A presença de vitiligo nesses pacientes é considerada um marcador de resposta imune antitumoral ativa, e diversos estudos mostram que pacientes com melanoma e vitiligo têm MELHOR resposta aos imunoterápicos, não pior. A afirmativa 2 inverte essa relação, tornando-a falsa. O risco estimado de desenvolver vitiligo em pacientes com melanoma é de fato até 10 vezes maior do que na população geral, mas a associação com a resposta aos imunoterápicos é positiva, não negativa.
Biópsia excisional como padrão-ouro. A biópsia excisional é o padrão-ouro para o diagnóstico do melanoma, pois permite a ressecção completa da lesão em todas as camadas da pele, possibilitando a avaliação precisa da profundidade de invasão (índice de Breslow), que é o fator prognóstico mais importante e orienta a conduta cirúrgica subsequente. Na abordagem inicial, margens amplas não são recomendadas, pois a biópsia deve ser apenas diagnóstica, e margens amplas poderiam comprometer a realização futura da biópsia do linfonodo sentinela, que depende da integridade da drenagem linfática da região. A afirmativa 3 está correta.
A pegadinha central desta questão está na afirmativa 2: a banca inverte a direção da associação entre vitiligo e resposta a imunoterápicos. O candidato que sabe que o vitiligo é mais comum em pacientes com melanoma pode ser levado a pensar que isso indica pior prognóstico, mas a verdade é o oposto — o vitiligo é um sinal de resposta imune ativa e, portanto, de melhor resposta ao tratamento imunoterápico.
A afirmativa descreve corretamente os resultados dos estudos MSTL-1 e MSTL-2. O MSTL-1 demonstrou superioridade da biópsia de linfonodo sentinela em relação ao acompanhamento clínico em pacientes com melanomas intermediários e espessos. O MSTL-2 mostrou que, na presença de linfonodo sentinela positivo, a dissecção linfonodal completa não alterou a sobrevida doença-específica, mas aumentou a sobrevida livre de recorrência. Esses são os achados clássicos desses estudos, amplamente aceitos na literatura oncológica.
A afirmativa contém um erro na segunda parte: ela afirma que as evidências apontam para uma pior resposta aos imunoterápicos em pacientes com melanoma e vitiligo, quando na verdade a associação é de MELHOR resposta. O vitiligo é um fenômeno autoimune que reflete a ativação do sistema imune contra melanócitos, e sua presença em pacientes com melanoma em tratamento imunoterápico é um marcador de resposta antitumoral eficaz. Portanto, a relação é inversa à descrita.
A biópsia excisional é o padrão-ouro no diagnóstico do melanoma, pois permite a ressecção completa da lesão em todas as camadas da pele, garantindo a avaliação precisa da profundidade de invasão. Margens amplas na abordagem inicial não são recomendadas, pois a biópsia deve ser apenas diagnóstica, e margens amplas poderiam comprometer a realização futura da biópsia do linfonodo sentinela, que depende da integridade da drenagem linfática da região. A afirmativa está correta.
Conclusão: Corretas: 1 e 3 → portanto a alternativa é a letra D (V – F – V).
A banca inverte a associação entre vitiligo e resposta a imunoterápicos na afirmativa 2. O candidato que sabe que o vitiligo é mais comum em pacientes com melanoma pode ser levado a pensar que isso indica pior prognóstico, mas a verdade é o oposto — o vitiligo é um sinal de resposta imune ativa e, portanto, de melhor resposta ao tratamento imunoterápico. Fique atento a inversões de relação causal em questões de oncologia.
Para questões sobre melanoma, memorize os três pilares: (1) linfonodo sentinela é indicado para melanomas intermediários (1-4 mm) e T1b; (2) vitiligo em melanoma = melhor resposta a imunoterápicos; (3) biópsia excisional é padrão-ouro, com margens amplas apenas na cirurgia definitiva, não na biópsia inicial.
Gabarito: letra D
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