Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2023
- Código
- fg064338
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Cirurgia de Mão
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CI e II, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoB — II, apenas.
Gabarito: letra B. Apenas o item II está correto: o acesso cirúrgico na artroplastia metacarpofalangeana (MCF) varia conforme o número de articulações abordadas no mesmo procedimento. O item I erra ao afirmar que os implantes de terceira geração substituíram os de silicone como opção de escolha — na prática, os implantes de silicone (como os de Swanson) ainda são amplamente utilizados e considerados padrão em muitos casos, especialmente na artrite reumatoide. O item III erra ao afirmar que o preparo do canal medular é sempre feito primeiro na falange proximal; a sequência correta é variável e depende da técnica e do implante, não havendo essa regra fixa.
A artroplastia metacarpofalangeana é um procedimento cirúrgico que visa restaurar a função e aliviar a dor em articulações MCF degeneradas ou destruídas, mais comumente por artrite reumatoide, osteoartrite ou artrite pós-traumática. A articulação MCF é uma articulação condilar, permitindo flexão, extensão, abdução, adução e algum grau de rotação. A cirurgia envolve a ressecção das superfícies articulares danificadas e a interposição de um implante ou a realização de uma artroplastia de ressecção.
Os implantes podem ser classificados em gerações. Os implantes de silicone (primeira geração, como o de Swanson) são os mais tradicionais e ainda são amplamente utilizados, especialmente em pacientes com artrite reumatoide, devido à sua capacidade de proporcionar estabilidade e alívio da dor, com baixo custo e técnica cirúrgica relativamente simples. Os implantes de segunda e terceira geração (como os de pyrocarbon, metal-plástico ou cerâmica) foram desenvolvidos para melhorar a durabilidade e a reprodução anatômica, mas não substituíram completamente os de silicone como opção de escolha universal. A escolha do implante depende de vários fatores, incluindo a condição do paciente, a qualidade óssea, a demanda funcional e a preferência do cirurgião. Portanto, a afirmação de que os implantes de terceira geração "tornaram-se a opção de escolha" é uma generalização incorreta.
O acesso cirúrgico na artroplastia MCF pode ser dorsal, ulnar ou radial, e a escolha varia conforme a necessidade de exposição. Quando uma única articulação é abordada, um acesso mais limitado pode ser suficiente. Quando múltiplas articulações são abordadas no mesmo procedimento (frequentemente as quatro MCFs na artrite reumatoide), um acesso mais amplo, como uma incisão transversa ou múltiplas incisões longitudinais, pode ser necessário. Portanto, o item II está correto ao afirmar que o acesso varia de acordo com o número de articulações operadas.
O preparo do canal medular é uma etapa crucial da artroplastia. A sequência de preparo (falange proximal primeiro ou metacarpo primeiro) não é uma regra fixa e "sempre" aplicável. Depende da técnica específica, do tipo de implante e da preferência do cirurgião. Em algumas técnicas, o preparo do metacarpo é feito primeiro para estabelecer o eixo e o tamanho do implante, e depois a falange. Em outras, a ordem pode ser invertida. A afirmação de que "é sempre feito primeiro na falange proximal" é, portanto, incorreta. Além disso, a justificativa apresentada (diâmetro medular menor da falange evitando ressecção excessiva) não é um princípio universalmente aceito.
A pegadinha desta questão está na generalização indevida: os itens I e III usam termos absolutos como "tornaram-se a opção de escolha" e "sempre feito primeiro", que são difíceis de sustentar na prática cirúrgica, onde a individualização é a regra. O item II, por sua vez, é uma afirmação mais flexível e correta.
A afirmação de que os implantes de terceira geração "tornaram-se a opção de escolha" frente aos de silicone é uma generalização incorreta. Embora os implantes de terceira geração (como os de pyrocarbon) ofereçam vantagens teóricas, os implantes de silicone ainda são amplamente utilizados e considerados uma opção válida e, em muitos casos, preferida, especialmente em pacientes com artrite reumatoide e baixa demanda funcional. A escolha do implante é individualizada, e não há uma substituição universal.
O acesso cirúrgico na artroplastia MCF varia conforme o número de articulações abordadas. Em procedimentos envolvendo uma única articulação, um acesso mais limitado pode ser utilizado. Em procedimentos múltiplos (como nas quatro MCFs), um acesso mais amplo é necessário para exposição adequada. Essa variação é uma prática reconhecida e correta.
A afirmação de que o preparo do canal medular é "sempre" feito primeiro na falange proximal é incorreta. A sequência de preparo varia conforme a técnica cirúrgica e o tipo de implante. Em muitas técnicas, o preparo do metacarpo é realizado primeiro para determinar o tamanho e o alinhamento do implante. Não há uma regra fixa e universal.
Conclusão: Apenas o item II está correto. Portanto, a alternativa correta é a letra B.
Gabarito: letra B
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