Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2023
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg064351
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínica Médica
Paciente do sexo feminino, 50 anos, procura atendimento com relato de nervosismo, agitação, emagrecimento e palpitações. Tem diagnóstico de hipertensão e diabetes mellitus tipo 2; faz uso de losartana e metformina.Exames laboratoriais evidenciaram os resultados a seguir: TSH: 0,1mUI/L; T4 livre: 4,0ng/dl; anti-TPO: 350U/mL; antitireoglobulina: 1123UI/mL. Ao exame físico apresenta bócio difuso, exoftalmia, PA: 140X90 mmHg; FC: 110bpm. O restante do exame, sem alterações significativas.Assinale a opção que indica o diagnóstico provável, de acordo com o quadro clinico descrito.
ADoença de Graves
BTireoidite de Hashimoto.
CTireoidite de Riedel.
DTireoidite de Quervain.
ETireoidite induzida por fármaco.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Doença de Graves
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tireotoxicose: diagnóstico diferencial das causas de hipertireoidismo
Gabarito: letra A. O quadro é de hipertireoidismo com bócio difuso, exoftalmia e anticorpos antitireoidianos positivos (anti-TPO e antitireoglobulina), o que configura a Doença de Graves, a causa mais comum de hipertireoidismo. A exoftalmia (oftalmopatia infiltrativa) é uma manifestação praticamente específica da doença de Graves, o que torna o diagnóstico praticamente fechado.
A Doença de Graves é uma doença autoimune da tireoide, na qual anticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb) mimetizam a ação do TSH, levando à hiperfunção tireoidiana difusa. O quadro clássico inclui: hipertireoidismo (TSH suprimido, T4 livre elevado), bócio difuso, oftalmopatia (exoftalmia) e, menos frequentemente, dermopatia (mixedema pré-tibial). Os anticorpos anti-TPO e antitireoglobulina estão frequentemente elevados, mas não são específicos — podem estar presentes em outras tireoidites autoimunes, como a de Hashimoto. O que diferencia a doença de Graves é a presença do TRAb (anticorpo anti-receptor de TSH) e a exoftalmia.
A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo, não de hipertireoidismo. Embora possa cursar com anticorpos positivos (anti-TPO e antitireoglobulina), o padrão típico é TSH elevado e T4 livre baixo. Na fase inicial, pode haver tireotoxicose transitória (hashitoxicose), mas não se acompanha de exoftalmia. A tireoidite de Riedel é uma doença fibrosante rara, que causa bócio pétreo e sintomas compressivos, geralmente com função tireoidiana normal ou hipotireoidismo. A tireoidite de Quervain (subaguda) é uma inflamação viral, que cursa com dor cervical, febre e tireotoxicose transitória, mas sem anticorpos positivos e sem exoftalmia. A tireoidite induzida por fármaco (ex.: amiodarona, lítio, interferon) pode causar tireotoxicose, mas o diagnóstico depende da história de uso do medicamento, ausente no caso.
A chave para a questão é a combinação de hipertireoidismo + bócio difuso + exoftalmia. A exoftalmia é o achado que praticamente fecha o diagnóstico de Doença de Graves, pois não ocorre nas outras tireoidites. Além disso, a presença de anticorpos antitireoidianos, embora inespecífica, reforça a autoimunidade. O TSH suprimido com T4 livre elevado confirma o hipertireoidismo primário. A paciente também tem hipertensão e diabetes, que são comorbidades comuns e não alteram o diagnóstico.
Hipertireoidismo
1Doença de Graves
Bócio difuso
Exoftalmia (oftalmopatia)
TRAb (anti-receptor de TSH)
Anti-TPO e antitireoglobulina
2Tireoidite de Hashimoto
Hipotireoidismo (TSH alto, T4 baixo)
Sem exoftalmia
3Tireoidite de Riedel
Bócio pétreo, função normal/hipo
4Tireoidite de Quervain
Dor cervical, febre, sem anticorpos
5Tireoidite induzida por fármaco
História de uso do medicamento
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, caracterizada por bócio difuso, oftalmopatia (exoftalmia) e presença de anticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb). O quadro clínico e laboratorial da paciente — TSH suprimido, T4 livre elevado, anticorpos antitireoidianos positivos, bócio difuso e exoftalmia — é clássico da doença. A exoftalmia é o achado que praticamente fecha o diagnóstico, pois é uma manifestação específica da doença de Graves.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo, não de hipertireoidismo. Embora possa cursar com anticorpos antitireoidianos positivos (anti-TPO e antitireoglobulina), o padrão típico é TSH elevado e T4 livre baixo. Na fase inicial, pode haver tireotoxicose transitória (hashitoxicose), mas não se acompanha de exoftalmia, que é o achado que diferencia a doença de Graves.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tireoidite de Riedel é uma doença fibrosante rara, que causa bócio pétreo e sintomas compressivos (disfagia, dispneia, rouquidão). A função tireoidiana geralmente é normal ou há hipotireoidismo, não hipertireoidismo. Não há exoftalmia nem anticorpos antitireoidianos positivos. O quadro da paciente não se encaixa nessa doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tireoidite de Quervain (subaguda) é uma inflamação viral da tireoide, que cursa com dor cervical, febre, mal-estar e tireotoxicose transitória. Os anticorpos antitireoidianos geralmente são negativos e não há exoftalmia. O quadro da paciente não apresenta dor cervical nem febre, e os anticorpos estão positivos, o que afasta essa hipótese.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tireoidite induzida por fármaco (ex.: amiodarona, lítio, interferon) pode causar tireotoxicose, mas o diagnóstico depende da história de uso do medicamento, ausente no caso. A paciente faz uso de losartana e metformina, que não são causas de tireoidite. Além disso, não haveria exoftalmia nem anticorpos antitireoidianos positivos.