Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2023
- Código
- fg064352
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Clínica Médica
- ACitomegalovírus.
- BHerpes simplex.
- CToxoplasma gondii.
- DCryptococcus SP.
- EPneumocystis jirovecci.
GabaritoE — Pneumocystis jirovecci.
Gabarito: letra E. O paciente com HIV, em tratamento irregular, apresenta candidíase esofágica — uma doença definidora de AIDS — e, portanto, deve iniciar profilaxia primária para Pneumocystis jirovecii (PCP), pois a candidíase esofágica é um marcador de imunossupressão grave (CD4 < 200 células/mm³), critério que indica a profilaxia para PCP com sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos do Ministério da Saúde.
A candidíase esofágica é uma infecção oportunista que ocorre em pacientes com contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm³, frequentemente abaixo de 100 células/mm³. A presença dessa condição, por si só, já é um indicador de que o paciente se encontra em um nível de imunossupressão que o coloca em risco para outras infecções oportunistas, especialmente a pneumocistose (PCP). A profilaxia primária para PCP é recomendada para todos os pacientes com CD4+ < 200 células/mm³, independentemente da presença de sintomas, e o esquema de escolha é sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP) 800 + 160 mg, 3x/semana. A candidíase esofágica, por ser uma doença definidora de AIDS, reforça a necessidade dessa profilaxia, pois indica que o paciente já atingiu um estágio avançado da doença.
É importante destacar que a profilaxia para outras infecções oportunistas, como toxoplasmose e citomegalovírus, tem critérios específicos que não são preenchidos apenas pela presença de candidíase esofágica. A profilaxia para toxoplasmose, por exemplo, é indicada quando o CD4+ é inferior a 100 células/mm³ e há IgG anti-T. gondii reagente. Já a profilaxia para citomegalovírus não é rotineiramente indicada como profilaxia primária; a melhor forma de prevenção é a TARV e a manutenção do CD4+ acima de 100 células/mm³. Portanto, a candidíase esofágica, embora seja um marcador de imunossupressão, não é critério isolado para essas profilaxias, mas sim para a profilaxia de PCP.
A distinção entre profilaxia primária e secundária é crucial: a primária é iniciada em pacientes com critérios de risco, mesmo sem manifestações clínicas prévias; a secundária é instituída após o tratamento de uma infecção oportunista clinicamente manifesta. No caso do paciente, a candidíase esofágica é uma doença definidora de AIDS, mas a profilaxia para PCP é primária, pois ele não teve PCP prévia. A candidíase esofágica, por sua vez, não tem indicação de profilaxia secundária, conforme o protocolo: "Não se indica a profilaxia secundária para candidíase esofágica".
A pegadinha da questão está em associar a candidíase esofágica a outras profilaxias, como para toxoplasmose ou CMV, quando na verdade o gatilho é o CD4+ < 200 células/mm³, que indica profilaxia para PCP. O paciente, por ter candidíase esofágica, quase certamente tem CD4+ < 100 células/mm³, o que também indicaria profilaxia para toxoplasmose se houvesse IgG reagente, mas a questão não fornece esse dado. A alternativa correta é a que aponta para PCP, pois é a profilaxia universalmente indicada para CD4+ < 200 células/mm³, e a candidíase esofágica é um marcador clássico desse nível de imunossupressão.
Guarde o critério: CD4+ < 200 células/mm³ → profilaxia para PCP; CD4+ < 100 células/mm³ + IgG anti-T. gondii reagente → profilaxia para toxoplasmose; CMV → sem profilaxia primária rotineira, apenas TARV. É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas.
A profilaxia para citomegalovírus (CMV) não é indicada como profilaxia primária em pacientes com HIV. O protocolo recomenda que a melhor forma de prevenir a doença por CMV é a instituição da TARV e a manutenção do CD4+ acima de 100 células/mm³. A profilaxia secundária para CMV é considerada apenas após doença manifesta, e mesmo assim com critérios específicos. A candidíase esofágica não é gatilho para profilaxia de CMV.
A profilaxia para herpes simplex é indicada apenas em casos de infecção recorrente (mais de 6 episódios/ano), com aciclovir 400mg 2x/dia. O paciente não apresenta história de herpes recorrente, apenas candidíase esofágica. A candidíase esofágica não é critério para profilaxia de herpes simplex.
A profilaxia para toxoplasmose é indicada quando o CD4+ é inferior a 100 células/mm³ E há IgG anti-T. gondii reagente. O paciente tem candidíase esofágica, o que sugere CD4+ < 100 células/mm³, mas a questão não informa a sorologia para toxoplasmose. Sem esse dado, não se pode indicar profilaxia para toxoplasmose apenas pela candidíase esofágica. A candidíase esofágica, por si só, não é critério para profilaxia de toxoplasmose.
A profilaxia para Cryptococcus sp. não é indicada rotineiramente como profilaxia primária em pacientes com HIV. A criptococose é uma infecção oportunista que ocorre em imunossupressão avançada, mas a profilaxia primária não é padronizada para todos os pacientes com CD4+ baixo. A candidíase esofágica não é gatilho para profilaxia de criptococose.
A profilaxia para Pneumocystis jirovecii (PCP) é indicada para todos os pacientes com CD4+ < 200 células/mm³, conforme o protocolo: "A profilaxia para PCP deve ser realizada com sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP) 800 + 160 mg, 3x/semana, em todos os pacientes com linfócitos CD4+ < 200 células/mm³". A candidíase esofágica é um marcador de imunossupressão grave, geralmente com CD4+ < 100 células/mm³, o que reforça a indicação de profilaxia para PCP. O paciente, por ter candidíase esofágica, preenche o critério de CD4+ < 200 células/mm³ e deve iniciar profilaxia para PCP.
Gabarito: letra E
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