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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2023

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg064352
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínica Médica
Paciente masculino, 33 anos, com diagnóstico de HIV em tratamento irregular, procura atendimento com relato de febre e dor ao engolir.Ao exame: apresenta-se lúcido, orientado no tempo e no espaço, emagrecido, febril, anictérico, acianótico, sem esforço respiratório. Orofaringe com candidíase oral. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. O resultado da Endoscopia Digestiva Alta evidenciou candidíase esofágica.Diante esse quadro, o paciente deve iniciar profilaxia de
  1. ACitomegalovírus.
  2. BHerpes simplex.
  3. CToxoplasma gondii.
  4. DCryptococcus SP.
  5. EPneumocystis jirovecci.
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GabaritoE — Pneumocystis jirovecci.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Profilaxia de infecções oportunistas em HIV/AIDS

Gabarito: letra E. O paciente com HIV, em tratamento irregular, apresenta candidíase esofágica — uma doença definidora de AIDS — e, portanto, deve iniciar profilaxia primária para Pneumocystis jirovecii (PCP), pois a candidíase esofágica é um marcador de imunossupressão grave (CD4 < 200 células/mm³), critério que indica a profilaxia para PCP com sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos do Ministério da Saúde.

A candidíase esofágica é uma infecção oportunista que ocorre em pacientes com contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm³, frequentemente abaixo de 100 células/mm³. A presença dessa condição, por si só, já é um indicador de que o paciente se encontra em um nível de imunossupressão que o coloca em risco para outras infecções oportunistas, especialmente a pneumocistose (PCP). A profilaxia primária para PCP é recomendada para todos os pacientes com CD4+ < 200 células/mm³, independentemente da presença de sintomas, e o esquema de escolha é sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP) 800 + 160 mg, 3x/semana. A candidíase esofágica, por ser uma doença definidora de AIDS, reforça a necessidade dessa profilaxia, pois indica que o paciente já atingiu um estágio avançado da doença.

É importante destacar que a profilaxia para outras infecções oportunistas, como toxoplasmose e citomegalovírus, tem critérios específicos que não são preenchidos apenas pela presença de candidíase esofágica. A profilaxia para toxoplasmose, por exemplo, é indicada quando o CD4+ é inferior a 100 células/mm³ e há IgG anti-T. gondii reagente. Já a profilaxia para citomegalovírus não é rotineiramente indicada como profilaxia primária; a melhor forma de prevenção é a TARV e a manutenção do CD4+ acima de 100 células/mm³. Portanto, a candidíase esofágica, embora seja um marcador de imunossupressão, não é critério isolado para essas profilaxias, mas sim para a profilaxia de PCP.

A distinção entre profilaxia primária e secundária é crucial: a primária é iniciada em pacientes com critérios de risco, mesmo sem manifestações clínicas prévias; a secundária é instituída após o tratamento de uma infecção oportunista clinicamente manifesta. No caso do paciente, a candidíase esofágica é uma doença definidora de AIDS, mas a profilaxia para PCP é primária, pois ele não teve PCP prévia. A candidíase esofágica, por sua vez, não tem indicação de profilaxia secundária, conforme o protocolo: "Não se indica a profilaxia secundária para candidíase esofágica".

A pegadinha da questão está em associar a candidíase esofágica a outras profilaxias, como para toxoplasmose ou CMV, quando na verdade o gatilho é o CD4+ < 200 células/mm³, que indica profilaxia para PCP. O paciente, por ter candidíase esofágica, quase certamente tem CD4+ < 100 células/mm³, o que também indicaria profilaxia para toxoplasmose se houvesse IgG reagente, mas a questão não fornece esse dado. A alternativa correta é a que aponta para PCP, pois é a profilaxia universalmente indicada para CD4+ < 200 células/mm³, e a candidíase esofágica é um marcador clássico desse nível de imunossupressão.

Guarde o critério: CD4+ < 200 células/mm³ → profilaxia para PCP; CD4+ < 100 células/mm³ + IgG anti-T. gondii reagente → profilaxia para toxoplasmose; CMV → sem profilaxia primária rotineira, apenas TARV. É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A profilaxia para citomegalovírus (CMV) não é indicada como profilaxia primária em pacientes com HIV. O protocolo recomenda que a melhor forma de prevenir a doença por CMV é a instituição da TARV e a manutenção do CD4+ acima de 100 células/mm³. A profilaxia secundária para CMV é considerada apenas após doença manifesta, e mesmo assim com critérios específicos. A candidíase esofágica não é gatilho para profilaxia de CMV.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A profilaxia para herpes simplex é indicada apenas em casos de infecção recorrente (mais de 6 episódios/ano), com aciclovir 400mg 2x/dia. O paciente não apresenta história de herpes recorrente, apenas candidíase esofágica. A candidíase esofágica não é critério para profilaxia de herpes simplex.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A profilaxia para toxoplasmose é indicada quando o CD4+ é inferior a 100 células/mm³ E há IgG anti-T. gondii reagente. O paciente tem candidíase esofágica, o que sugere CD4+ < 100 células/mm³, mas a questão não informa a sorologia para toxoplasmose. Sem esse dado, não se pode indicar profilaxia para toxoplasmose apenas pela candidíase esofágica. A candidíase esofágica, por si só, não é critério para profilaxia de toxoplasmose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A profilaxia para Cryptococcus sp. não é indicada rotineiramente como profilaxia primária em pacientes com HIV. A criptococose é uma infecção oportunista que ocorre em imunossupressão avançada, mas a profilaxia primária não é padronizada para todos os pacientes com CD4+ baixo. A candidíase esofágica não é gatilho para profilaxia de criptococose.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A profilaxia para Pneumocystis jirovecii (PCP) é indicada para todos os pacientes com CD4+ < 200 células/mm³, conforme o protocolo: "A profilaxia para PCP deve ser realizada com sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP) 800 + 160 mg, 3x/semana, em todos os pacientes com linfócitos CD4+ < 200 células/mm³". A candidíase esofágica é um marcador de imunossupressão grave, geralmente com CD4+ < 100 células/mm³, o que reforça a indicação de profilaxia para PCP. O paciente, por ter candidíase esofágica, preenche o critério de CD4+ < 200 células/mm³ e deve iniciar profilaxia para PCP.

Gabarito: letra E

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