Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
- Código
- fg064356
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Clínica Médica
- AAntero-septal.
- BPosterior.
- CInferior.
- DApical.
- ELateral.
GabaritoA — Antero-septal.
Gabarito: letra A. O supradesnivelamento de ST nas derivações V1 a V3 indica acometimento da parede ântero-septal do ventrículo esquerdo, território irrigado pela artéria descendente anterior (DA), ramo da coronária esquerda. A correlação entre as derivações eletrocardiográficas e a parede cardíaca é o critério que decide a questão.
O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta central no diagnóstico da síndrome coronariana aguda (SCA), devendo ser realizado nos primeiros 10 minutos de atendimento. Ele permite classificar o paciente em dois grandes grupos: IAM com supradesnivelamento de ST (IAMCST) e SCA sem supradesnivelamento de ST (SCASST). No caso apresentado, a paciente tem dor torácica típica (aperto, irradiação para membro superior esquerdo, duração > 30 minutos, sudorese e náuseas) e ECG com supradesnivelamento de ST de V1 a V3 — configurando IAMCST. A localização da parede acometida é feita pela análise das derivações que apresentam o supradesnivelamento: cada grupo de derivações "enxerga" uma região específica do coração.
A correlação clássica entre derivações e paredes é a seguinte: derivações V1 a V3 (e às vezes V4) correspondem à parede ântero-septal; V3 a V5, à parede anterior (ou ântero-apical); DI e aVL, à parede lateral alta; DII, DIII e aVF, à parede inferior; e V7 a V9, à parede posterior (embora esta seja menos usual na prática clínica). A parede apical é representada principalmente por V5 e V6, e a parede lateral por DI, aVL, V5 e V6. Assim, o supradesnivelamento em V1 a V3 aponta diretamente para a parede ântero-septal.
A artéria responsável por essa região é a descendente anterior (DA), ramo da artéria coronária esquerda. A oclusão proximal da DA pode levar a infarto ântero-septal extenso, com risco de disfunção ventricular esquerda e complicações mecânicas. O reconhecimento precoce da localização é fundamental para a estratégia de reperfusão (angioplastia primária ou trombólise) e para o prognóstico.
A pegadinha da banca está em confundir as derivações com as paredes: muitos candidatos decoram que V1 a V3 são "ântero-septal", mas trocam por "anterior" ou "apical". A distinção é sutil, mas decisiva: enquanto V1 a V3 representam o septo interventricular e a região ântero-septal, V3 a V5 representam a parede anterior propriamente dita, e V5 a V6, a região apical. Guarde o mapa das derivações — é exatamente nele que as alternativas se separam.
O supradesnivelamento de ST em V1 a V3 é o padrão clássico de infarto da parede ântero-septal. Essas derivações "enxergam" o septo interventricular e a região anterior do ventrículo esquerdo, irrigados pela artéria descendente anterior. A alternativa está correta e é a resposta pedida.
A parede posterior é representada pelas derivações V7 a V9 (e, indiretamente, por alterações recíprocas em V1 e V2, como infradesnivelamento de ST). O supradesnivelamento em V1 a V3 não corresponde à parede posterior; na verdade, o infarto posterior costuma cursar com supradesnivelamento nas derivações posteriores e infradesnivelamento nas derivações anteriores. A banca troca a localização clássica.
A parede inferior é representada pelas derivações DII, DIII e aVF. O supradesnivelamento em V1 a V3 não tem relação com a parede inferior. O infarto inferior é tipicamente causado por oclusão da artéria coronária direita (ou, menos frequentemente, da circunflexa). A alternativa confunde o território inferior com o ântero-septal.
A parede apical é representada principalmente por V5 e V6 (e, em alguns esquemas, V4). O supradesnivelamento em V1 a V3 não indica acometimento apical. A banca explora a confusão entre "ântero-septal" e "apical", que são regiões vizinhas, mas com derivações distintas.
A parede lateral é representada por DI, aVL, V5 e V6. O supradesnivelamento em V1 a V3 não corresponde à parede lateral. O infarto lateral é causado por oclusão da artéria circunflexa ou de ramos laterais da descendente anterior. A alternativa troca o território lateral pelo ântero-septal.
Para fixar a correlação derivação-parede, memorize o mapa: V1-V3 = ântero-septal; V3-V5 = anterior; V5-V6 = apical; DI-aVL = lateral alta; DII-DIII-aVF = inferior; V7-V9 = posterior. Na prova, identifique primeiro as derivações com supradesnivelamento e, em seguida, associe à parede correspondente. Treine com questões que tragam ECGs esquemáticos — a repetição torna essa correlação automática.
Gabarito: letra A — parede ântero-septal.
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