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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
fg064360
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínica Médica
Sobre urgência hipertensiva e emergência hipertensiva, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.


( ) Urgência hipertensiva caracteriza-se por uma elevação acentuada da pressão arterial, com lesão progressiva de órgão alvo, com maior risco de óbito.

( ) Emergência hipertensiva caracteriza-se por uma elevação pressórica acentuada, sem lesão aguda e progressiva de órgão alvo.

( ) Eclampsia e síndrome HELLP são exemplos de urgências hipertensivas.

( ) Pré-eclampsia e hipertensão associada a aneurisma de aorta não dissecante são exemplos de emergências hipertensivas.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
  1. AF – V – F – V.
  2. BF – F – F – F.
  3. CV – F – V – V.
  4. DV – V – V – V.
  5. EV – F – V – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — F – F – F – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise hipertensiva: urgência × emergência

Gabarito: letra B — todas as afirmativas são falsas (F – F – F – F). A questão inverte sistematicamente os conceitos: urgência hipertensiva NÃO tem lesão de órgão-alvo (LOA), emergência hipertensiva TEM LOA aguda e progressiva, e eclâmpsia, síndrome HELLP, pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e dissecção aguda de aorta são todas EMERGÊNCIAS hipertensivas — não urgências. A base conceitual está nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020/2025) e na literatura de emergências clínicas.

A crise hipertensiva é a elevação aguda da pressão arterial (PA) que leva o paciente a procurar atendimento, dividindo-se em dois grandes grupos: urgência hipertensiva (UH) e emergência hipertensiva (EH). A distinção entre elas NÃO é o nível absoluto da PA — embora se cite PAS > 180 mmHg e PAD > 120 mmHg como referência —, mas sim a presença ou não de lesão aguda e progressiva de órgão-alvo (LOA) e o risco iminente de morte. Essa é a chave conceitual que a banca explora.

Na urgência hipertensiva, há elevação acentuada da PA, geralmente sintomática (cefaleia, epistaxe, tontura), porém sem LOA aguda e sem risco iminente de morte. O tratamento é feito com medicação oral e acompanhamento ambulatorial precoce (em torno de 7 dias). Já na emergência hipertensiva, a elevação pressórica vem acompanhada de LOA aguda e progressiva (encefalopatia hipertensiva, AVE, edema agudo de pulmão, síndromes coronarianas agudas, dissecção aguda de aorta, eclâmpsia, síndrome HELLP, entre outras), exigindo internação em UTI e uso de fármacos parenterais.

A tabela abaixo resume o contraste:

Critério

Urgência hipertensiva

Emergência hipertensiva

Lesão de órgão-alvo

Ausente

Presente (aguda e progressiva)

Risco de morte

Baixo

Iminente

Tratamento

Oral, ambulatorial

Parenteral, UTI

Exemplos

Cefaleia, epistaxe

Eclâmpsia, dissecção de aorta, AVE

A pegadinha central desta questão é a inversão sistemática dos conceitos: a banca troca as definições de urgência e emergência e classifica condições típicas de emergência como urgência. O candidato que memoriza apenas os números de PA (180/120) sem entender o critério funcional (LOA) cai direto na armadilha.

1Urgência hipertensiva
Sem lesão de órgão-alvo
Risco baixo
Tratamento oral
2Emergência hipertensiva
Com lesão aguda e progressiva
Risco iminente de morte
Tratamento parenteral (UTI)
3Exemplos de emergência
Eclâmpsia
Síndrome HELLP
Dissecção aguda de aorta
Crise hipertensiva
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Crise hipertensiva: Urgência hipertensiva (Sem lesão de órgão-alvo, Risco baixo, Tratamento oral); Emergência hipertensiva (Com lesão aguda e progressiva, Risco iminente de morte, Tratamento parenteral (UTI)); Exemplos de emergência (Eclâmpsia, Síndrome HELLP, Dissecção aguda de aorta)

Afirmativa 1 — ❌ Falsa

Afirma que a urgência hipertensiva tem "lesão progressiva de órgão-alvo, com maior risco de óbito". Isso é o oposto: urgência hipertensiva é definida justamente pela ausência de LOA aguda e progressiva. O risco de óbito e a LOA são características da emergência hipertensiva. A banca inverteu o conceito.

Afirmativa 2 — ❌ Falsa

Diz que a emergência hipertensiva tem "elevação pressórica acentuada, sem lesão aguda e progressiva de órgão-alvo". Novamente, inversão: a emergência hipertensiva é definida pela presença de LOA aguda e progressiva. Sem LOA, seria urgência (ou pseudocrise). A afirmativa troca os dois conceitos.

Afirmativa 3 — ❌ Falsa

Classifica eclâmpsia e síndrome HELLP como urgências hipertensivas. Ambas são emergências hipertensivas, pois cursam com LOA (cerebral, hepática, renal) e risco materno-fetal iminente. A banca as coloca como urgência, o que é incorreto.

Afirmativa 4 — ❌ Falsa

Diz que pré-eclâmpsia e hipertensão associada a aneurisma de aorta não dissecante são emergências hipertensivas. A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é emergência, mas a pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade não é necessariamente emergência — e o aneurisma de aorta não dissecante não configura emergência hipertensiva, pois não há LOA aguda. A dissecção aguda de aorta é que é emergência. A afirmativa mistura conceitos e classifica incorretamente.

Conclusão: todas as afirmativas são falsas. Portanto, a sequência correta é F – F – F – F, correspondente à letra B.

PEGA ESSA DICA!

Para não errar, decore o critério-chave: emergência = LOA aguda + risco de morte; urgência = sem LOA. Na dúvida, pergunte: "há lesão de órgão-alvo?" Se sim, é emergência. Isso resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra B

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