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Questão de Medicina — Sepse Grave e Choque Séptico — FGV 2023

MedicinaSepse Grave e Choque Séptico
Código
fg064362
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínica Médica
A sepse é uma doença grave que, se não identificada e tratada corretamente, pode ter uma evolução desfavorável.


Em relação à sepse, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.


( ) Sepse é uma disfunção de órgãos potencialmente fatal, causada por uma resposta desregulada e exagerada do hospedeiro perante uma infecção.

( ) Choque séptico é a sepse associada a hipotensão arterial, responsivo à reposição volêmica.

( ) A disfunção de órgãos é um importante parâmetro na graduação do estado de gravidade da sepse.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente.
  1. AF – F – F.
  2. BV – F – V.
  3. CF – V – F.
  4. DV – V – F.
  5. EF – F – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — V – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sepse e choque séptico: definições atuais (Sepse 3.0)

Gabarito: letra B (V – F – V). A primeira afirmativa está correta, pois a sepse é definida como disfunção orgânica potencialmente fatal causada por resposta desregulada do hospedeiro à infecção; a segunda é falsa, porque o choque séptico é a sepse com hipotensão não responsiva à reposição volêmica (e não responsiva, como afirma o item); e a terceira está correta, já que a disfunção de órgãos é o parâmetro central para graduar a gravidade da sepse, avaliada pelo escore SOFA. Essas definições seguem o consenso Sepse 3.0 (2016), adotado pelo Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS).

A sepse é uma síndrome clínica que representa a resposta extrema e desregulada do organismo a uma infecção, resultando em disfunção orgânica com risco de morte. O conceito foi atualizado em 2016 pelo consenso Sepse 3.0, que abandonou o termo "sepse grave" e os critérios de SIRS (Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica) como definidores da doença. Antes, a sepse era definida como SIRS associada a infecção; hoje, o diagnóstico exige a presença de disfunção orgânica, mensurada pelo aumento de ≥ 2 pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). Essa mudança reflete o entendimento de que a sepse não é apenas uma resposta inflamatória, mas envolve também imunossupressão e desregulação de múltiplos sistemas.

O choque séptico, por sua vez, é um subgrupo da sepse com alterações circulatórias e metabólicas/celulares capazes de elevar substancialmente a mortalidade. Do ponto de vista clínico, a presença de um foco infeccioso associado a hipotensão não responsiva a fluidos com necessidade de uso de drogas vasoativas para PAM > 65 mmHg E hiperlactatemia (lactato sérico > 18 mg/dL) define choque séptico. A palavra-chave é "não responsiva": se a hipotensão responde à reposição volêmica, ainda não se configura choque séptico — é apenas sepse com hipotensão transitória. Essa distinção é crucial e é exatamente o que a segunda afirmativa erra.

A disfunção de órgãos é o parâmetro central para graduar a gravidade da sepse. O escore SOFA avalia seis sistemas (respiratório, coagulação, fígado, cardiovascular, neurológico e renal), cada um com pontuação de 0 a 4, totalizando até 24 pontos. Um incremento de ≥ 2 pontos no SOFA é diagnóstico de sepse. Além disso, o qSOFA (quickSOFA) é uma ferramenta de triagem baseada em dados clínicos (taquipneia, alteração do nível de consciência e hipotensão sistólica) para identificar pacientes com infecção e alto risco de óbito ou maior tempo de permanência na UTI — mas não serve para diagnosticar sepse, apenas para triagem.

A pegadinha da banca está na segunda afirmativa: ela troca "não responsiva" por "responsivo". Essa inversão é clássica e derruba muitos candidatos. O choque séptico é definido justamente pela hipotensão que não melhora com volume, exigindo vasopressores. Se a hipotensão responde à reposição volêmica, o paciente ainda não está em choque séptico — está em sepse com hipotensão responsiva, que pode evoluir para choque se não tratada adequadamente.

Guarde a fronteira entre "sepse" e "choque séptico": a diferença está na responsividade à reposição volêmica e na presença de hiperlactatemia persistente. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Sepse
Choque séptico
Resposta ao volume
Pode ter hipotensão
Hipotensão persistente
Hipotensão
Responsiva
Não responsiva
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Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A definição de sepse como "disfunção de órgãos potencialmente fatal, causada por uma resposta desregulada e exagerada do hospedeiro perante uma infecção" está correta e reflete o consenso Sepse 3.0. O texto oficial confirma:

Sepse 3.0 (consenso internacional, 2016):

"Sepse é uma disfunção orgânica com risco de morte devido a uma resposta desregulada do organismo a uma infecção."

A palavra "desregulada" é essencial: não é apenas uma resposta inflamatória exagerada, mas uma desregulação que envolve tanto inflamação quanto imunossupressão. O termo "potencialmente fatal" também é preciso, pois a disfunção orgânica pode progredir para falência múltipla de órgãos e morte.

Afirmativa 2 — ❌ Falsa

A afirmativa diz que o choque séptico é "sepse associada a hipotensão arterial, responsivo à reposição volêmica". O erro está na palavra "responsivo": o choque séptico é definido pela hipotensão não responsiva à reposição volêmica. O texto oficial é claro:

Sepse 3.0 (consenso internacional, 2016):

"Choque séptico: uso de vasopressor para manter PAM ≥ 65 mmHg E lactato > 18 mg/dL persistente após ressuscitação volêmica adequada."

Se a hipotensão responde à reposição volêmica, o paciente não está em choque séptico — está em sepse com hipotensão responsiva, que pode evoluir para choque se não tratada. A banca inverteu o termo "não responsivo" por "responsivo", uma pegadinha clássica de troca de termo.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

A afirmativa de que "a disfunção de órgãos é um importante parâmetro na graduação do estado de gravidade da sepse" está correta. O escore SOFA é o instrumento utilizado para mensurar a disfunção orgânica, e um incremento de ≥ 2 pontos é diagnóstico de sepse. O texto oficial confirma:

Sepse 3.0 (consenso internacional, 2016):

"Aumento do escore SOFA ≥ 2" como critério clínico para sepse.

Além disso, o qSOFA é usado para triagem de pacientes com infecção e alto risco de óbito, mas não para diagnóstico. A disfunção orgânica é, portanto, o parâmetro central para graduar a gravidade da sepse, desde a sepse sem disfunção até o choque séptico.

Conclusão: Corretas: afirmativas 1 e 3 → portanto a alternativa é a letra B (V – F – V).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o termo "não responsivo" por "responsivo" na definição de choque séptico. Lembre-se: choque séptico é hipotensão que não melhora com volume, exigindo vasopressores. Se respondeu "responsivo", você caiu na pegadinha. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a diferença entre sepse e choque séptico, use o mnemônico "CHOQUE = NÃO RESPONDE": choque séptico é a sepse com hipotensão não responsiva à reposição volêmica, com necessidade de vasopressor e lactato elevado. Sepse é apenas disfunção orgânica por resposta desregulada à infecção.

Gabarito: letra B

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