Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
fg064363
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínica Médica
Paciente masculino, 66 anos, obeso, tabagista, com diagnóstico de diabetes mellitus, procura atendimento na emergência com quadro de dor torácica ventilatória-dependente no hemitórax esquerdo. O quadro iniciou há 4 dias com febre alta, tosse secretiva e dispneia.Ao exame: paciente lúcido, orientado no tempo e no espaco, afebril, corado, PA = 100 x 60mmHG, FC 89 BPM, FR 19 IRPM, Sat O₂ 97%, exame cardiovascular normal, ausculta pulmonar com presença de estertores crepitantes em base esquerda. Exames laboratoriais – glicemia: 156mg/dL, creatinina: 1,0, ureia: 45, hematócrito: 45%, leucócitos: 14.300 e plaquetas: 280 mil.Avalie o escore de risco desse paciente e assinale a conduta correta, considerando o diagnóstico mais provável para esse quadro clínico.
  1. APelo fato de ser tabagista, ele deve ser internado para oxigenoterapia.
  2. BPelo fato de ser diabético, ele deve ser internado para tratamento com antibiótico venoso.
  3. CPelo resultado do escore de risco, ele pode ser tratado no domicílio.
  4. DPelo resultado do escore de risco, o paciente deve ser internado numa UTI.
  5. EO paciente deve fazer uma tomografia de tórax para avaliação do risco.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Pelo resultado do escore de risco, ele pode ser tratado no domicílio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pneumonia adquirida na comunidade: escore CURB-65 e decisão de internação

Gabarito: letra C. O paciente apresenta pneumonia adquirida na comunidade (PAC) com escore CURB-65 = 0 (nenhum critério de gravidade: idade < 65 anos, sem confusão mental, ureia normal, FR < 30 irpm e PA normal), o que indica baixo risco e possibilidade de tratamento ambulatorial. A conduta correta é tratar no domicílio, conforme a classificação de risco do escore.

A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção aguda do parênquima pulmonar adquirida fora do ambiente hospitalar. O diagnóstico é clínico-radiológico, baseado em sintomas respiratórios (tosse, dispneia, dor torácica), febre, achados auscultatórios (estertores crepitantes) e consolidação na radiografia de tórax. No caso, o paciente tem 66 anos, mas o escore CURB-65 considera idade ≥ 65 anos como critério de gravidade — e ele tem exatamente 66, o que já pontuaria 1 ponto. Porém, é preciso avaliar todos os critérios do escore para decidir a conduta.

O escore CURB-65 é uma ferramenta validada para estratificar a gravidade da PAC e orientar o local de tratamento. Cada critério vale 1 ponto: Confusão mental (escore abreviado de estado mental < 8), Ureia > 50 mg/dL, Respiração (FR ≥ 30 irpm), Blood pressure (PA sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg) e idade ≥ 65 anos. A soma dos pontos classifica o risco: 0-1 ponto = baixo risco, tratamento ambulatorial; 2 pontos = risco intermediário, considerar internação em enfermaria; 3-5 pontos = alto risco, internação hospitalar, com 4-5 pontos indicando UTI.

Aplicando ao caso: idade 66 anos (1 ponto), ureia 45 mg/dL (0 pontos), FR 19 irpm (0 pontos), PA 100x60 mmHg (0 pontos, pois a sistólica é > 90 e a diastólica = 60, não ≤ 60), sem confusão mental (0 pontos). Total = 1 ponto. Portanto, o paciente é classificado como baixo risco e pode ser tratado no domicílio com antibiótico oral. A alternativa C reflete exatamente essa conduta.

A pegadinha da questão está em considerar o tabagismo ou o diabetes como fatores que, isoladamente, indicariam internação. Essas comorbidades aumentam o risco de complicações, mas não fazem parte do escore CURB-65 e não alteram a classificação de baixo risco neste caso. A decisão de internação deve ser baseada no escore de gravidade, não em fatores de risco isolados. Além disso, o paciente está estável hemodinamicamente, sem hipoxemia (SatO₂ 97%) e com leucocitose moderada, o que reforça a possibilidade de tratamento ambulatorial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que tabagismo ou diabetes, por si só, exigem internação. Mas o escore CURB-65 não inclui essas comorbidades — ele avalia apenas confusão mental, ureia, FR, PA e idade. O diabetes é um fator de risco para gravidade, mas não é critério do escore. Neste caso, o paciente tem apenas 1 ponto (idade 66 anos), o que o coloca em baixo risco, permitindo tratamento domiciliar.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tabagismo é um fator de risco para PAC, mas não é critério para internação nem para oxigenoterapia. O paciente está com SatO₂ 97% em ar ambiente, sem hipoxemia, portanto não há indicação de oxigênio suplementar. A oxigenoterapia é reservada para pacientes com hipoxemia (PaO₂ < 55 mmHg ou SatO₂ < 90%).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O diabetes mellitus é uma comorbidade que aumenta o risco de complicações, mas não é, isoladamente, indicação de internação para antibiótico venoso. O escore CURB-65 não inclui diabetes como critério. O paciente tem baixo risco (1 ponto) e pode ser tratado com antibiótico oral no domicílio.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O escore CURB-65 do paciente é 1 ponto (idade 66 anos), classificando-o como baixo risco. Conforme as diretrizes, pacientes com 0-1 ponto podem ser tratados ambulatorialmente com antibiótico oral. O paciente está estável, sem critérios de gravidade, portanto a conduta correta é o tratamento no domicílio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O paciente tem escore CURB-65 = 1, o que indica baixo risco, não alto risco. A internação em UTI é reservada para pacientes com escore ≥ 4 ou com critérios de sepse grave/choque séptico, o que não é o caso. O paciente está hemodinamicamente estável, sem hipoxemia e sem disfunção orgânica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tomografia de tórax não é necessária para avaliação do risco na PAC. O diagnóstico é clínico-radiológico, e a radiografia de tórax é suficiente na maioria dos casos. A TC é reservada para casos de dúvida diagnóstica, complicações ou suspeita de outras etiologias. A avaliação do risco é feita pelo escore CURB-65, não por exame de imagem.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/fg064363