Colite microscópica
Gabarito: letra D. A colite microscópica é uma doença inflamatória intestinal caracterizada por diarreia aquosa crônica, com endoscopia macroscópica normal e alterações histológicas características. O tratamento de primeira linha, baseado em evidências, é a budesonida, um corticosteroide de ação local. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a idade de diagnóstico é mais tardia (6ª-7ª década), o tabagismo é fator de risco (não proteção), não há risco aumentado de câncer colorretal, e a doença se subdivide em colite colagenosa e linfocítica (não doença celíaca e síndrome do intestino irritável).
A colite microscópica é uma entidade distinta das doenças inflamatórias intestinais clássicas (retocolite ulcerativa e doença de Crohn). Seu nome deriva do fato de que, ao exame endoscópico, a mucosa colônica parece normal, mas a biópsia revela inflamação microscópica. Existem dois subtipos principais: a colite colagenosa, caracterizada por uma banda de colágeno subepitelial espessada (>10 µm), e a colite linfocítica, caracterizada por aumento de linfócitos intraepiteliais (>20 por 100 células epiteliais). Ambos os subtipos apresentam quadro clínico semelhante, com diarreia aquosa crônica, não sanguinolenta, que pode ser volumosa e levar a desidratação e distúrbios eletrolíticos.
A epidemiologia é um ponto crucial. Diferentemente do que afirma a alternativa A, a colite microscópica é mais comum em idosos, com pico de incidência entre a 6ª e 7ª década de vida, e tem predomínio no sexo feminino. A associação com doenças autoimunes é frequente, como doença celíaca, tireoidite e artrite reumatoide. O tabagismo, ao contrário do que ocorre na retocolite ulcerativa (onde é fator de proteção), é um fator de risco bem estabelecido para colite microscópica, aumentando a chance de desenvolvimento da doença e piorando seu curso. Outros fatores associados incluem o uso de medicamentos como inibidores da bomba de prótons, anti-inflamatórios não esteroidais e inibidores seletivos da recaptação de serotonina.
O tratamento da colite microscópica é escalonado. Inicialmente, medidas gerais como suspensão de medicamentos potencialmente causadores, dieta e loperamida para controle sintomático. Quando há necessidade de tratamento específico, a budesonida é a droga de escolha, com alto nível de evidência para indução e manutenção da remissão. Trata-se de um corticosteroide de ação predominantemente local, com baixa biodisponibilidade sistêmica e poucos efeitos colaterais. Outras opções, como mesalazina, colestiramina ou imunossupressores, têm evidência limitada ou são reservadas para casos refratários. É importante destacar que a colite microscópica não aumenta o risco de câncer colorretal, ao contrário da retocolite ulcerativa e da doença de Crohn, que são condições pré-malignas. Por isso, a alternativa C está incorreta.
A distinção entre colite microscópica e outras causas de diarreia crônica é fundamental. A doença celíaca, por exemplo, é uma enteropatia sensível ao glúten que pode coexistir com a colite microscópica, mas não é um subtipo dela. A síndrome do intestino irritável é um distúrbio funcional, sem inflamação, e também não se confunde com a colite microscópica. A alternativa E, portanto, erra ao afirmar que a colite microscópica se subdivide nessas duas condições. A banca explora a confusão entre doenças que cursam com diarreia crônica, mas que têm etiologias e tratamentos distintos. O diagnóstico diferencial inclui também diarreia por uso de laxantes, má absorção de sais biliares e infecções crônicas.
A pegadinha central desta questão é a inversão do efeito do tabagismo. Na retocolite ulcerativa, o tabaco é protetor; na colite microscópica e na doença de Crohn, é um fator de risco. O candidato que memoriza a associação "tabagismo protege a colite" sem especificar o tipo de doença erra a alternativa B. Além disso, a idade de diagnóstico e o risco de câncer são pontos que exigem conhecimento específico da doença, não sendo possível deduzi-los por analogia com outras doenças inflamatórias intestinais. A budesonida, por sua vez, é um tratamento bem estabelecido, mas não é o único — a alternativa D, ao afirmar que é o "único tratamento baseado em evidências", é a mais precisa, pois é a única com evidência robusta para indução e manutenção da remissão, enquanto outras opções têm papel limitado.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A média de idade de diagnóstico da colite microscópica é entre a 6ª e 7ª década de vida, não entre a 2ª e 3ª década. A doença é mais comum em idosos, com predomínio no sexo feminino. A banca troca a faixa etária, levando o candidato a pensar em doenças inflamatórias intestinais clássicas, que costumam acometer adultos jovens.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tabagismo é um fator de risco para colite microscópica, não um fator de proteção. A confusão surge porque, na retocolite ulcerativa, o tabagismo é protetor. A banca inverte o efeito do tabaco, explorando a associação conhecida com a retocolite ulcerativa e aplicando-a erroneamente à colite microscópica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A colite microscópica não apresenta risco aumentado de evolução para câncer colorretal. Diferentemente da retocolite ulcerativa e da doença de Crohn, que são condições pré-malignas, a colite microscópica é considerada uma doença benigna, sem associação significativa com neoplasia colorretal.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A budesonida é o tratamento de primeira linha, baseado em evidências, para colite microscópica. É um corticosteroide de ação local, com alta eficácia para indução e manutenção da remissão e poucos efeitos sistêmicos. Embora existam outras opções (como loperamida, colestiramina e imunossupressores), a budesonida é a única com evidência robusta, sendo considerada o tratamento padrão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A colite microscópica subdivide-se em colite colagenosa e colite linfocítica, não em doença celíaca e síndrome do intestino irritável. A doença celíaca é uma enteropatia sensível ao glúten, e a síndrome do intestino irritável é um distúrbio funcional — ambas podem ser diagnósticos diferenciais, mas não são subtipos da colite microscópica.
Gabarito: letra D