Quanto aos princípios da colectomia para o tratamento das neoplasias malignas do cólon, assinale a afirmativa correta.
AA linfadenectomia é considerada adequada quando os vasos nutridores da porção acometida do cólon são ligados na sua origem e, pelo menos, 6 linfonodos são retirados juntos com a peça cirúrgica.
BA ligadura central dos vasos que irrigam o cólon e a excisão completa do mesocólon podem incluir linfonodos apicais e centrais, contendo aqueles com “lesões salteadas” em 30% dos casos em média.
CA ressecção em bloco dos órgãos adjacentes acometidos ou suspeitos de invasão não diminuem os riscos de recorrência e taxa de sobrevivência, sendo apenas realizados por questões táticas e citorredutoras.
DA técnica de no-touch foi desenvolvida com o objetivo de diminuir a propagação de células tumorais na circulação, sendo priorizado a ligadura do pedículo vascular antes da mobilização do cólon.
ENo intuito de remoção total da neoplasia maligna, pelo menos 2cm de margem proximal e distal à lesão devem ser obtidos na peça cirúrgica, minimizando assim as recorrências anastomóticas.
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GabaritoD — A técnica de no-touch foi desenvolvida com o objetivo de diminuir a propagação de células tumorais na circulação, sendo priorizado a ligadura do pedículo vascular antes da mobilização do cólon.
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Princípios da colectomia para neoplasias malignas do cólon
Gabarito: letra D. A técnica de no-touch foi desenvolvida por Turnbull com o objetivo de reduzir a disseminação hematogênica de células tumorais durante a manipulação cirúrgica, priorizando a ligadura vascular antes da mobilização do cólon. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou numéricos em relação aos princípios oncológicos da colectomia.
A colectomia para tratamento do adenocarcinoma de cólon segue princípios oncológicos rígidos, que visam garantir a ressecção completa do tumor com margens livres e a adequada avaliação linfonodal, fatores determinantes para o estadiamento e prognóstico. O termo no-touch ("não tocar") refere-se a uma técnica cirúrgica que busca minimizar a manipulação do tumor antes do controle vascular, reduzindo o risco de embolização de células neoplásicas pela circulação porta e sistêmica. Na prática, isso significa que o cirurgião deve identificar e ligar os vasos do pedículo vascular antes de mobilizar e manipular o segmento colônico acometido.
A linfadenectomia adequada é um dos pilares da cirurgia oncológica colorretal. Ela envolve a ligadura dos vasos nutridores na sua origem, permitindo a remoção dos linfonodos regionais junto com a peça cirúrgica. O número mínimo de linfonodos a serem examinados para um estadiamento adequado é de 12, conforme recomendações de diretrizes internacionais e do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Esse número é importante porque a presença de metástases linfonodais é um dos principais fatores prognósticos e indica a necessidade de quimioterapia adjuvante.
As margens cirúrgicas também são fundamentais. Para o adenocarcinoma de cólon, recomenda-se uma margem proximal e distal de aproximadamente 5 cm, medida a partir da lesão. Essa margem é necessária para garantir que não haja extensão submucosa ou intramural do tumor além do que é visível macroscopicamente. Margens menores podem estar associadas a maior risco de recorrência local e anastomótica.
A ressecção em bloco de órgãos adjacentes é indicada quando há invasão tumoral (T4b). Nesses casos, a remoção conjunta da estrutura acometida é essencial para obter margens livres e melhorar o prognóstico. A ressecção em bloco não é apenas uma questão tática ou citorredutora, mas sim um princípio oncológico que visa a cura.
A técnica de no-touch e a ligadura vascular central são conceitos relacionados, mas distintos. Enquanto o no-touch prioriza a ligadura vascular antes da mobilização, a ligadura central dos vasos e a excisão completa do mesocólon (CME - complete mesocolic excision) visam remover os linfonodos apicais e centrais, que podem conter metástases. A CME é uma técnica mais recente que busca melhorar a qualidade da linfadenectomia e, consequentemente, o prognóstico.
A banca explora a confusão entre os números de linfonodos (6 vs. 12), as margens cirúrgicas (2 cm vs. 5 cm) e o papel da ressecção em bloco. É fundamental memorizar esses valores e entender o racional por trás de cada princípio.
Princípios da colectomia oncológica: Linfadenectomia (Ligadura dos vasos na origem, Mínimo de 12 linfonodos); Margens cirúrgicas (5 cm proximal e distal); Ressecção em bloco (T4b) (Órgãos adjacentes acometidos, Melhora prognóstico); Técnica no-touch (Ligadura vascular antes da mobilização, Reduz disseminação hematogênica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está no número mínimo de linfonodos. A linfadenectomia é considerada adequada quando os vasos nutridores são ligados na origem, mas o número mínimo de linfonodos a serem retirados é 12, não 6. A amostragem de 12 linfonodos é o padrão recomendado para estadiamento adequado do adenocarcinoma de cólon, conforme diretrizes do INCA e de sociedades de oncologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ligadura central dos vasos e a excisão completa do mesocólon podem incluir linfonodos apicais e centrais, mas a afirmação de que contêm "lesões salteadas" em 30% dos casos não é um dado correto. O termo "lesões salteadas" não é utilizado nesse contexto. A CME visa remover os linfonodos regionais, incluindo os apicais, mas a porcentagem citada não corresponde a nenhum dado da literatura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressecção em bloco dos órgãos adjacentes acometidos ou suspeitos de invasão diminui os riscos de recorrência e melhora a taxa de sobrevivência, quando indicada. Ela é realizada para garantir margens livres de ressecção, sendo um princípio oncológico fundamental, não apenas uma questão tática ou citorredutora. A ressecção em bloco é essencial para o tratamento curativo de tumores T4b.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A técnica de no-touch foi desenvolvida com o objetivo de diminuir a propagação de células tumorais na circulação, priorizando a ligadura do pedículo vascular antes da mobilização do cólon. Essa técnica, descrita por Turnbull, busca reduzir a disseminação hematogênica de células neoplásicas durante a manipulação cirúrgica, um princípio oncológico importante para melhorar o prognóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A margem cirúrgica recomendada para o adenocarcinoma de cólon é de aproximadamente 5 cm proximal e distal à lesão, não 2 cm. Margens de 2 cm podem ser insuficientes para garantir a ressecção completa, aumentando o risco de recorrência local e anastomótica. A margem de 5 cm é o padrão recomendado pelas diretrizes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os números-chave da cirurgia colorretal: 6 linfonodos em vez de 12, e 2 cm de margem em vez de 5 cm. Esses valores são clássicos de decoreba e frequentemente aparecem invertidos. Memorize: 12 linfonodos e 5 cm de margem.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de cirurgia oncológica, crie uma tabela mental com os números essenciais: linfonodos (12), margens (5 cm), e a técnica de no-touch (ligadura vascular antes da mobilização). Esses são os pontos mais cobrados e os mais fáceis de confundir.