Assinale a opção que apresenta a razão pela qual a Pitiríase versicolor apresenta morfologia arredondada das lesões.
AOs esporos da Malassezia furfur serem arredondados.
BA existência de diferentes espécies de Malassezia.
CA presença da ceratinofilia do agente.
DA lipofilia característica do fungo.
EA morfologia arredondada é fortuita.
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GabaritoD — A lipofilia característica do fungo.
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Pitiríase versicolor: morfologia das lesões e o papel da lipofilia da Malassezia
Gabarito: letra D. A morfologia arredondada das lesões da pitiríase versicolor é consequência direta da lipofilia do fungo Malassezia spp.: a levedura necessita de lipídios para sobreviver e se desenvolve ao redor dos folículos pilossebáceos, onde há maior concentração de sebo, formando lesões que acompanham a distribuição folicular e adquirem contorno arredondado. Essa é a explicação fisiopatológica aceita, e não a forma dos esporos, a diversidade de espécies, a ceratinofilia ou o acaso.
A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica superficial e crônica da camada córnea da pele, causada por leveduras do gênero Malassezia (antigamente denominada Malassezia furfur). Essas leveduras fazem parte da microbiota normal da pele, mas, sob condições favoráveis — calor, umidade, sudorese excessiva, imunossupressão e, principalmente, pele oleosa —, proliferam e produzem metabólitos que levam à despigmentação e à descamação característica. O nome "versicolor" refere-se à variedade de cores que as lesões podem assumir (róseas, hipocrômicas, acastanhadas).
A lipofilia é a característica central do gênero: a Malassezia é uma levedura lipofílica, ou seja, depende de ácidos graxos exógenos para seu crescimento, pois não consegue sintetizá-los de forma suficiente. Por isso, ela coloniza preferencialmente as áreas ricas em glândulas sebáceas — tronco, pescoço, ombros e face. Essa predileção explica a distribuição das lesões e também sua morfologia: o fungo cresce ao redor dos óstios foliculares, onde há maior aporte de sebo, e a lesão resultante acompanha o folículo, adquirindo formato arredondado ou ovalado. É essa relação com o folículo pilossebáceo que confere o contorno arredondado às máculas e placas da doença.
Na prática clínica, o diagnóstico é confirmado pelo exame micológico direto com hidróxido de potássio (KOH), que evidencia hifas curtas e espessas com agrupamentos de esporos arredondados — o clássico aspecto de "espaguete com almôndegas". A lâmpada de Wood pode mostrar fluorescência amarelo-esverdeada nas lesões. O tratamento envolve antifúngicos tópicos (cetoconazol, terbinafina, sulfeto de selênio) ou sistêmicos (itraconazol, fluconazol) em casos extensos, mas as recidivas são frequentes.
A banca explora aqui uma confusão comum: o candidato pode associar a morfologia arredondada à forma dos esporos do fungo (alternativa A), mas a forma dos esporos não determina a forma da lesão. A lesão é arredondada porque o fungo cresce em torno do folículo pilossebáceo, e essa distribuição folicular é consequência da lipofilia. A ceratinofilia (alternativa C) refere-se à capacidade do fungo de utilizar queratina como nutriente, o que explica a descamação, mas não a morfologia. A diversidade de espécies (alternativa B) não influencia a forma das lesões, e a alternativa E (fortuita) contraria o conhecimento fisiopatológico.
Guarde o raciocínio: lipofilia → crescimento perifolicular → lesões arredondadas. É exatamente essa cadeia causal que separa a alternativa correta das demais.
1Lipofilia da Malassezia
2Crescimento perifolicular
3Lesões arredondadas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Os esporos da Malassezia são arredondados, mas isso não explica a morfologia das lesões. A forma dos esporos é um achado microscópico (aspecto de "espaguete com almôndegas" no exame direto), enquanto a morfologia macroscópica da lesão é determinada pela distribuição do fungo na pele, que segue os folículos pilossebáceos. A banca tenta confundir o aluno que memoriza o aspecto microscópico sem entender a fisiopatologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A existência de diferentes espécies de Malassezia (M. globosa, M. sympodialis, M. furfur etc.) é relevante para a epidemiologia e a patogênese, mas não determina a forma arredondada das lesões. Todas as espécies lipofílicas produzem lesões semelhantes, independentemente da espécie envolvida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ceratinofilia — capacidade de utilizar queratina como substrato — explica por que o fungo coloniza a camada córnea e causa descamação, mas não a morfologia arredondada. A descamação furfurácea é consequência da ceratinofilia; a forma da lesão é consequência da lipofilia e do crescimento perifolicular.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lipofilia é a característica que determina a morfologia arredondada. A Malassezia necessita de lipídios exógenos, por isso se concentra ao redor dos folículos pilossebáceos, onde há maior produção de sebo. O crescimento fúngico nessa região perifolicular gera lesões que acompanham o contorno do folículo, resultando em máculas e placas arredondadas ou ovaladas. Essa é a explicação fisiopatológica aceita e a que a banca espera.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A morfologia arredondada não é fortuita (ao acaso). Ela tem explicação fisiopatológica clara, ligada à lipofilia do fungo e à sua distribuição perifolicular. Afirmar que é fortuita contraria o conhecimento estabelecido sobre a doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a causa da morfologia (lipofilia → crescimento perifolicular) pela forma dos esporos (alternativa A). O aluno que decora o aspecto microscópico "espaguete com almôndegas" pode marcar A, mas a questão pergunta a razão da morfologia das lesões, não dos esporos. Lembre-se: a lesão é arredondada porque o fungo cresce ao redor do folículo, e isso é consequência da lipofilia. 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre pitiríase versicolor, monte um mapa mental: lipofilia (nutrição) → perifolicular (distribuição) → lesões arredondadas (morfologia); ceratinofilia (nutrição alternativa) → descamação (sinal de Zileri). Associe cada característica do fungo à manifestação clínica correspondente.