Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023
- Código
- fg064387
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Dermatologia
- AAntidepressivos.
- BHipoglicemiantes.
- CCitostáticos.
- DAntipsicóticos.
- ETARV.
GabaritoC — Citostáticos.
Gabarito: letra C. A síndrome mão-pé (eritema acral) é uma toxicidade dermatológica clássica associada a agentes quimioterápicos citostáticos, como 5-fluorouracila, capecitabina e inibidores da tirosinoquinase (sorafenibe, sunitinibe, regorafenibe). A questão cobra o reconhecimento dessa reação adversa como efeito colateral típico da quimioterapia antineoplásica.
A síndrome mão-pé, também chamada de eritema acral ou eritema palmoplantar, é uma reação cutânea adversa que se manifesta como vermelhidão simétrica, formigamento, dor e, em casos mais graves, bolhas e descamação nas palmas das mãos e plantas dos pés. Ocorre principalmente em áreas de pressão, como as plantas dos pés após ficar muito tempo em pé ou correr. Essa condição é uma toxicidade dermatológica bem documentada de diversos agentes quimioterápicos, especialmente os antimetabólitos como 5-fluorouracila e capecitabina, e também de inibidores da tirosinoquinase como sorafenibe, sunitinibe e regorafenibe. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas acredita-se que envolva o acúmulo do fármaco nas glândulas écrinas e dano direto aos queratinócitos, levando à inflamação local.
O tratamento da síndrome mão-pé é principalmente sintomático e envolve medidas preventivas como uso de protetores solares e hidratação frequente das mãos e pés. Nos casos mais graves, a conduta mais eficaz é a pausa temporária da terapia, geralmente por alguns dias, até a resolução completa dos sintomas, seguida da retomada com dose reduzida do agente desencadeante. Essa abordagem visa equilibrar o controle da doença oncológica com a qualidade de vida do paciente.
É importante distinguir a síndrome mão-pé da dactilite falcêmica, que também é chamada de síndrome mão-pé, mas ocorre em pacientes com doença falciforme, especialmente em lactentes e crianças pequenas, devido à isquemia local da medula óssea. Embora compartilhem o mesmo nome, são entidades completamente diferentes: uma é uma toxicidade medicamentosa e a outra é uma complicação da hemoglobinopatia. A questão explora justamente essa associação direta entre a síndrome mão-pé e os fármacos citostáticos, sendo essa a relação mais cobrada em provas de oncologia e farmacologia.
A pegadinha da questão está em associar a síndrome mão-pé a outras classes de medicamentos que também podem causar reações cutâneas, mas não especificamente essa síndrome. Por exemplo, antidepressivos e antipsicóticos podem causar reações dermatológicas, mas não são classicamente associados ao eritema acral. Da mesma forma, hipoglicemiantes e antirretrovirais (TARV) podem ter efeitos colaterais cutâneos, mas não são a causa típica da síndrome mão-pé. O conhecimento específico dessa toxicidade é fundamental para o manejo adequado de pacientes oncológicos em tratamento.
Os antidepressivos não estão associados à síndrome mão-pé. Embora possam causar reações adversas dermatológicas, como rash cutâneo, o eritema acral palmoplantar é uma toxicidade característica de agentes quimioterápicos, não de psicofármacos. A confusão pode surgir porque alguns antidepressivos podem causar sudorese e alterações de temperatura, mas não a síndrome mão-pé.
Os hipoglicemiantes, usados no tratamento do diabetes mellitus, não são causa de síndrome mão-pé. O diabetes pode causar complicações musculoesqueléticas como a quiroartropatia diabética (síndrome da mão diabética), mas essa é uma condição diferente, caracterizada por espessamento da pele e contraturas em flexão, não por eritema palmoplantar. A síndrome mão-pé é uma toxicidade de fármacos citostáticos.
Os citostáticos, ou agentes quimioterápicos antineoplásicos, são a classe de medicamentos classicamente associada à síndrome mão-pé. Fármacos como 5-fluorouracila, capecitabina e inibidores da tirosinoquinase (sorafenibe, sunitinibe, regorafenibe) são exemplos típicos que causam eritema palmoplantar. Essa é uma toxicidade dermatológica bem documentada e um efeito colateral importante a ser monitorado em pacientes oncológicos.
Os antipsicóticos, usados no tratamento de transtornos psicóticos, não estão associados à síndrome mão-pé. Embora possam causar reações cutâneas, como fotossensibilidade, o eritema acral palmoplantar é uma toxicidade específica de agentes quimioterápicos, não de antipsicóticos. A confusão pode ocorrer porque ambos podem causar efeitos adversos dermatológicos, mas a síndrome mão-pé é distintiva dos citostáticos.
A TARV (Terapia Antirretroviral), usada no tratamento do HIV, não é causa de síndrome mão-pé. Embora alguns antirretrovirais possam causar reações cutâneas, como rash e síndrome de hipersensibilidade, o eritema palmoplantar é uma toxicidade característica de agentes quimioterápicos, não de antirretrovirais. A síndrome mão-pé é um efeito colateral bem definido da quimioterapia antineoplásica.
A síndrome mão-pé é um efeito colateral importante e bem documentado dos agentes citostáticos, e seu reconhecimento precoce é essencial para o manejo adequado dos pacientes oncológicos. A associação direta entre a síndrome e a classe de medicamentos é o conhecimento central cobrado nesta questão.
Gabarito: letra C
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