Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2023

MedicinaDermatologia
Código
fg064393
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologia
Jovem atópica (asma e rinite), com medo por conta da pandemia, adquiriu o hábito de passar frequentemente álcool gel nas mãos. Apresenta nas mãos eritema, descamação com queixa vaga de urência/prurido e as regiões das dobras estão poupadas.Assinale a opção que indica o diagnóstico desta dermatite.
  1. ADe contato alérgica
  2. BDe contato por irritante primário
  3. CAtópica
  4. DSeborreica
  5. EDe contato e atópica
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — De contato por irritante primário

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dermatite de contato por irritante primário

Gabarito: letra B. A paciente apresenta dermatite de contato por irritante primário, desencadeada pelo uso frequente de álcool gel, que é um irritante químico que danifica diretamente a barreira cutânea, causando eritema e descamação nas mãos, com poupança das dobras — quadro clássico dessa dermatose. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição repetida ao agente irritante e na distribuição das lesões, conforme a fisiopatologia descrita na literatura dermatológica.

A dermatite de contato é uma reação inflamatória da pele causada pelo contato com agentes externos, dividida em dois grandes mecanismos: irritante primário e alérgico. No caso da irritante primária, o agente (como o álcool gel) penetra a barreira cutânea, causa dano direto aos queratinócitos e inicia uma reação inflamatória localizada, sem necessidade de sensibilização prévia. Já a dermatite de contato alérgica é uma reação de hipersensibilidade do tipo tardio (Tipo IV), que exige contato prévio com o alérgeno para que ocorra a sensibilização do sistema imunológico. Essa distinção é fundamental para o diagnóstico: enquanto a irritante primária é uma resposta tóxica direta e dose-dependente, a alérgica é uma resposta imunológica específica, que pode se disseminar para além da área de contato.

Na prática clínica, a dermatite de contato por irritante primário manifesta-se com eritema, descamação, ressecamento e, por vezes, fissuras, restritas à área de contato com o agente. No caso da paciente, o uso frequente de álcool gel nas mãos, especialmente durante a pandemia, é o gatilho clássico. A queixa de urência/prurido é comum, e a poupança das dobras (regiões interdigitais e flexoras) é um dado importante, pois essas áreas tendem a ser menos expostas ao agente ou a ter menor acúmulo do produto. A história de atopia (asma e rinite) é um fator de risco para o desenvolvimento de dermatites, mas não define o diagnóstico — a paciente pode ter uma dermatite irritativa sobreposta à pele atópica, que é mais sensível.

A principal distinção que a banca explora é entre a dermatite de contato por irritante primário e a dermatite de contato alérgica. Na irritante primária, o quadro é agudo ou crônico, restrito à área de contato, e não depende de sensibilização prévia — qualquer pessoa exposta ao irritante em concentração e tempo suficientes pode desenvolver a lesão. Na alérgica, há necessidade de sensibilização prévia, o quadro pode ser mais disseminado e o agente é um alérgeno específico (como níquel, fragrâncias, conservantes). No caso do álcool gel, o mecanismo predominante é o irritativo, pois o álcool etílico em alta concentração desidrata e danifica a pele diretamente, sem mediação imunológica.

A pegadinha desta questão está em associar a atopia da paciente ao diagnóstico de dermatite atópica, quando na verdade o quadro é uma dermatite irritativa desencadeada pelo uso do álcool gel. A paciente é atópica, mas o quadro atual é de dermatite de contato por irritante primário, não uma exacerbação da dermatite atópica. A dermatite atópica clássica tem distribuição flexural (dobras), prurido intenso e história de eczema desde a infância, o que não é o caso — aqui, as dobras estão poupadas e o gatilho é claramente o álcool gel. A alternativa E (de contato e atópica) também é incorreta, pois não há evidência de que o quadro seja uma exacerbação da dermatite atópica; é uma dermatite irritativa isolada, ainda que em pele atópica.

Guarde a fronteira entre irritante primário e alérgico: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A irritante primária é uma reação tóxica direta, sem sensibilização prévia, restrita à área de contato; a alérgica é uma reação imunológica tardia, que exige sensibilização e pode se disseminar. No caso do álcool gel, o mecanismo é irritativo.

Dermatite de contato
  • 1Irritante primário
    • Dano direto à barreira cutânea
    • Sem sensibilização prévia
    • Restrita à área de contato
    • Ex.: álcool gel
  • 2Alérgica
    • Hipersensibilidade tipo IV (tardia)
    • Exige sensibilização prévia
    • Pode disseminar
    • Ex.: níquel, fragrâncias
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A dermatite de contato alérgica é uma reação de hipersensibilidade do tipo tardio (Tipo IV), que exige sensibilização prévia ao alérgeno. No caso, o álcool gel atua como irritante primário, causando dano direto à barreira cutânea, sem mediação imunológica. A paciente não apresenta história de sensibilização prévia ao álcool, e o quadro é restrito às mãos, típico de irritação. A banca tenta confundir ao sugerir que o álcool gel poderia ser um alérgeno, mas o mecanismo predominante é o irritativo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dermatite de contato por irritante primário é causada por agentes que danificam diretamente a pele, como o álcool gel, sem necessidade de sensibilização prévia. O quadro clínico — eritema, descamação, urência/prurido nas mãos, com poupança das dobras — é característico, e a história de uso frequente do produto confirma o diagnóstico. A atopia da paciente é um fator de risco, mas não altera o mecanismo irritativo do álcool.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, com distribuição flexural (dobras), prurido intenso e história de eczema desde a infância. No caso, as dobras estão poupadas e o gatilho é o uso de álcool gel, o que aponta para uma dermatite irritativa, não para uma exacerbação da dermatite atópica. A paciente é atópica, mas o quadro atual é de contato por irritante primário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dermatite seborreica caracteriza-se por lesões eritematosas com descamação gordurosa e crostas amareladas, predominantemente em áreas seborreicas (couro cabeludo, face, região retroauricular, tórax). Não há relação com o uso de álcool gel, e a distribuição nas mãos com poupança das dobras não é compatível. O diagnóstico é clínico, e o quadro descrito não se encaixa na seborreica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa sugere a coexistência de dermatite de contato e dermatite atópica. Embora a paciente seja atópica, o quadro atual é de dermatite de contato por irritante primário, sem evidência de exacerbação da dermatite atópica. A dermatite atópica teria distribuição flexural e prurido intenso, o que não é o caso. A resposta correta é apenas a dermatite de contato por irritante primário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a atopia da paciente para induzir ao diagnóstico de dermatite atópica (alternativa C) ou de associação (alternativa E). No entanto, o quadro é claramente de dermatite irritativa pelo álcool gel: as dobras estão poupadas (ao contrário da atópica, que poupa as dobras? Não — a atópica acomete as dobras), e o gatilho é o uso frequente do produto. A atopia é um fator de risco, mas não define o diagnóstico. Fique atento: a dermatite atópica acomete as dobras (flexuras), enquanto a irritativa por álcool gel poupa as dobras, pois o produto não se acumula nessas áreas.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar dermatite de contato irritativa de alérgica, pergunte-se: houve sensibilização prévia? O quadro é restrito à área de contato? O agente é um irritante conhecido (como álcool, sabão, solventes)? Se sim, é irritante primário. Se o quadro é disseminado, com história de contato prévio com alérgeno específico, pense em alérgica. Na prova, a história de exposição e a distribuição das lesões são os dados mais importantes.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/fg064393