Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2023
- Código
- fg064395
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Dermatologia
- APênfigo vulgar
- BPênfigo foiáceo
- CPenfigoide bolhoso
- DPenfigoide cicatricial
- EDermatite por IgA linear
GabaritoC — Penfigoide bolhoso
Gabarito: letra C. O penfigoide bolhoso é a doença bolhosa autoimune mais frequentemente associada à imunoterapia com inibidores de checkpoint (anti-PD-1, anti-PD-L1 e anti-CTLA-4), utilizada no tratamento do melanoma metastático e de outras neoplasias. Essa associação é reconhecida na literatura oncológica e dermatológica, sendo o penfigoide bolhoso o efeito colateral buloso mais comum nesse contexto.
A imunoterapia com inibidores de checkpoint imunológico (como nivolumabe, pembrolizumabe e ipilimumabe) atua bloqueando reguladores negativos da função dos linfócitos T, como PD-1, PD-L1 e CTLA-4, potencializando a resposta imune antitumoral. Esse mecanismo, porém, pode levar à quebra da tolerância imunológica periférica e ao desencadeamento de eventos adversos de natureza autoimune, que podem afetar diversos órgãos e sistemas, incluindo a pele. Entre os eventos cutâneos, as doenças bolhosas autoimunes são um grupo de reações adversas reconhecidas, e o penfigoide bolhoso é o mais frequentemente relatado.
O penfigoide bolhoso é uma doença bolhosa subepidérmica autoimune, caracterizada pela presença de autoanticorpos contra proteínas da zona da membrana basal da epiderme, principalmente o colágeno tipo XVII (BP180) e o antígeno BP230. Clinicamente, manifesta-se com bolhas tensas sobre base eritematosa ou pele aparentemente normal, frequentemente acompanhadas de prurido intenso. O diagnóstico é confirmado por imunofluorescência direta, que demonstra depósito linear de IgG e/ou C3 na zona da membrana basal, e por imunofluorescência indireta ou ELISA, que detectam anticorpos circulantes.
A associação entre imunoterapia e penfigoide bolhoso é bem documentada, com relatos de casos e séries de casos na literatura. O mecanismo proposto envolve a ativação de linfócitos T autorreativos e a produção de autoanticorpos patogênicos, desencadeados pela inibição dos checkpoints imunológicos. O quadro clínico pode ser semelhante ao penfigoide bolhoso clássico, mas pode apresentar algumas particularidades, como início mais tardio e resposta variável ao tratamento. O manejo geralmente envolve corticosteroides tópicos ou sistêmicos e, em casos refratários, pode ser necessário suspender ou modificar a imunoterapia.
É importante distinguir o penfigoide bolhoso de outras doenças bolhosas autoimunes, como o pênfigo vulgar e o pênfigo foliáceo, que são doenças intraepidérmicas com autoanticorpos contra desmogleínas, e o penfigoide cicatricial, que afeta predominantemente mucosas. A dermatite por IgA linear é outra doença bolhosa subepidérmica, mas com depósito linear de IgA na zona da membrana basal. A frequência dessas condições como efeito colateral da imunoterapia é menor em comparação ao penfigoide bolhoso.
A banca explora o conhecimento específico sobre os efeitos colaterais cutâneos da imunoterapia, um tema relevante na prática oncológica atual. O candidato deve estar atento à associação mais frequente, que é o penfigoide bolhoso, e não se confundir com outras doenças bolhosas que também podem ocorrer, mas com menor incidência.
O pênfigo vulgar é uma doença bolhosa intraepidérmica autoimune, causada por autoanticorpos contra desmogleína 3 (e às vezes desmogleína 1), que leva à acantólise e à formação de bolhas flácidas e erosões. Embora possa ser desencadeado por medicamentos, não é a doença bolhosa mais frequentemente associada à imunoterapia com inibidores de checkpoint. O penfigoide bolhoso é mais comum nesse contexto.
O pênfigo foliáceo é uma doença bolhosa intraepidérmica superficial, causada por autoanticorpos contra desmogleína 1, resultando em bolhas flácidas e descamação superficial. Assim como o pênfigo vulgar, não é a doença bolhosa mais frequente associada à imunoterapia. O penfigoide bolhoso é a complicação bulosa mais comum.
O penfigoide bolhoso é a doença bolhosa autoimune mais frequentemente associada à imunoterapia com inibidores de checkpoint (anti-PD-1, anti-PD-L1 e anti-CTLA-4). Essa associação é bem documentada na literatura, com o penfigoide bolhoso sendo o efeito colateral buloso mais comum nesse contexto. O mecanismo envolve a quebra da tolerância imunológica e a produção de autoanticorpos contra a zona da membrana basal.
O penfigoide cicatricial (ou penfigoide das membranas mucosas) é uma doença bolhosa subepidérmica que afeta predominantemente as mucosas, com tendência à cicatrização. Embora possa ocorrer como efeito colateral de medicamentos, não é a doença bolhosa mais frequentemente associada à imunoterapia. O penfigoide bolhoso é mais comum.
A dermatite por IgA linear é uma doença bolhosa subepidérmica caracterizada por depósito linear de IgA na zona da membrana basal. Pode ser desencadeada por medicamentos, mas não é a doença bolhosa mais frequentemente associada à imunoterapia com inibidores de checkpoint. O penfigoide bolhoso é a complicação bulosa mais comum.
Gabarito: letra C
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