Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023
- Código
- fg064396
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Endocrinologia e Metabologia
- AInibidores de tirosinoquinase.
- BAmiodarona.
- CLítio.
- DMinociclina.
- EIoxaglato de sódio.
GabaritoA — Inibidores de tirosinoquinase.
Gabarito: letra A. Os inibidores de tirosinoquinase (ITQs) são as substâncias que induzem tireoidite com efeito isquêmico, pois causam disfunção tireoidiana por mecanismo de vasculite/lesão microvascular, levando a um processo inflamatório com componente isquêmico. As demais opções (amiodarona, lítio, minociclina e ioxaglato de sódio) induzem tireoidite por outros mecanismos — destrutivo, autoimune ou por sobrecarga de iodo —, mas não por efeito isquêmico.
As tireoidites constituem um grupo heterogêneo de doenças inflamatórias da glândula tireoide, com etiologias variadas que incluem causas autoimunes, infecciosas, pós-parto e induzidas por fármacos. Entre as tireoidites induzidas por medicamentos, destacam-se aquelas provocadas por amiodarona, lítio, interferon-alfa, interleucina-2 e, mais recentemente, pelos inibidores de tirosinoquinase. O mecanismo pelo qual cada fármaco lesa a tireoide é distinto e determina o quadro clínico, o diagnóstico e a conduta.
Os inibidores de tirosinoquinase (ITQs), como sunitinibe, sorafenibe e imatinibe, são agentes utilizados no tratamento de diversas neoplasias (carcinoma renal, carcinoma hepatocelular, tumores estromais gastrointestinais, leucemia mieloide crônica). Esses fármacos inibem receptores de tirosinoquinase, incluindo o receptor do fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR), o que resulta em redução da angiogênese e em efeito antiangiogênico. Esse mecanismo, embora desejável no combate ao tumor, também compromete a microvasculatura da tireoide, levando a um processo de isquemia tecidual que culmina em tireoidite destrutiva. A tireoidite induzida por ITQs manifesta-se tipicamente como tireotoxicose transitória, seguida de hipotireoidismo, e a cintilografia mostra captação reduzida ou ausente, compatível com tireoidite destrutiva.
A amiodarona, por sua vez, é um fármaco rico em iodo que pode causar tireotoxicose por dois mecanismos distintos: o tipo 1, que ocorre em pacientes com doença tireoidiana prévia (doença de Graves ou bócio multinodular tóxico) devido à sobrecarga de iodo, e o tipo 2, que é uma tireoidite destrutiva por efeito tóxico direto do fármaco sobre os tireócitos. O lítio interfere na secreção dos hormônios tireoidianos, inibindo a liberação de T4 e T3, e pode causar hipotireoidismo, bócio e, mais raramente, tireoidite. A minociclina, um antibiótico da classe das tetraciclinas, pode induzir tireoidite autoimune, geralmente associada a outros efeitos autoimunes do fármaco. O ioxaglato de sódio é um meio de contraste iodado que, pela alta concentração de iodo, pode causar tireoidite por sobrecarga de iodo, especialmente em pacientes com doença tireoidiana subjacente.
A distinção entre os mecanismos é crucial para a prática clínica, pois orienta a investigação diagnóstica e o manejo. Enquanto a tireoidite por ITQs tem como marca a isquemia, as demais tireoidites induzidas por fármacos têm mecanismos predominantemente destrutivos, autoimunes ou por excesso de iodo. A banca explora exatamente essa distinção: o candidato que conhece os mecanismos identifica rapidamente que apenas os ITQs se encaixam na descrição de "efeito isquêmico".
Fármaco | Mecanismo da tireoidite | Efeito isquêmico? |
|---|---|---|
Inibidores de tirosinoquinase (ITQs) | Anti-angiogênese via inibição de VEGFR → lesão microvascular | Sim |
Amiodarona | Sobrecarga de iodo (tipo 1) ou efeito tóxico direto (tipo 2) | Não |
Lítio | Interferência na secreção de T4/T3 | Não |
Minociclina | Autoimune | Não |
Ioxaglato de sódio | Sobrecarga de iodo | Não |
Os inibidores de tirosinoquinase (ITQs) são a classe de fármacos que induz tireoidite com efeito isquêmico. O mecanismo envolve a inibição do receptor do fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR), resultando em antiangiogênese e comprometimento da microvasculatura tireoidiana, o que leva a isquemia tecidual e tireoidite destrutiva. Essa é a característica que distingue os ITQs das demais substâncias listadas.
A amiodarona induz tireoidite por dois mecanismos: o tipo 1, por sobrecarga de iodo em pacientes com doença tireoidiana prévia, e o tipo 2, por efeito tóxico direto sobre os tireócitos, causando tireoidite destrutiva. Nenhum desses mecanismos envolve efeito isquêmico.
O lítio interfere na secreção dos hormônios tireoidianos, inibindo a liberação de T4 e T3, e pode causar hipotireoidismo, bócio e, mais raramente, tireoidite. Seu mecanismo não é isquêmico, mas sim de interferência na síntese e liberação hormonal.
A minociclina pode induzir tireoidite autoimune, geralmente associada a outros efeitos autoimunes do fármaco. O mecanismo é imunomediado, não isquêmico.
O ioxaglato de sódio é um meio de contraste iodado que, pela alta concentração de iodo, pode causar tireoidite por sobrecarga de iodo, especialmente em pacientes com doença tireoidiana subjacente. O mecanismo é por excesso de iodo, não isquêmico.
Gabarito: letra A
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