Você está de plantão em uma UPA quando, de madrugada, chega um paciente de 12 anos de idade, diagnosticado com DM1, desacordado, irresponsivo aos chamados.A mãe relata alimentação adequada e boa adesão ao uso da insulina. Pontua que deixou o filho ir a uma festa com os amigos e que recebeu uma ligação telefônica da mãe do amigo pois ele tinha “desmaiado”. SPO₂: 92%.A unidade é sucateada e, no momento, está sem fitas para o aparelho de HGT.Nesse caso, como primeiros procedimentos, você deve
Aaplicar insulina SC, monitorizar, ofertar O₂ e reposição volêmica.
Baplicar insulina EV, monitorizar, reposição volêmica e aguardar
Caplicar flush de glicose EV, colocar o paciente em posição Trendelemburg e o entubar.
Dposicionar o paciente adequadamente, verificar permeabilidade de vias aéreas, ofertar O₂ e realizar flush de glicose EV.
Erealizar reidratação EV, aguardar dosagem de potássio e solicitar transferência.
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GabaritoD — posicionar o paciente adequadamente, verificar permeabilidade de vias aéreas, ofertar O₂ e realizar flush de glicose EV.
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Hipoglicemia grave em paciente com DM1: conduta inicial na emergência
Gabarito: letra D. Em paciente com DM1 desacordado, a hipótese mais provável é hipoglicemia grave — e a conduta imediata é garantir vias aéreas, posicionar adequadamente, ofertar oxigênio e administrar glicose EV (flush de glicose hipertônica), mesmo sem confirmação laboratorial, pois o risco de dano neurológico supera o risco da hiperglicemia transitória. A alternativa D é a única que combina corretamente o suporte básico (posicionamento, via aérea, O₂) com a terapêutica específica (glicose EV).
A hipoglicemia é a complicação aguda mais comum e temida do diabetes mellitus tipo 1, especialmente em crianças e adolescentes. Define-se hipoglicemia grave como aquela em que o paciente necessita de assistência de terceiros para se recuperar, podendo evoluir para perda de consciência, convulsões e coma. No paciente diabético desacordado, a hipoglicemia é a causa mais provável até que se prove o contrário — mesmo que a mãe relate boa adesão e alimentação adequada, a história de ter ido a uma festa (possível ingestão de álcool, atraso de refeições, atividade física aumentada) aumenta a suspeita.
O tratamento da hipoglicemia grave com rebaixamento do nível de consciência NÃO deve ser feito por via oral (risco de broncoaspiração). A conduta é administrar glicose por via endovenosa — classicamente um "flush" de glicose a 50% (ou 25% em crianças) — ou glucagon intramuscular/subcutâneo se não houver acesso venoso. A glicose EV age em minutos e é o tratamento de escolha no ambiente hospitalar. A oferta de oxigênio e o posicionamento adequado (decúbito lateral, se não houver suspeita de trauma) fazem parte do suporte básico de vida, protegendo a via aérea e otimizando a oxigenação — o paciente apresenta SpO₂ de 92%, indicando necessidade de suplementação.
A grande pegadinha desta questão é a ausência de fitas para HGT (glicemia capilar). O candidato pode ficar tentado a "aguardar" a confirmação diagnóstica antes de tratar. Isso é um erro grave: na suspeita clínica de hipoglicemia grave, o tratamento NÃO deve ser adiado. A administração de glicose EV em paciente hipoglicêmico é segura e potencialmente salvadora; mesmo que o paciente estivesse hiperglicêmico (cetoacidose diabética), um bolus de glicose não causaria dano significativo e a conduta seria ajustada em seguida. O princípio é: "na dúvida, trate como hipoglicemia".
Outro ponto crítico é a distinção entre hipoglicemia e cetoacidose diabética (CAD). Ambas podem causar rebaixamento do nível de consciência em DM1, mas o tratamento inicial é oposto: na hipoglicemia, administra-se glicose; na CAD, administra-se insulina e hidratação. A história (festa, possível jejum, atividade física) e o exame (pele fria e úmida, taquicardia, sem desidratação importante) favorecem hipoglicemia. A alternativa A, que sugere aplicar insulina, seria catastrófica em um paciente hipoglicêmico — pioraria o quadro. A alternativa B, que também sugere insulina EV, comete o mesmo erro. A alternativa C, que sugere intubação, é desproporcional e não trata a causa. A alternativa E, que sugere apenas reidratação e aguardar potássio, atrasa o tratamento e não aborda a hipoglicemia.
Guarde a sequência do atendimento: A (vias aéreas) → B (respiração/oxigênio) → C (circulação/posicionamento) → glicose EV. É exatamente essa ordem que a alternativa D segue, e é o que a banca cobra: o raciocínio do suporte básico de vida aplicado à emergência metabólica.
1Posicionar e proteger via aérea
2Ofertar O₂ (SpO₂ 92%)
3Flush de glicose EV
4Reavaliar e monitorizar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Aplicar insulina SC em paciente desacordado com suspeita de hipoglicemia é um erro grave e potencialmente fatal. A insulina reduziria ainda mais a glicemia, agravando o coma. Além disso, a oferta de O₂ e a reposição volêmica, embora façam parte do suporte, não tratam a causa. A conduta correta é administrar glicose, não insulina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aplicar insulina EV tem o mesmo problema da alternativa A: pioraria a hipoglicemia. "Aguardar" sem tratar é inadmissível na suspeita de hipoglicemia grave. A monitorização e a reposição volêmica são medidas de suporte, mas a terapêutica específica (glicose) está ausente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O flush de glicose EV está correto, mas a posição de Trendelemburg (cabeça baixa) é contraindicada em paciente com suspeita de hipoglicemia sem trauma — aumenta o risco de broncoaspiração e hipertensão intracraniana. A intubação orotraqueal é desproporcional e não é o primeiro procedimento; só seria indicada se houvesse falência respiratória ou necessidade de proteção definitiva de via aérea após medidas iniciais.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta e completa: posicionar o paciente adequadamente (decúbito lateral, protegendo a via aérea), verificar permeabilidade das vias aéreas, ofertar oxigênio (SpO₂ 92% indica hipoxemia) e realizar flush de glicose EV (tratamento específico da hipoglicemia grave). A ordem segue o ABC do suporte básico de vida e inclui a terapêutica definitiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Realizar reidratação EV e aguardar dosagem de potássio atrasa o tratamento da hipoglicemia, que é a emergência imediata. A solicitação de transferência pode ser necessária, mas não é o primeiro procedimento — o paciente deve ser estabilizado e tratado na unidade. Aguardar potássio sem tratar a glicemia é conduta inadequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a ausência de fitas para HGT para induzir o candidato a "aguardar" a confirmação diagnóstica. Na suspeita clínica de hipoglicemia grave, o tratamento com glicose EV não deve ser adiado — o risco de dano neurológico supera o risco de hiperglicemia transitória. Além disso, as alternativas A e B tentam confundir com a conduta da cetoacidose diabética (insulina), que é o oposto do que se deve fazer na hipoglicemia.
PEGA ESSA DICA!
Na emergência, diante de paciente diabético desacordado, memorize a sequência: ABC + glicose EV. Se houver dúvida entre hipoglicemia e cetoacidose, trate primeiro a hipoglicemia (glicose EV) — é a conduta mais segura. A insulina só deve ser administrada após confirmação de hiperglicemia.