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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
fg064403
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia e Metabologia
Adriana está com 20 semanas de gravidez, muito ansiosa com a chegada de seu bebê e, ao mesmo tempo, preocupada com os seus exames de pré-natal.

No que diz respeito ao rastreio de Diabetes Gestacional, assinale a opção que aponta o momento certo de sua realização e o melhor prognóstico para o filho de Adriana.
  1. ARealizar glicemia de jejum com 22 semanas, resultado de 93mg/dL.
  2. BRealizar o TOTG com 24 semanas, jejum: 91mg/dL, 1ª hora: 150mg/dL, 2ª hora: 130mg/dL.
  3. CRealizar glicemia de jejum com 21 semanas, resultado de 98mg/dL.
  4. DRealizar TOTG com 30 semanas, jejum 126mg/dL, 1ª hora: 190mg/dL, 2ª hora: 155mg/dL.
  5. ERealizar glicemia de jejum com 24 semanas, resultado de 94mg/dL.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Realizar o TOTG com 24 semanas, jejum: 91mg/dL, 1ª hora: 150mg/dL, 2ª hora: 130mg/dL.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreio de Diabetes Gestacional: momento e interpretação

Gabarito: letra B. O rastreio do diabetes gestacional (DMG) deve ser feito entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, preferencialmente com o TOTG 75g, e o diagnóstico é confirmado quando um ou mais valores atingem os pontos de corte: jejum ≥ 92 mg/dL, 1h ≥ 180 mg/dL ou 2h ≥ 153 mg/dL. A alternativa B apresenta o TOTG realizado na 24ª semana, com jejum de 91 mg/dL (normal), 1ª hora de 150 mg/dL (normal) e 2ª hora de 130 mg/dL (normal) — ou seja, o rastreio foi feito no momento correto e o resultado foi normal, o que representa o melhor prognóstico para o filho de Adriana.

O diabetes gestacional é uma condição em que a resistência à insulina, aumentada pelo ambiente hormonal da gravidez, leva a uma hiperglicemia de menor intensidade que o diabetes franco, mas que, se não tratada, traz consequências tanto para a mãe quanto para o feto. Por isso, o rastreamento é rotina entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, período em que a resistência insulínica já está plenamente instalada e os valores glicêmicos refletem com mais fidelidade o estado metabólico da gestante. O teste de escolha é o TOTG com 75g de glicose, que avalia a resposta do organismo à sobrecarga em três momentos: jejum, 1 hora e 2 horas após a ingestão.

Os critérios diagnósticos do DMG, segundo a Organização Mundial da Saúde e o consenso da IADPSG, adotados no Brasil, são: glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL, glicemia de 1 hora no TOTG ≥ 180 mg/dL ou glicemia de 2 horas no TOTG entre 153 e 199 mg/dL. Basta que um único valor esteja alterado para confirmar o diagnóstico. Valores de jejum ≥ 126 mg/dL ou de 2 horas ≥ 200 mg/dL já configuram diabetes melito manifestado na gestação, uma condição distinta, que não remite após o parto.

Na prática, o fluxo de rastreio é o seguinte: na primeira consulta de pré-natal (idealmente no 1º trimestre ou até 20 semanas), solicita-se glicemia de jejum para todas as gestantes. Se o valor for ≥ 92 mg/dL, o diagnóstico de DMG já é feito (ou de DM manifestado, se ≥ 126 mg/dL). Se for < 92 mg/dL, a gestante deve realizar o TOTG 75g entre 24 e 28 semanas. Gestantes que iniciam o pré-natal após 20 semanas devem fazer o TOTG o quanto antes. A alternativa B segue exatamente esse fluxo: Adriana, com 20 semanas, ainda não fez o rastreio; o TOTG na 24ª semana é o momento correto, e todos os valores estão abaixo dos pontos de corte, indicando ausência de DMG.

A pegadinha central desta questão está em confundir os valores de corte do diagnóstico com os valores de meta de tratamento. As metas glicêmicas durante o tratamento do DMG são mais rígidas (jejum ≤ 95 mg/dL, 1h pós-prandial ≤ 140 mg/dL, 2h pós-prandial ≤ 120 mg/dL), mas os critérios diagnósticos são outros (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153). A banca explora exatamente essa confusão: alternativas com valores que seriam "alterados" se fossem metas de tratamento, mas que são normais para diagnóstico, e vice-versa. Além disso, é preciso atenção ao momento do rastreio: antes de 24 semanas, o TOTG não é o exame de rotina (salvo alto risco ou início tardio do pré-natal), e após 28 semanas o rastreio perde a janela ideal.

Guarde a fronteira entre momento do rastreio (24–28 semanas) e valores de corte diagnósticos (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153): é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A glicemia de jejum com 22 semanas não é o rastreio de rotina nesse momento — a janela ideal é entre 24 e 28 semanas. Além disso, o valor de 93 mg/dL já é diagnóstico de DMG (jejum ≥ 92 mg/dL), o que não representa o melhor prognóstico. A alternativa mistura o momento errado com um valor que, se confirmado, indica a doença.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O TOTG 75g realizado na 24ª semana está dentro da janela ideal de rastreio (24–28 semanas). Os valores apresentados — jejum 91 mg/dL, 1ª hora 150 mg/dL, 2ª hora 130 mg/dL — estão todos abaixo dos pontos de corte diagnósticos (92, 180 e 153 mg/dL, respectivamente). Portanto, o rastreio foi feito no momento certo e o resultado foi normal, o que representa o melhor prognóstico para o filho de Adriana.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A glicemia de jejum com 21 semanas está fora da janela ideal de rastreio (24–28 semanas). Além disso, o valor de 98 mg/dL é diagnóstico de DMG (jejum ≥ 92 mg/dL), indicando a doença e, portanto, pior prognóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O TOTG com 30 semanas está fora da janela ideal de rastreio (24–28 semanas). Além disso, os valores apresentados — jejum 126 mg/dL, 1ª hora 190 mg/dL, 2ª hora 155 mg/dL — são francamente diagnósticos: o jejum ≥ 126 mg/dL já configura diabetes melito manifestado na gestação, e os demais valores também ultrapassam os cortes. É o pior cenário entre as alternativas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A glicemia de jejum com 24 semanas está no período correto, mas o valor de 94 mg/dL é diagnóstico de DMG (jejum ≥ 92 mg/dL). O rastreio foi feito no momento certo, porém o resultado indica a doença, o que não representa o melhor prognóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter os valores de diagnóstico com as metas de tratamento. Nos critérios diagnósticos do DMG, o corte de jejum é ≥ 92 mg/dL — então 93, 94 e 98 mg/dL já são DMG. Já as metas de tratamento são mais rígidas (jejum ≤ 95 mg/dL). Não confunda: uma coisa é o valor que fecha o diagnóstico, outra é o valor que se busca durante o tratamento. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões de rastreio de DMG, monte um checklist mental: (1) o exame foi feito entre 24 e 28 semanas? (2) foi usado o TOTG 75g (e não só glicemia de jejum)? (3) os valores estão abaixo dos cortes diagnósticos (jejum < 92, 1h < 180, 2h < 153)? Se qualquer resposta for "não", a alternativa provavelmente está errada. Decore os três cortes — eles são os mais cobrados.

Gabarito: letra B

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