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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
fg064410
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia e Metabologia
O Diabetes é uma doença endócrina que pode cursar com múltiplas complicações, se não tratada adequadamente. Uma delas é a neuroartropatia de Charcot.A respeito desse quadro, assinale a afirmativa correta.
  1. AÉ uma complicação comum nos portadores de Diabetes, cursando com dores transitórias em ambos os membros inferiores, influenciada pela má postura do indivíduo.
  2. BEsta condição acomete mais precocemente os indivíduos com Diabetes Insulino-resistentes do que os diabéticos insulinodependentes.
  3. CInduz a uma resposta pró-inflamatória com a liberação de citocinas e a posterior ação osteoblástica sobre o osso acometido.
  4. DÉ uma condição unilateral na maioria dos casos e pode ocorrer o desabamento ósseo no médio pé.
  5. ENão cursa com desfechos graves, como a amputação do membro.
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GabaritoD — É uma condição unilateral na maioria dos casos e pode ocorrer o desabamento ósseo no médio pé.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neuroartropatia de Charcot no Diabetes Mellitus

Gabarito: letra D. A neuroartropatia de Charcot é uma complicação crônica do diabetes melito, caracterizada por uma destruição articular progressiva e indolor, que na maioria dos casos é unilateral e pode levar ao colapso/desabamento ósseo, especialmente no médio pé (articulações tarsometatarsais). A alternativa D espelha exatamente essa apresentação clássica.

A neuroartropatia de Charcot, também chamada de articulação de Charcot ou artropatia neuropática, é uma complicação musculoesquelética grave que acomete pacientes com diabetes de longa data e mau controle glicêmico. O mecanismo fisiopatológico envolve a neuropatia periférica, que leva à perda da sensibilidade protetora, permitindo traumas repetidos e não percebidos. Isso desencadeia uma cascata inflamatória com liberação de citocinas pró-inflamatórias, que por sua vez estimulam a atividade osteoclástica (reabsorção óssea) e, paradoxalmente, também podem levar a uma resposta osteoblástica posterior, resultando em destruição, deformidade e, em fases avançadas, neoformação óssea (osteófitos).

O quadro clínico típico é o de um pé edemaciado, quente e eritematoso, porém indolor — essa é a grande diferença em relação a outras condições como a osteomielite ou a gota. A ausência de dor é justamente o que permite a progressão silenciosa da destruição articular. As articulações mais comumente envolvidas são as do médio pé (articulações tarsometatarsais e tarsais), mas também podem ser acometidas as articulações metatarsofalângicas, o tornozelo e, menos frequentemente, o joelho. O diagnóstico é essencialmente clínico, auxiliado por radiografias que podem mostrar destruição articular, fragmentação óssea, subluxação e deformidade — achados que podem ser confundidos com osteomielite.

O tratamento é baseado na imobilização e descarga de peso (uso de bota gessada ou órtese), controle glicêmico rigoroso e, em casos selecionados, intervenção cirúrgica. Se não tratada adequadamente, a condição pode evoluir para deformidades graves, ulceração e, em última instância, amputação do membro — um desfecho que contraria a alternativa E.

A grande pegadinha desta questão é a confusão com outras complicações musculoesqueléticas do diabetes, como a quiroartropatia diabética (síndrome da mão diabética), que acomete as mãos, ou com a neuropatia periférica dolorosa, que causa dor. A artropatia de Charcot, ao contrário, é indolor e acomete preferencialmente os pés. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Característica

Neuroartropatia de Charcot (descrição correta)

Erros comuns nas alternativas

Lateralidade

Unilateral na maioria dos casos

—

Localização típica

Médio pé (desabamento ósseo)

—

Sintomatologia

Indolor (edema, calor, eritema)

Dor (alternativa A)

Fisiopatologia inicial

Atividade osteoclástica (reabsorção óssea)

Atividade osteoblástica (alternativa C)

Relação com tipo de diabetes

Independente do tipo (1 ou 2)

Acomete mais precocemente um tipo (alternativa B)

Prognóstico

Pode evoluir para amputação

Não cursa com amputação (alternativa E)

1Características
Unilateral na maioria
Indolor (neuropática)
Pé edemaciado e quente
2Fisiopatologia
Neuropatia periférica
Citocinas pró-inflamatórias
Ação osteoclástica (reabsorção)
3Localização típica
Médio pé (tarsometatarsais)
Desabamento ósseo
4Desfecho
Deformidade grave
Ulceração e infecção
Amputação
Neuroartropatia de Charcot
LEVELsoulevel.com.br
Neuroartropatia de Charcot: Características (Unilateral na maioria, Indolor (neuropática), Pé edemaciado e quente); Fisiopatologia (Neuropatia periférica, Citocinas pró-inflamatórias, Ação osteoclástica (reabsorção)); Localização típica (Médio pé (tarsometatarsais), Desabamento ósseo); Desfecho (Deformidade grave, Ulceração e infecção, Amputação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a neuroartropatia de Charcot é uma complicação comum e cursa com dores transitórias influenciadas pela má postura. Há dois erros: (1) não é uma complicação comum — é uma complicação relativamente rara, embora grave; (2) a característica marcante é a ausência de dor (indolor), justamente por ser uma artropatia neuropática. A dor não é o sintoma guia; o que chama atenção é o edema e a deformidade indolores. A má postura não é o fator determinante — o fator é a neuropatia periférica com perda de sensibilidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a condição acomete mais precocemente os diabéticos insulino-resistentes (tipo 2) do que os insulinodependentes (tipo 1). Não há essa relação de precocidade baseada no tipo de diabetes. O que determina o aparecimento é o tempo de doença e o mau controle glicêmico, independentemente de o paciente ser tipo 1 ou tipo 2. A neuropatia periférica, base da artropatia de Charcot, desenvolve-se em ambos os tipos quando há diabetes de longa data e controle inadequado. A banca tenta confundir com uma suposta diferença entre os tipos de diabetes que não existe para essa complicação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a condição induz a uma resposta pró-inflamatória com liberação de citocinas e posterior ação osteoblástica sobre o osso. O erro está na palavra "osteoblástica". A fisiopatologia envolve inicialmente uma resposta osteoclástica (reabsorção óssea), que é a responsável pela destruição e fragilização óssea. A atividade osteoblástica (formação óssea) pode ocorrer em fases mais tardias, como tentativa de reparo, mas não é a "posterior ação" que define o quadro agudo. A alternativa inverte o processo: o que predomina na fase inicial é a reabsorção óssea mediada por osteoclastos, estimulada pelas citocinas pró-inflamatórias.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. A neuroartropatia de Charcot é unilateral na maioria dos casos — embora possa ser bilateral em cerca de 20-30% dos pacientes, a apresentação clássica é unilateral. E o desabamento ósseo no médio pé é uma das manifestações mais características, pois as articulações tarsometatarsais e tarsais são as mais comumente envolvidas. O colapso do arco plantar leva à deformidade em "pé em mata-borrão" ou "pé em cadeira de balanço" (rocker-bottom foot), que é a deformidade típica da doença. A alternativa descreve com precisão a apresentação clínica mais frequente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a condição não cursa com desfechos graves, como a amputação do membro. Isso é falso. A neuroartropatia de Charcot, quando não tratada, pode levar a deformidades graves, ulceração neuropática, infecção secundária (osteomielite) e, em última instância, amputação. É justamente uma das complicações mais temidas do pé diabético justamente por esse potencial de evolução para amputação. A alternativa tenta minimizar a gravidade da condição, o que contraria a literatura médica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a artropatia de Charcot e outras complicações do diabetes. O candidato pode lembrar da quiroartropatia diabética (que acomete as mãos e causa contratura) ou da neuropatia periférica dolorosa (que causa dor). Mas a artropatia de Charcot é indolor e acomete os pés, com deformidade progressiva. Outra armadilha é a inversão na fisiopatologia: a alternativa C troca a ação osteoclástica (reabsorção, que é o evento inicial) pela osteoblástica (formação, que é tardia). Fique atento a essas trocas — com treino você as identifica de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre complicações musculoesqueléticas do diabetes, monte um quadro mental: quiroartropatia (mãos, contratura, sinal de oração), Dupuytren (contratura palmar), dedo em gatilho (tenossinovite), síndrome do túnel do carpo (neuropatia compressiva), capsulite adesiva (ombro congelado) e artropatia de Charcot (pés, indolor, unilateral, desabamento do médio pé). A artropatia de Charcot é a única que cursa com deformidade óssea grave e risco de amputação.

Gabarito: letra D

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