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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
fg064411
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologia
A respeito dos diagnósticos que sugerem evidências para o rastreamento para doença celíaca, analise os itens a seguir.


I. Diabetes tipo 1
II. Síndrome de Down.
III. Doença autoimune da tireoide.


Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BI e II, apenas.
  3. CI e III, apenas.
  4. DII e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento da doença celíaca: grupos de risco e indicações

Gabarito: letra E. Diabetes tipo 1, síndrome de Down e doença autoimune da tireoide são, todos, condições que indicam rastreamento sorológico para doença celíaca, mesmo na ausência de sintomas clássicos — conforme as diretrizes atuais (PCDT de doença celíaca e literatura médica). A questão cobra exatamente o reconhecimento desses grupos de risco, e os três itens estão corretos.

A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). O espectro clínico é amplo: pode se manifestar com a forma clássica (diarreia, distensão, perda de peso), com sintomas atípicos (anemia ferropriva, osteoporose, alterações neurológicas) ou mesmo de forma assintomática. Por isso, o rastreamento sorológico não se limita a quem tem sintomas — ele é recomendado para grupos de risco, que incluem doenças autoimunes e síndromes genéticas associadas.

A lógica por trás do rastreamento nesses grupos é a alta prevalência de doença celíaca em comparação com a população geral (cerca de 1%). Em pacientes com diabetes tipo 1, a prevalência de doença celíaca é significativamente maior, e ambas as condições compartilham bases genéticas (HLA) e autoimunes. O mesmo vale para a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, que frequentemente coexistem com a doença celíaca. Já a síndrome de Down é uma condição genética com risco aumentado para várias doenças autoimunes, incluindo a doença celíaca.

Na prática, o rastreamento é feito com a dosagem de anticorpo antitransglutaminase tecidual IgA (tTG-IgA) juntamente com a IgA total, para evitar falsos negativos por deficiência de IgA. Se a sorologia for positiva, o diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsia duodenal, que deve mostrar linfocitose intraepitelial, hiperplasia de criptas e atrofia de vilosidades — sempre com o paciente em dieta contendo glúten.

A pegadinha desta questão é justamente a ausência de sintomas: o candidato pode achar que o rastreamento só se justifica com manifestações clínicas. Mas as diretrizes são claras ao indicar o rastreamento sorológico para indivíduos assintomáticos pertencentes a grupos de risco. Guarde a tríade: doenças autoimunes (diabetes tipo 1, tireoidite), síndromes genéticas (Down, Turner) e condições associadas (deficiência de IgA, dermatite herpetiforme) — é nessa lista que as alternativas se dividem.

Rastreamento da doença celíaca
  • 1Grupos de risco (assintomáticos)
    • Doenças autoimunes
      • Diabetes tipo 1
      • Tireoidite de Hashimoto
      • Doença de Graves
    • Síndromes genéticas
      • Síndrome de Down
      • Síndrome de Turner
    • Condições associadas
      • Deficiência de IgA
      • Dermatite herpetiforme
  • 2Método
    • Sorologia (tTG-IgA + IgA total)
    • Confirmação por biópsia duodenal
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Item I — ✅ Correto

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune com forte associação à doença celíaca. O rastreamento sorológico é recomendado mesmo em pacientes assintomáticos, pois a prevalência de doença celíaca nesse grupo é maior que na população geral. A literatura médica cita o diabetes melito tipo 1 como uma das condições encontradas em associação significativa com a doença celíaca.

Item II — ✅ Correto

A síndrome de Down é uma condição genética que confere risco aumentado para doença celíaca. As diretrizes de rastreamento incluem explicitamente a síndrome de Down (e também a síndrome de Turner) como indicação de rastreamento sorológico, mesmo sem manifestações clínicas características.

Item III — ✅ Correto

A doença autoimune da tireoide — incluindo tireoidite de Hashimoto e doença de Graves — é outra condição com indicação formal de rastreamento para doença celíaca. A associação entre as duas doenças autoimunes é bem estabelecida, e o rastreamento é recomendado mesmo em pacientes assintomáticos.

Conclusão: os três itens estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E (I, II e III).

Gabarito: letra E

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