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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2023

MedicinaGastroenterologia
Código
fg064412
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologia
Em relação ao diagnóstico diferencial entre acalasia e esclerodermia pelo exame de suspensão de bário, para os achados relevantes de um quadro clínico moderado a avançado de acalasia, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.


( ) Dilatação esofágica evidente.

( ) Peristaltismo ausente na porção esofágica com predomínio de musculatura lisa.

( ) Peristaltismo fraco, incompleto ou ausente na porção esofágica com predomínio de musculatura lisa.

( ) Junção esofagogástrica com aspecto em bico suave, concêntrico, cônico, flexível; sem hérnia de hiato.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
  1. AV – V – F – V.
  2. BV – F – V – F.
  3. CF – V – V – V.
  4. DV – V – F – F.
  5. EV – F – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — V – V – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acalasia: diagnóstico diferencial com esclerodermia no exame contrastado de bário

Gabarito: letra A (V – V – F – V). Na acalasia moderada a avançada, o exame de suspensão de bário mostra dilatação esofágica evidente, aperistalse (ausência de peristaltismo) na porção de musculatura lisa e a junção esofagogástrica em "bico de pássaro" suave, concêntrico e flexível — mas o peristaltismo NÃO é "fraco, incompleto ou ausente" de forma simultânea, pois a acalasia clássica cursa com aperistalse completa, não com contrações fracas ou incompletas. A afirmativa III descreve o padrão da esclerodermia, não da acalasia.

A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago, definido pela ausência de peristaltismo no corpo esofágico e pela falha de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI), com aumento do tônus esfincteriano. A fisiopatologia está na perda da inervação inibitória distal (células ganglionares do plexo mioentérico), o que explica por que a musculatura lisa — presente nos 2/3 distais do esôfago — perde completamente a capacidade de contração coordenada. No exame contrastado, essa aperistalse se traduz em retenção do contraste, dilatação progressiva do órgão e um estreitamento afilado na transição esofagogástrica, classicamente descrito como "bico de pássaro".

O diagnóstico diferencial com a esclerodermia (esclerose sistêmica) é um clássico da gastroenterologia. Na esclerodermia, há também comprometimento da musculatura lisa do esôfago, mas com um padrão distinto: o peristaltismo é fraco, incompleto ou ausente — ou seja, há contrações residuais, ainda que ineficazes — e a junção esofagogástrica costuma estar pérvia, frequentemente associada a hérnia de hiato e refluxo. Já na acalasia, a aperistalse é completa e a JEG é estenótica, com o aspecto em bico suave e concêntrico, sem hérnia de hiato. Essa distinção é o cerne da questão: a banca troca o padrão motor da acalasia (aperistalse completa) pelo da esclerodermia (peristaltismo fraco/incompleto).

Na prática, o exame contrastado de bário é um dos primeiros passos na investigação da disfagia. Na acalasia avançada, observa-se:

  • Dilatação esofágica evidente — o esôfago perde o tônus e se dilata progressivamente, podendo reter alimento e contraste, com nível hidroaéreo.

  • Aperistalse na porção de musculatura lisa — o corpo esofágico distal não apresenta ondas peristálticas coordenadas; a musculatura lisa (2/3 distais) é a mais afetada pela denervação.

  • Junção esofagogástrica em "bico de pássaro" — estreitamento suave, concêntrico, cônico e flexível, sem hérnia de hiato, devido à falha de relaxamento do EEI.

A afirmativa III, ao descrever "peristaltismo fraco, incompleto ou ausente", mistura os dois padrões: na acalasia, o peristaltismo é ausente (aperistalse), não "fraco ou incompleto". Essa descrição é típica da esclerodermia, onde há contrações residuais ineficazes. Portanto, a afirmativa é falsa para a acalasia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o padrão motor da acalasia pelo da esclerodermia. Na acalasia, o peristaltismo é ausente (aperistalse completa); na esclerodermia, é fraco, incompleto ou ausente. Se a afirmativa trouxer "fraco ou incompleto", desconfie: é esclerodermia, não acalasia. Fique atento a essa troca sutil — ela derruba muitos candidatos.

Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A dilatação esofágica evidente é um achado clássico da acalasia moderada a avançada no exame de bário. Com a progressão da doença, o esôfago perde o tônus e dilata, podendo reter contraste e alimento, com nível hidroaéreo. A afirmativa está correta.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

A aperistalse (ausência de peristaltismo) na porção de musculatura lisa é a marca da acalasia. A musculatura lisa, presente nos 2/3 distais do esôfago, é a mais afetada pela perda da inervação inibitória. A afirmativa está correta.

Afirmativa 3 — ❌ Falsa

A descrição de "peristaltismo fraco, incompleto ou ausente" é típica da esclerodermia, não da acalasia. Na acalasia, o peristaltismo é ausente (aperistalse completa), sem contrações residuais. A afirmativa mistura os dois padrões e, portanto, é falsa.

Afirmativa 4 — ✅ Verdadeira

A junção esofagogástrica em "bico de pássaro" — suave, concêntrica, cônica e flexível, sem hérnia de hiato — é o achado radiológico clássico da acalasia. O estreitamento é devido à falha de relaxamento do EEI, e a ausência de hérnia de hiato ajuda a diferenciar da esclerodermia, que frequentemente apresenta hérnia e refluxo. A afirmativa está correta.

Conclusão: Verdadeiras: 1, 2 e 4; Falsa: 3 → sequência V – V – F – V, correspondente à letra A.

Gabarito: letra A

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