Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
fg064415
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Gastroenterologia
Em relação à esofagite eosinofílica e sua relação com as alterações da motilidade esofágica, assinale a afirmativa correta.
AAs alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 90% dos casos e são decorrentes da infiltração de eosinófilos na mucosa esofágica.
BAs alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 90% dos casos e prevalecem as desordens motoras majors, como a ausência de contratilidade esofágica.
CAs alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 50% dos casos e prevalecem as alterações não específicas, como a motilidade esofágica ineficaz.
DAs alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 90% dos casos e prevalecem as alterações não específicas, como a motilidade esofágica ineficaz.
EAs alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 50% dos casos e prevalecem as alterações majors, como a ausência de contratalidade esofágica.
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GabaritoC — As alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 50% dos casos e prevalecem as alterações não específicas, como a motilidade esofágica ineficaz.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Esofagite eosinofílica e alterações da motilidade esofágica
Gabarito: letra C. Na esofagite eosinofílica (EEo), as alterações da motilidade esofágica ocorrem em cerca de 50% dos casos e, quando presentes, predominam as alterações não específicas, como a motilidade esofágica ineficaz — não as desordens motoras "majors" (como a ausência de contratilidade). A banca explora exatamente a troca do percentual (90% × 50%) e do tipo de alteração predominante (inespecífica × major).
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica, de caráter alérgico/imunomediado, caracterizada pela infiltração eosinofílica da mucosa esofágica. O diagnóstico é firmado quando há sintomas de disfunção esofágica associados a ≥ 15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias esofágicas (idealmente 2 a 4 biópsias das porções proximal e distal). Endoscopicamente, podem ser vistos anéis esofágicos fixos (traquealização), sulcos longitudinais, exsudatos brancos, edema e estenoses. Antes de confirmar a EEo, é preciso excluir a eosinofilia responsiva a inibidores de bomba de prótons (IBP), pois a DRGE pode cursar com eosinofilia esofágica.
A relação entre EEo e motilidade esofágica é um ponto clássico de prova. Estudos de manometria esofágica de alta resolução mostram que aproximadamente metade dos pacientes com EEo apresenta algum distúrbio motor, mas, na grande maioria das vezes, são alterações inespecíficas ou leves — a mais comum é a motilidade esofágica ineficaz (contrações de baixa amplitude ou falhas de peristalse). As desordens motoras "majors", como a acalasia ou a ausência de contratilidade (aperistalse), são raras na EEo. Essa distinção é fundamental: a EEo não costuma mimetizar um padrão obstrutivo grave, e sim um padrão de hipomotilidade leve.
Na prática clínica, o paciente com EEo frequentemente se queixa de disfagia intermitente e impactação alimentar. A manometria, quando realizada, pode revelar desde um traçado normal até contrações ineficazes. O importante é que o clínico não confunda a EEo com acalasia ou com distúrbios motores primários graves, pois o tratamento é completamente diferente: na EEo, usa-se corticoide tópico deglutido, dieta de eliminação e, se necessário, dilatação endoscópica; na acalasia, a abordagem é com toxina botulínica, dilatação pneumática ou miotomia.
A pegadinha da questão está em dois eixos: o percentual (50% vs. 90%) e a natureza da alteração (inespecífica vs. major). O candidato que decora apenas "EEo causa dismotilidade" sem fixar a frequência e o tipo acaba marcando uma alternativa que mistura os dois erros. Guarde o par: 50% + alterações não específicas (motilidade ineficaz). É exatamente esse par que separa a alternativa correta das demais.
Esofagite eosinofílica (EEo)
1Motilidade esofágica
Alterações em ~50% dos casos
Predominam alterações não específicas
Motilidade esofágica ineficaz
Raras: desordens majors (aperistalse)
2Diagnóstico
≥15 eosinófilos/campo
Excluir eosinofilia responsiva a IBP
3Clínica
Disfagia intermitente
Impactação alimentar
4Tratamento
Corticoide tópico deglutido
Dieta de eliminação
Dilatação endoscópica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que as alterações ocorrem em 90% dos casos. O percentual correto é de cerca de 50%. Além disso, a alternativa não especifica o tipo de alteração, mas o erro no percentual já a torna incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra duplamente: primeiro, o percentual de 90% está incorreto (o correto é ~50%); segundo, afirma que prevalecem as desordens motoras majors, como a ausência de contratilidade esofágica. Na EEo, predominam as alterações não específicas, e a ausência de contratilidade é um padrão raro, mais associado a outras condições (ex.: esclerodermia).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a única que acerta os dois elementos: as alterações da motilidade ocorrem em cerca de 50% dos casos e, quando presentes, predominam as alterações não específicas, como a motilidade esofágica ineficaz. Esse é o padrão mais comumente descrito na literatura e o que a banca espera.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Acerta o tipo de alteração (não específicas, como motilidade ineficaz), mas erra o percentual ao afirmar 90%. O correto é cerca de 50%.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que as alterações ocorrem em 50% (este percentual está correto), mas erra ao dizer que prevalecem as alterações majors, como a ausência de contratilidade. Na EEo, predominam as alterações não específicas, não as majors.
NÃO CAIA NESSA!
A banca monta as alternativas combinando dois pares: percentual (90% × 50%) e tipo de alteração (major × inespecífica). O candidato que decora apenas um dos elementos acaba marcando uma alternativa parcialmente correta. A chave é memorizar o par completo: 50% + alterações não específicas (motilidade ineficaz). Na dúvida, lembre-se de que a EEo cursa com dismotilidade leve, não com padrões graves como aperistalse.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de EEo, fixe os números-chave: ≥ 15 eosinófilos/campo para diagnóstico, 8 semanas de IBP para diferenciar de EER-IBP, e ~50% de alterações de motilidade, sendo a motilidade ineficaz a mais comum. Esses três números resolvem a maioria das questões sobre o tema.