Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2023
- Código
- fg064418
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Gastroenterologia
- AF – V – F – V – V.
- BV – F – V – F – F
- CV – V – V – F – V.
- DF – F – V – F – F.
- EV – V – F – V – V.
GabaritoC — V – V – V – F – V.
Gabarito: letra C (V – V – V – F – V). A sequência correta é: verdadeira (definição de pancreatite crônica), verdadeira (pancreatite aguda é a doença pancreática mais comum e o diagnóstico usa os critérios de Atlanta), verdadeira (cerca de 80% dos casos de pancreatite aguda são leves a moderados), falsa (a causa mais comum de pancreatite aguda é a litíase biliar, não o álcool) e verdadeira (a dor abdominal é o sintoma mais comum da pancreatite crônica, presente em cerca de 76% dos casos). A banca explora a troca da principal etiologia da forma aguda, que é a biliar, pelo álcool — este é o grande responsável pela forma crônica.
A pancreatite é uma doença inflamatória do pâncreas que se apresenta em duas formas principais: aguda (PA) e crônica (PC). A forma aguda é um processo inflamatório súbito, geralmente autolimitado, desencadeado pela ativação prematura das enzimas digestivas dentro do próprio órgão, levando à autodigestão do tecido. Já a forma crônica é uma síndrome fibro-inflamatória progressiva, com fibrose e perda da função pancreática, de caráter multifatorial. A distinção entre as duas é essencial, pois a abordagem diagnóstica e terapêutica difere substancialmente.
O diagnóstico da pancreatite aguda é clínico-laboratorial e segue os critérios de Atlanta (revisados em 2012), que exigem a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal típica (epigástrica, em faixa, irradiada para o dorso), elevação de amilase ou lipase (≥ 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados radiológicos sugestivos (TC ou RM). A classificação de gravidade também vem de Atlanta: leve (sem falência de órgãos e sem necrose), moderadamente grave (complicações locais e/ou falência transitória < 48h) e grave (falência persistente > 48h).
A epidemiologia é um ponto que a banca adora cobrar: cerca de 70–80% dos casos de PA são leves, com resolução espontânea e mortalidade quase nula; 15–25% evoluem para formas graves, com mortalidade de 30–40%. Quanto à etiologia, a litíase biliar é a causa mais comum de PA (cerca de 40–70% dos casos), seguida pelo álcool (25–35%). Já na pancreatite crônica, o álcool é o principal agente etiológico, responsável por aproximadamente 70% dos casos. Essa inversão é a pegadinha central da questão.
A dor abdominal é o sintoma mais frequente tanto na PA quanto na PC. Na crônica, está presente em cerca de 76% dos pacientes, tipicamente epigástrica, irradiada para o dorso, que piora após refeições e pode aliviar com o tronco fletido. O impacto na qualidade de vida é significativo, sendo a dor o principal fator de morbidade. Outros sintomas incluem perda de peso, esteatorreia (na insuficiência exócrina avançada) e diabetes (na insuficiência endócrina).
Guarde a fronteira que decide esta questão: na aguda, a causa nº 1 é biliar; na crônica, é o álcool. É exatamente nessa inversão que as alternativas se dividem.
Afirmativa | V/F | Justificativa |
|---|---|---|
Pancreatite crônica é síndrome fibro-inflamatória do pâncreas exócrino, multifatorial, com inflamação crônica e fibrose | V | Definição correta da PC (fibro-inflamatória, progressiva, com perda de massa acinar) |
Pancreatite aguda é a doença pancreática mais comum; diagnóstico pelos critérios de Atlanta | V | PA é a mais comum; Atlanta (2012) exige ≥2 critérios (dor típica, enzimas ≥3x, imagem) |
~80% dos casos de PA são leves a moderados | V | 70–80% dos episódios são leves, sem falência de órgãos ou necrose |
Causa mais comum de PA é o álcool | F | Causa nº 1 da PA é a litíase biliar; álcool predomina na PC |
Dor abdominal é o sintoma mais comum da PC, presente em ~76% dos casos | V | Dor epigástrica irradiada para dorso; principal fator de morbidade e impacto na qualidade de vida |
A definição está correta: a pancreatite crônica é uma síndrome fibro-inflamatória do pâncreas exócrino, de causa multifatorial, caracterizada por inflamação crônica e fibrose progressiva. O material de apoio confirma: "a PC compõe uma inflamação crônica com fibrose progressiva do pâncreas com perda de massa celular acinar". A palavra-chave é fibro-inflamatória — a PC não é apenas inflamatória, mas também fibrosante, com substituição do parênquima por tecido fibroso.
A pancreatite aguda é, de fato, a doença pancreática mais comum, e o diagnóstico se baseia nos critérios de Atlanta. O material de apoio afirma que "o diagnóstico de pancreatite aguda requer pelo menos dois dos seguintes critérios: dor abdominal típica, níveis de lipase ou amilase aumentados (pelo menos três vezes o limite superior da normalidade) e achados radiológicos sugestivos do quadro". Esses são exatamente os critérios de Atlanta revisados em 2012. A banca cobra a literalidade do conceito.
Aproximadamente 80% dos pacientes com pancreatite aguda desenvolvem a forma leve a moderada. O material de apoio confirma: "Os casos mais leves perfazem de 70 a 80% dos pacientes" e "Os pacientes com pancreatite aguda leve respondem por 80% de todos os episódios". A forma leve é a mais comum, caracterizada pela ausência de falência de órgãos e necrose. A afirmativa está correta.
A causa mais comum de pancreatite aguda não é o álcool, mas sim a litíase biliar (cálculos biliares). O material de apoio é claro: "As causas da pancreatite são diversas, desde cálculos biliares e consumo de álcool, representando mais de 70% dos casos" — e a tabela de etiologias coloca a biliar como principal. O álcool é a causa mais comum de pancreatite crônica, não da aguda. A banca inverteu a etiologia predominante entre as duas formas — essa é a pegadinha central da questão.
A dor abdominal é o sintoma mais comum da pancreatite crônica, presente em cerca de 76% dos casos, com impacto negativo na qualidade de vida. O material de apoio confirma: "Os pacientes com pancreatite crônica apresentam, em sua maioria, dor episódica ou contínua" e "A dor da pancreatite crônica é tipicamente epigástrica, irradia-se com frequência para o dorso". A dor é o principal sintoma e o maior fator de morbidade, afetando diretamente a qualidade de vida.
A banca troca a etiologia mais comum entre as duas formas de pancreatite. Na aguda, a causa nº 1 é a litíase biliar; na crônica, é o álcool. O candidato que memoriza "álcool é a causa de pancreatite" sem distinguir a forma erra a afirmativa 4. Lembre-se: aguda = biliar, crônica = alcoólica.
Para fixar, monte um quadro mental: PA → biliar (cálculo impactado na papila), PC → álcool (fibrose progressiva). Sempre que a questão falar em "causa mais comum", pergunte-se: aguda ou crônica? Essa distinção resolve a maioria das questões sobre etiologia.
Gabarito: letra C — sequência V – V – V – F – V.
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