A Síndrome de Prader Willi é uma síndrome de gene contíguo, com acometimento da metilação da região crítica 15q11.2-q13. Os pacientes evoluem geralmente com obesidade, deficiência intelectual grave, entre outros achados.Assinale a opção que apresenta a característica mais comum nesses pacientes.
ADiabetes insulino dependente.
BMacroorquidia.
CCardiopatia congênita estrutural.
DDisfagia e baixo peso ao nascer.
EHiperpigmentação ocular.
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GabaritoD — Disfagia e baixo peso ao nascer.
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Síndrome de Prader-Willi: características clínicas
Gabarito: letra D. A característica mais comum e precoce da Síndrome de Prader-Willi (SPW) é a disfagia e o baixo peso ao nascer, decorrentes da hipotonia neonatal grave que compromete a sucção e a deglutição — antes da fase de hiperfagia e obesidade que marca a evolução. A SPW é uma síndrome de gene contíguo causada pela perda de função de genes paternos na região 15q11.2-q13, e o quadro clínico evolui em fases bem definidas.
A Síndrome de Prader-Willi é um distúrbio genético complexo, classificado como síndrome de gene contíguo, pois envolve a deleção ou inativação de múltiplos genes adjacentes em uma região cromossômica específica. A região crítica é o 15q11.2-q13, e a doença ocorre quando há perda da expressão dos genes de origem paterna nessa região — seja por deleção paterna (cerca de 70% dos casos), por dissomia uniparental materna (cerca de 25-30%), ou por defeitos no centro de imprinting (menos de 5%). O imprinting genômico faz com que apenas o alelo paterno seja expresso nessa região; quando ele está ausente ou inativo, a doença se manifesta.
A história natural da SPW é marcada por duas fases clínicas opostas, e é exatamente essa dualidade que a questão explora. Na fase neonatal e na primeira infância, os pacientes apresentam hipotonia grave, que compromete a sucção e a deglutição, resultando em disfagia e baixo peso ao nascer — frequentemente há necessidade de sonda nasogástrica para alimentação. Essa é a característica mais comum e precoce, presente em praticamente todos os pacientes. Já na fase posterior, que se inicia entre 2 e 4 anos de idade, ocorre uma transição para hiperfagia (apetite insaciável), que, sem controle ambiental, leva à obesidade grave — a obesidade é a consequência mais marcante da doença, mas não é a característica mais comum ao nascer.
A deficiência intelectual está presente na maioria dos pacientes, mas geralmente é de grau leve a moderado, e não grave como afirma o enunciado — esse é um detalhe que merece atenção, pois a banca pode explorar imprecisões. Outros achados incluem baixa estatura, hipogonadismo (que pode cursar com criptorquidia e genitália ambígua), mãos e pés pequenos, características faciais típicas (fronte estreita, olhos amendoados, boca com cantos voltados para baixo), distúrbios do sono, escoliose e problemas comportamentais.
A questão pede a característica mais comum nesses pacientes, e a alternativa D se destaca por descrever o achado que está presente desde o nascimento e que é universal na SPW. As demais alternativas trazem características que podem ocorrer em outras síndromes ou que não são típicas da SPW. A pegadinha está em associar a SPW à obesidade (que é a consequência mais conhecida) e, por isso, o candidato pode ser tentado a buscar uma alternativa que mencione obesidade — mas nenhuma alternativa traz obesidade como opção, e a alternativa D descreve a fase inicial, que é a mais característica e específica da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação mental imediata entre SPW e obesidade. Como nenhuma alternativa menciona obesidade, o candidato pode se perder. A chave é lembrar que a SPW tem duas fases opostas: a neonatal, com hipotonia e disfagia (baixo peso), e a posterior, com hiperfagia e obesidade. A característica mais comum e precoce é a disfagia com baixo peso ao nascer — é isso que a alternativa D descreve.
NeonatalHipotonia grave
1ª infânciaDisfagia e baixo peso
2-4 anosHiperfagia
TardioObesidade grave
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Diabetes insulino dependente (DM1) não é uma característica da SPW. Embora a obesidade possa levar a resistência insulínica e diabetes tipo 2 em fases avançadas, o diabetes tipo 1 (insulino dependente) é uma doença autoimune sem relação com a SPW. A alternativa confunde a consequência metabólica tardia (DM2 associado à obesidade) com uma doença autoimune distinta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Macroorquidia (testículos aumentados) é característica de outras síndromes genéticas, como a Síndrome do X Frágil. Na SPW, o achado genital é o oposto: hipogonadismo hipogonadotrófico, com criptorquidia, testículos pequenos e genitália hipoplásica. A alternativa troca o achado por um de outra síndrome.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Cardiopatia congênita estrutural não é uma característica comum da SPW. Embora possa haver alterações cardíacas em alguns pacientes, elas não são a manifestação mais frequente. Cardiopatias congênitas são típicas de outras síndromes, como a Síndrome de Down (defeitos do septo atrioventricular) e a Síndrome de Turner (coarctação de aorta). A alternativa atribui à SPW um achado que pertence a outras condições.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A disfagia e o baixo peso ao nascer são as características mais comuns e precoces da SPW, presentes em praticamente todos os pacientes. A hipotonia neonatal grave compromete a sucção e a deglutição, levando a dificuldades alimentares que frequentemente exigem sonda nasogástrica. Esse é o achado que define a fase inicial da doença e é universal, enquanto a obesidade é uma consequência tardia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Hiperpigmentação ocular não é uma característica da SPW. Esse achado é típico de outras condições, como a Síndrome de McCune-Albright (manchas café-com-leite) ou a neurofibromatose. Na SPW, não há alterações de pigmentação ocular como manifestação clínica relevante. A alternativa traz um achado de outra síndrome genética.
Gabarito: letra D — a disfagia e o baixo peso ao nascer são a característica mais comum na Síndrome de Prader-Willi, refletindo a hipotonia neonatal que compromete a alimentação.