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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg064428
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Genética Médica
A triagem neonatal pública não inclui a deficiência de G6PD entre as doenças testadas, porém este é um teste muito realizado na triagem privada. A incidência populacional desta doença é alta, e geralmente causa angústia importante nos pais.

Em relação à deficiência de G6PD, assinale a afirmativa correta.
  1. AOs pacientes com variantes de Classe V OMS são extremamente suscetíveis à hemólise.
  2. BO alelo G6PD B não demanda tratamento.
  3. CO alelo G6PD A+ representa uma forma com maior risco de hemólise.
  4. DO alelo G6PD A- não demanda tratamento.
  5. EO alelo G6PD Mediterrâneo é muito comum, por representar uma forma atenuada da doença.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O alelo G6PD B não demanda tratamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deficiência de G6PD: variantes alélicas e risco de hemólise

Gabarito: letra B. O alelo G6PD B é a variante selvagem (normal) da enzima, presente na maioria da população, e por isso não demanda tratamento — é a única afirmativa correta. As demais alternativas confundem as variantes: a Classe V da OMS é a que tem atividade enzimática normal (sem hemólise), o alelo A+ é uma variante benigna comum em africanos, o A- é a forma deficiente (com risco de hemólise) e o Mediterrâneo é uma variante grave, não atenuada.

A deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) é a enzimopatia eritrocitária mais comum no mundo, com herança ligada ao cromossomo X — por isso afeta predominantemente homens. A enzima G6PD é a primeira da via das pentoses-fosfato, responsável por gerar NADPH, que protege a hemácia contra o estresse oxidativo. Quando há deficiência, a hemácia fica vulnerável a agentes oxidantes (fármacos, infecções, favas), levando à hemólise aguda com formação de corpúsculos de Heinz e hemácias "mordidas" no esfregaço.

A classificação da OMS divide as variantes em cinco classes, conforme a atividade enzimática residual e a gravidade clínica:

Classe OMS

Atividade enzimática

Risco de hemólise

Classe I

Muito baixa (deficiência crônica)

Anemia hemolítica crônica não esferocítica

Classe II

< 10% (deficiência grave)

Hemólise aguda grave (ex.: Mediterrâneo)

Classe III

10–60% (deficiência moderada)

Hemólise aguda leve a moderada (ex.: A-)

Classe IV

Normal (variante benigna)

Sem hemólise (ex.: B, A+)

Classe V

Atividade aumentada

Sem hemólise

As variantes mais relevantes na prática clínica são:

  • G6PD B: variante selvagem (normal), presente em ~70% da população mundial. Não causa doença e não demanda tratamento.

  • G6PD A+: variante benigna comum em africanos, com atividade enzimática normal (Classe IV). Sem risco de hemólise.

  • G6PD A-: variante deficiente comum em africanos (Classe III), com hemólise geralmente leve a moderada, desencadeada por estresse oxidativo.

  • G6PD Mediterrâneo: variante grave (Classe II), comum na região do Mediterrâneo, com hemólise aguda severa, inclusive com favismo.

A pegadinha da questão está em inverter a gravidade das variantes: o candidato que não domina a classificação pode achar que "A+" é uma forma de risco (por causa do sinal "+") ou que o Mediterrâneo é atenuado (por ser comum). Na verdade, o sinal "+" indica atividade enzimática normal, e a alta prevalência do Mediterrâneo se deve à proteção contra malária, não a uma forma branda.

Guarde a fronteira entre variante normal (B, A+) e variante deficiente (A-, Mediterrâneo): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que variantes de Classe V da OMS são extremamente suscetíveis à hemólise. É o inverso: a Classe V é a que apresenta atividade enzimática aumentada, portanto sem risco de hemólise. A suscetibilidade extrema à hemólise é típica das Classes I e II (deficiência grave).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O alelo G6PD B é a variante selvagem (normal) da enzima, presente na maioria da população mundial. Por ter atividade enzimática normal, não causa hemólise nem demanda tratamento. É a única afirmativa correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o alelo G6PD A+ representa maior risco de hemólise. O sinal "+" indica atividade enzimática normal — é uma variante benigna (Classe IV), comum em africanos, sem risco de hemólise. O risco estaria no alelo A- (deficiente).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o alelo G6PD A- não demanda tratamento. O A- é uma variante deficiente (Classe III), com risco de hemólise aguda diante de estresse oxidativo (fármacos, infecções, favas). Embora a hemólise seja geralmente leve a moderada, o paciente precisa de orientação para evitar agentes oxidantes — ou seja, demanda manejo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o alelo G6PD Mediterrâneo é muito comum por ser uma forma atenuada. É o oposto: o Mediterrâneo é uma variante grave (Classe II), com hemólise aguda severa e favismo. Sua alta prevalência em regiões mediterrâneas se deve à proteção contra malária (vantagem seletiva), não a uma forma branda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre variantes normais e deficientes. O candidato pode achar que "A+" é perigoso (pelo sinal "+") ou que o Mediterrâneo é brando (por ser comum). Lembre-se: B e A+ são normais; A- e Mediterrâneo são deficientes — e a prevalência do Mediterrâneo é vantagem seletiva contra malária, não forma atenuada.

Gabarito: letra B — o alelo G6PD B é a variante selvagem, sem necessidade de tratamento.

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