Considere uma mulher de 38 anos, com amenorreia secundária por mais de 12 meses, já com exclusão de uma gravidez.Para o caso, assinale a opção que indica o teste correto.
ACariótipo 45, X.
BRessonância nuclear de pelve com agenesia ovariana bilateral.
CCariótipo 46, XY, com insensibilidade androgênica total.
DSequenciamento do gene CYP21A2 com duas variantes patogênicas.
EPCR para X-Frágil com um alelo com 38 repetições e um alelo com 120 repetições.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — PCR para X-Frágil com um alelo com 38 repetições e um alelo com 120 repetições.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Amenorreia secundária e diagnóstico genético
Gabarito: letra E. Em uma mulher de 38 anos com amenorreia secundária (>12 meses), após exclusão de gravidez, o teste mais adequado entre as opções é a PCR para X-Frágil, pois a presença de um alelo com 120 repetições (pré-mutação) é uma causa genética estabelecida de insuficiência ovariana precoce (FOP), que se manifesta como amenorreia secundária. As demais alternativas descrevem condições que cursam tipicamente com amenorreia primária ou não se aplicam ao quadro.
A amenorreia secundária é definida como a ausência de menstruação por três ciclos em mulheres que já apresentaram fluxo menstrual espontâneo, ou por seis meses em mulheres com ciclos irregulares. Na paciente de 38 anos, a causa mais comum seria a transição para a menopausa, mas a exclusão de gravidez é o primeiro passo. A investigação etiológica segue o eixo hipotálamo-hipófise-ovário-útero, e exames iniciais incluem FSH, TSH e prolactina. Quando esses são normais, causas genéticas como a pré-mutação do X-Frágil devem ser consideradas, especialmente em mulheres jovens com FOP.
A pré-mutação do gene FMR1 (55 a 200 repetições CGG) é uma causa bem documentada de insuficiência ovariana precoce, também chamada de falência ovariana prematura. Mulheres portadoras podem apresentar amenorreia secundária antes dos 40 anos, com elevação do FSH e sintomas de deficiência estrogênica. O diagnóstico é feito por PCR para X-Frágil, que quantifica o número de repetições. Um alelo com 120 repetições caracteriza a pré-mutação, enquanto alelos com mais de 200 repetições configuram a mutação completa (síndrome do X-Frágil).
As demais alternativas representam causas de amenorreia primária ou condições que não se encaixam no quadro clínico descrito. A síndrome de Turner (45,X) e a insensibilidade androgênica total (46,XY) manifestam-se desde a puberdade, com ausência de menarca. A agenesia ovariana bilateral é uma malformação congênita rara, também associada à amenorreia primária. A hiperplasia adrenal congênita (CYP21A2) cursa com virilização e distúrbios menstruais, mas não é a primeira hipótese em uma mulher de 38 anos com amenorreia secundária isolada.
A distinção crucial é entre amenorreia primária e secundária. A primária ocorre em meninas que nunca menstruaram, enquanto a secundária ocorre em mulheres que já tiveram ciclos. As causas genéticas de amenorreia primária (Turner, Morris, disgenesia gonadal) não explicam uma mulher de 38 anos que menstruava normalmente até recentemente. A pré-mutação do X-Frágil, por outro lado, é uma causa reconhecida de FOP, que se apresenta como amenorreia secundária. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O cariótipo 45,X é característico da síndrome de Turner, uma disgenesia gonadal que se manifesta como amenorreia primária, com ausência de menarca e estigmas clássicos (baixa estatura, pescoço alado). A paciente do caso já menstruou (amenorreia secundária), o que exclui essa hipótese. O cariótipo 45,X não é o teste indicado para investigar amenorreia secundária em mulher de 38 anos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A agenesia ovariana bilateral é uma condição congênita rara, geralmente associada a amenorreia primária e ausência de desenvolvimento puberal. A ressonância nuclear de pelve poderia ser útil para avaliar a anatomia pélvica, mas não é o teste de primeira linha para amenorreia secundária em uma mulher de 38 anos, cuja causa mais provável é funcional ou genética (FOP). Além disso, a agenesia ovariana bilateral não é uma causa comum de amenorreia secundária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O cariótipo 46,XY com insensibilidade androgênica total (síndrome de Morris) é uma causa de amenorreia primária, caracterizada por fenótipo feminino, ausência de útero e vagina curta. A paciente do caso já menstruou, o que exclui essa condição. A insensibilidade androgênica total não se manifesta como amenorreia secundária em uma mulher de 38 anos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O sequenciamento do gene CYP21A2 é indicado para diagnóstico de hiperplasia adrenal congênita, que cursa com virilização, hirsutismo e distúrbios menstruais, mas não é a primeira hipótese para amenorreia secundária isolada em mulher de 38 anos. A hiperplasia adrenal congênita clássica manifesta-se na infância, e a forma não clássica pode causar irregularidade menstrual, mas não é o teste mais adequado para o quadro descrito, sem outros sinais de hiperandrogenismo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A PCR para X-Frágil é o teste correto, pois a presença de um alelo com 120 repetições (pré-mutação) é uma causa estabelecida de insuficiência ovariana precoce (FOP), que se manifesta como amenorreia secundária em mulheres com menos de 40 anos. A pré-mutação do gene FMR1 (55-200 repetições CGG) é uma das causas genéticas mais comuns de FOP. O alelo com 38 repetições é normal, mas o alelo com 120 repetições confirma o diagnóstico. A PCR para X-Frágil é o exame indicado para quantificar as repetições e diagnosticar a pré-mutação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre amenorreia primária e secundária. As alternativas A, B e C descrevem causas de amenorreia primária (Turner, agenesia ovariana, insensibilidade androgênica), que não se aplicam a uma mulher que já menstruou. A pegadinha está em reconhecer que a pré-mutação do X-Frágil é uma causa de FOP, que se apresenta como amenorreia secundária, e não como primária. Fique atento: a FOP é uma causa comum de amenorreia secundária em mulheres jovens, e o X-Frágil é um teste genético importante nesse contexto.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de amenorreia, primeiro classifique em primária ou secundária. Na secundária, após excluir gravidez, pense em causas funcionais (estresse, SOP, hipotálamo), hiperprolactinemia, tireoidopatias e, em mulheres jovens, insuficiência ovariana precoce. Se a FOP for suspeita, solicite FSH e, se elevado, considere cariótipo e PCR para X-Frágil. A pré-mutação do FMR1 é uma causa genética importante de FOP, e o teste de PCR é o método diagnóstico.