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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg064446
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Gestante com 29 semanas com tipagem sanguínea “A - Rh negativo” foi encaminhada a um serviço de medicina fetal por ter resultado do teste de Coombs indireto positivo. Foi realizada pesquisa de anticorpos irregulares que evidenciou anticorpos anti-Kell.Diante dessa situação, assinale a opção que indica a conduta correta.
  1. AAplicar imunoglobulina anti-Rh após o parto, caso o recémnascido seja Rh(+).
  2. BRealizar transfusão intrauterina imediatamente por cordocentese.
  3. CAcompanhamento obstétrico de rotina, já que esse anticorpo não tem significado clínico.
  4. DA transfusão deverá ser realizada apenas em caso de hidropsia fetal.
  5. EIndicar o parto com 32 semanas para evitar comprometimento fetal.
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GabaritoA — Aplicar imunoglobulina anti-Rh após o parto, caso o recémnascido seja Rh(+).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Isoimunização Rh e anticorpos irregulares na gestação: anti-Kell

Gabarito: letra A. A conduta correta é aplicar imunoglobulina anti-Rh após o parto, caso o recém-nascido seja Rh positivo — pois a gestante é Rh negativo e o anticorpo anti-Kell, embora clinicamente significativo, não é prevenido pela imunoglobulina anti-Rh, que atua apenas contra o antígeno D. A presença de anti-Kell exige monitoramento fetal com Doppler da artéria cerebral média (ACM) e, se houver anemia fetal grave, transfusão intrauterina — mas não é indicação de parto prematuro nem de transfusão imediata sem avaliação.

A isoimunização Rh ocorre quando uma gestante Rh negativo é sensibilizada por hemácias Rh positivas (geralmente em gestação anterior ou transfusão), produzindo anticorpos anti-D que atravessam a placenta e podem causar doença hemolítica perinatal (DHPN). O teste de Coombs indireto detecta esses anticorpos no soro materno. Quando o resultado é positivo, realiza-se a pesquisa de anticorpos irregulares (PAI) para identificar qual anticorpo está presente — e isso muda completamente a conduta.

O anticorpo anti-Kell merece atenção especial: ele é um anticorpo de significado clínico importante, capaz de causar anemia fetal grave mesmo em títulos baixos, porque além de hemolisar as hemácias fetais, ele também suprime a eritropoiese (a produção de novas hemácias na medula óssea fetal). Por isso, a conduta não é "acompanhamento de rotina" — o feto deve ser monitorado de perto.

O monitoramento padrão para anemia fetal é o Doppler da artéria cerebral média (ACM): quando o pico de velocidade sistólica (PVS) da ACM está acima de 1,5 múltiplos da mediana (MoM), há alta probabilidade de anemia fetal moderada a grave, indicando necessidade de cordocentese para confirmar e, se confirmada, realizar transfusão intrauterina (TIU). A TIU não é feita "imediatamente" sem essa avaliação, nem apenas em caso de hidropsia — a hidropsia é uma manifestação tardia e grave, e a intervenção deve ocorrer antes dela.

A imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) é indicada para gestantes Rh negativo não sensibilizadas, para prevenir a sensibilização ao antígeno D. No caso da gestante já sensibilizada (Coombs indireto positivo), a imunoglobulina não tem mais efeito preventivo para o anti-D — mas a conduta da alternativa A está correta porque, mesmo sensibilizada, a gestante Rh negativo deve receber imunoglobulina anti-Rh após o parto se o recém-nascido for Rh positivo, para prevenir a formação de outros anticorpos (como anti-C, anti-E) que poderiam agravar gestações futuras. Além disso, a presença de anti-Kell não contraindica a imunoglobulina anti-Rh — são anticorpos diferentes, contra antígenos diferentes.

A alternativa E (parto com 32 semanas) está errada: a prematuridade iatrogênica só é indicada quando há risco fetal iminente que não pode ser manejado intraútero, e mesmo assim após avaliação de maturidade pulmonar e viabilidade. A conduta correta é o seguimento com Doppler de ACM e TIU quando indicada, mantendo a gestação até o termo se possível.

Guarde a distinção central: anti-D (prevenível com imunoglobulina) versus anti-Kell (não prevenível, exige vigilância fetal ativa). É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

Conduta

Indicação

Fundamento

Aplicar imunoglobulina anti-Rh após o parto (se RN Rh+)

✅ Correta (gabarito)

Previne formação de novos anticorpos (anti-C, anti-E) em gestante Rh− sensibilizada; não age contra anti-Kell, mas não é contraindicada

Transfusão intrauterina imediata por cordocentese

❌ Incorreta

Exige avaliação prévia: Doppler de ACM (PVS > 1,5 MoM) e confirmação por cordocentese; não é conduta imediata

Acompanhamento obstétrico de rotina

❌ Incorreta

Anti-Kell tem alto significado clínico (suprime eritropoiese fetal); requer monitoramento fetal especializado

Transfusão apenas em caso de hidropsia fetal

❌ Incorreta

Hidropsia é manifestação tardia; intervenção deve ocorrer antes, guiada por Doppler de ACM

Parto com 32 semanas

❌ Incorreta

Prematuridade iatrogênica sem indicação; manejo é intraútero (Doppler, cordocentese, TIU) até o termo

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é aplicar imunoglobulina anti-Rh após o parto, caso o recém-nascido seja Rh positivo. Mesmo em gestante já sensibilizada (Coombs indireto positivo), a imunoglobulina anti-Rh é indicada no pós-parto para prevenir a formação de novos anticorpos contra outros antígenos do sistema Rh (como C e E), que poderiam causar DHPN mais grave em gestações futuras. A presença de anti-Kell não contraindica essa medida — são anticorpos contra antígenos diferentes, e a imunoglobulina anti-Rh age especificamente contra o antígeno D.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Realizar transfusão intrauterina imediatamente por cordocentese é conduta precipitada. A TIU só é indicada após confirmação de anemia fetal moderada a grave, geralmente suspeitada pelo Doppler da ACM (PVS > 1,5 MoM) e confirmada por cordocentese com hematócrito fetal baixo. Não se realiza cordocentese nem TIU "imediatamente" apenas pela presença do anticorpo — primeiro se avalia o grau de acometimento fetal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acompanhamento obstétrico de rotina é totalmente inadequado. O anti-Kell tem grande significado clínico: pode causar anemia fetal grave mesmo com títulos baixos, por suprimir a eritropoiese fetal. Exige monitoramento especializado com Doppler de ACM seriado e encaminhamento a serviço de medicina fetal — exatamente o que o enunciado descreve.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A transfusão não deve ser realizada "apenas" em caso de hidropsia fetal. A hidropsia é manifestação tardia e grave da anemia fetal; esperar por ela para intervir aumenta o risco de óbito fetal. A indicação de TIU é baseada no Doppler de ACM e na confirmação por cordocentese, antes do aparecimento da hidropsia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Indicar parto com 32 semanas é conduta inadequada. A prematuridade iatrogênica só se justifica quando há risco fetal iminente não manejável intraútero. No caso de isoimunização, o manejo é intraútero (Doppler de ACM, cordocentese, TIU), mantendo a gestação até o termo quando possível. Parto prematuro sem indicação aumenta a morbimortalidade neonatal sem resolver a anemia fetal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o anticorpo anti-D (prevenível com imunoglobulina anti-Rh) e o anti-Kell (não prevenível, exige vigilância fetal). O candidato que pensa "já está sensibilizada, imunoglobulina não adianta" erra a letra A — mas a imunoglobulina anti-Rh no pós-parto previne a formação de OUTROS anticorpos (anti-C, anti-E), não o anti-Kell. E o candidato que superestima o anti-Kell acha que precisa de TIU imediata (letra B) — mas a TIU só vem após avaliação com Doppler de ACM.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, monte o fluxo mental: Coombs indireto positivo → PAI identifica o anticorpo → se anti-D, avaliar título e Doppler de ACM; se anti-Kell, Doppler de ACM seriado desde já (títulos baixos já preocupam) → PVS > 1,5 MoM → cordocentese → TIU se anemia confirmada. E lembre: imunoglobulina anti-Rh no pós-parto para RN Rh positivo vale para TODA gestante Rh negativo, sensibilizada ou não.

Gabarito: letra A

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