Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg064447
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
A comissão de controle de infecção hospitalar de uma maternidade notou que a incidência de infecção puerperal estava alta. Após análise dos casos, recomendou o uso de antibiótico profilático para determinadas situações.Assinale a opção que apresenta uma dessas situações.
AParto com remoção manual da placenta.
BTodas as gestantes em trabalho de parto.
CQuando constatado líquido amniótico meconial.
DAo realizar episiotomia.
EEm caso de laceração perineal periuretral.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Parto com remoção manual da placenta.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Profilaxia antibiótica no parto: indicações e conduta
Gabarito: letra A. A remoção manual da placenta é uma das situações clássicas em que se indica antibioticoprofilaxia no puerpério, por se tratar de manipulação intrauterina que aumenta o risco de infecção puerperal. As demais alternativas não correspondem a indicações estabelecidas de profilaxia antibiótica de rotina no trabalho de parto.
A infecção puerperal é uma complicação grave que pode ocorrer após o parto, geralmente por ascensão de bactérias do trato genital. A antibioticoprofilaxia tem como objetivo reduzir a incidência dessa infecção em situações de risco aumentado, e não deve ser usada de forma indiscriminada em todas as gestantes. O raciocínio por trás da profilaxia é simples: quando há manipulação ou trauma que rompe as barreiras naturais e aumenta a chance de contaminação bacteriana, a administração de antibiótico antes ou durante o procedimento reduz a carga bacteriana e previne a infecção.
A remoção manual da placenta é um procedimento invasivo que exige a introdução da mão do obstetra na cavidade uterina para descolar e retirar a placenta retida. Essa manipulação pode introduzir bactérias do canal vaginal no útero, que é um sítio altamente vascularizado e propício à proliferação bacteriana. Por isso, a profilaxia antibiótica é recomendada nessa situação, assim como em outras manobras intrauterinas, como a revisão manual da cavidade uterina.
É importante distinguir a profilaxia antibiótica da antibioticoterapia terapêutica. A profilaxia é administrada para prevenir a infecção em um procedimento com risco aumentado, enquanto a terapêutica é usada quando já há infecção estabelecida. No parto, a profilaxia é indicada em situações específicas, como:
Parto com remoção manual da placenta
Parto com laceração de terceiro ou quarto grau (lesão do esfíncter anal ou mucosa retal)
Cesariana (profilaxia pré-operatória com cefazolina)
Rotura prematura de membranas (em alguns protocolos, para prevenir corioamnionite)
Por outro lado, não há indicação de profilaxia antibiótica de rotina para:
Todas as gestantes em trabalho de parto (uso indiscriminado aumenta resistência bacteriana e não traz benefício)
Líquido amniótico meconial (a presença de mecônio não é indicação de profilaxia, a menos que haja outros fatores de risco)
Episiotomia (a episiotomia de rotina não é mais recomendada, e a profilaxia não é indicada apenas por sua realização)
Laceração perineal periuretral (lacerações pequenas e superficiais não requerem profilaxia sistêmica)
A banca explora a confusão entre situações de risco real e situações que parecem de risco, mas não são. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa que menciona líquido amniótico meconial, por associar a presença de mecônio a infecção, mas essa associação não é correta para indicar profilaxia. Da mesma forma, a episiotomia e a laceração periuretral são procedimentos que podem aumentar o risco de infecção local, mas não justificam profilaxia antibiótica sistêmica de rotina.
Guarde o critério: a profilaxia antibiótica no parto é indicada quando há manipulação intrauterina ou lesão de tecidos profundos que aumentam o risco de infecção. A remoção manual da placenta se enquadra perfeitamente nesse critério, enquanto as demais opções não.
Profilaxia antibiótica no parto
1Indicações
Remoção manual da placenta
Laceração de 3º/4º grau
Cesariana
Rotura prematura de membranas
2Não indicada
Todas as gestantes
Líquido amniótico meconial
Episiotomia
Laceração periuretral
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A remoção manual da placenta é uma indicação clássica de antibioticoprofilaxia no puerpério. A manipulação intrauterina para descolamento e extração da placenta retida introduz bactérias do canal de parto na cavidade uterina, aumentando o risco de endometrite e infecção puerperal. A profilaxia antibiótica, geralmente com ampicilina ou cefazolina, é recomendada nessa situação para reduzir a incidência de infecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não se indica antibiótico profilático para todas as gestantes em trabalho de parto. O uso indiscriminado de antibióticos não reduz a incidência de infecção puerperal em gestantes de baixo risco e contribui para o aumento da resistência bacteriana. A profilaxia é reservada para situações de risco aumentado, como a remoção manual da placenta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de líquido amniótico meconial não é, por si só, indicação de antibioticoprofilaxia. O mecônio é um sinal de sofrimento fetal, mas não está associado a um aumento do risco de infecção puerperal que justifique profilaxia de rotina. A conduta diante de líquido meconial é avaliar o bem-estar fetal e, se houver outros fatores de risco, considerar a profilaxia, mas não é uma indicação isolada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A episiotomia, quando realizada, é uma incisão cirúrgica no períneo para ampliar o canal de parto. Embora seja um procedimento que rompe a pele e a mucosa, não há evidência de que a profilaxia antibiótica de rotina reduza a incidência de infecção do sítio cirúrgico nesse contexto. A episiotomia de rotina não é mais recomendada, e a profilaxia não é indicada apenas por sua realização.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A laceração perineal periuretral é uma lesão superficial próxima à uretra, geralmente de primeiro grau. Esse tipo de laceração não aumenta significativamente o risco de infecção puerperal a ponto de justificar antibioticoprofilaxia sistêmica. A conduta é a sutura local e cuidados de higiene, sem necessidade de antibiótico profilático.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato associar líquido amniótico meconial a infecção, mas a presença de mecônio não é indicação de profilaxia antibiótica. A pegadinha está em confundir situações de risco real (remoção manual da placenta) com situações que parecem de risco, mas não são. Fique atento: a profilaxia é indicada quando há manipulação intrauterina ou lesão de tecidos profundos, não em situações isoladas como mecônio ou episiotomia.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de profilaxia antibiótica no parto, memorize as principais indicações: remoção manual da placenta, laceração de 3º/4º grau, cesariana e rotura prematura de membranas. Compare com as situações em que NÃO se indica: todas as gestantes, líquido meconial, episiotomia e lacerações superficiais. Essa distinção é a chave para acertar a questão.