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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg064448
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Uma jovem, de 19 anos, relata que percebeu prurido vulvar, no pequeno lábio direito que depois evoluiu com pequenas bolhas na mesma região.Ao exame ginecológico foram encontradas algumas vesículas agrupadas na face interna do pequeno lábio direito, sem secreção purulenta. Há relato de episódio semelhante, há 8 meses, na mesma localização com regressão espontânea.Nesse caso, assinale a opção que indica a melhor conduta.
  1. AFazer biopsia desta região e após o resultado definir tratamento.
  2. BInternar e iniciar antibioticoterapia venosa com cobertura para clamídia.
  3. CPrescrever aciclovir via oral por cinco dias e observar clinicamente.
  4. DIniciar penicilina G benzatina 2,4 milhões de UI por via intramuscular.
  5. EUsar prednisona 20mg por via oral, uma vez ao dia, até a lesão desaparecer.
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GabaritoC — Prescrever aciclovir via oral por cinco dias e observar clinicamente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Herpes genital: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra C. O quadro clínico — prurido, vesículas agrupadas em base eritematosa no pequeno lábio, com episódio semelhante autorresolutivo há 8 meses — é classicamente compatível com herpes genital recidivante, cuja conduta de primeira linha é aciclovir oral por 5 dias (para recidivas) e acompanhamento clínico. As demais opções propõem tratamentos para outras etiologias (bacteriana, sífilis, autoimune) ou procedimentos desnecessários, sem respaldo para o caso.

O herpes genital é uma infecção viral sexualmente transmissível causada, na maioria dos casos, pelo vírus herpes simples tipo 2 (HSV-2), embora o tipo 1 também possa acometer a região genital. A infecção caracteriza-se por episódios recorrentes de lesões vesiculares agrupadas sobre base eritematosa, que evoluem para pequenas úlceras e crostas, acompanhadas de prurido, ardor ou dor local. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico; exames complementares (como PCR ou sorologia) são reservados para casos atípicos, gestantes ou imunossuprimidos.

A conduta terapêutica depende do tipo de episódio. No primeiro episódio (primoinfecção), o tratamento é mais prolongado: aciclovir 400 mg via oral, 3 vezes ao dia, por 7 a 10 dias. Já nas recidivas (episódios recorrentes), o esquema é mais curto: aciclovir 400 mg via oral, 3 vezes ao dia, por 5 dias. Em pacientes imunossuprimidos, pode-se utilizar aciclovir endovenoso. O tratamento não erradica o vírus, mas reduz a duração e a gravidade dos sintomas e a excreção viral.

A paciente em questão apresenta um quadro típico de recidiva: jovem, com prurido e vesículas agrupadas no pequeno lábio, e história de episódio semelhante autorresolutivo. Não há sinais de infecção bacteriana (sem secreção purulenta), nem elementos para suspeita de sífilis (lesão ulcerada única, indolor) ou de linfogranuloma venéreo (linfadenopatia inguinal). Portanto, a melhor conduta é prescrever aciclovir oral por 5 dias e observar clinicamente, conforme recomendado para recidivas de herpes genital.

A principal pegadinha desta questão é confundir herpes genital com outras ISTs (sífilis, clamídia, linfogranuloma) ou com doenças inflamatórias (como líquen escleroso), levando a tratamentos inadequados. O candidato deve atentar para a descrição típica das vesículas agrupadas e para a história de recorrência, que são a chave do diagnóstico. Além disso, é importante lembrar que biópsia não é indicada para lesões vesiculares típicas de herpes, e que corticoides são contraindicados por piorarem a infecção viral.

Guarde a distinção entre primoinfecção (tratamento mais longo, 7-10 dias) e recidiva (tratamento mais curto, 5 dias): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem, e a questão cobra a recidiva.

  1. 1Diagnóstico clínico (vesículas agrupadas)
  2. 2Recidiva? → aciclovir VO 5 dias
  3. 3Primoinfecção? → aciclovir VO 7-10 dias
  4. 4Observação clínica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A biópsia não é indicada para lesões vesiculares típicas de herpes genital. O diagnóstico é clínico, e a biópsia seria desnecessária e potencialmente traumática. Além disso, a conduta não deve ser adiada aguardando resultado anatomopatológico, pois o tratamento antiviral precoce é benéfico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A internação e a antibioticoterapia venosa com cobertura para clamídia não se justificam. Não há sinais de infecção bacteriana sistêmica nem de linfogranuloma venéreo (que cursaria com linfadenopatia inguinal). O quadro é viral, e o tratamento é ambulatorial, com antiviral oral.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta para recidiva de herpes genital é aciclovir 400 mg via oral, 3 vezes ao dia, por 5 dias, associada a observação clínica. A paciente apresenta quadro típico de recidiva (vesículas agrupadas, prurido, episódio prévio autorresolutivo), e o tratamento antiviral oral encurta a duração dos sintomas e reduz a excreção viral.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A penicilina G benzatina é o tratamento da sífilis, não do herpes genital. A lesão da sífilis primária é uma úlcera única, indolor, de bordas endurecidas, sem vesículas. O quadro descrito (vesículas agrupadas, prurido, recorrência) é incompatível com sífilis, portanto a penicilina não é indicada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A prednisona (corticosteroide) é contraindicada em infecções virais ativas, pois pode piorar a disseminação do vírus e retardar a resolução. Não há indicação de imunossupressão neste caso; o tratamento é antiviral, não anti-inflamatório.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre herpes genital e outras ISTs. A alternativa D (penicilina) tenta atrair quem pensa em sífilis; a B (antibiótico para clamídia) tenta atrair quem pensa em linfogranuloma. Mas o quadro de vesículas agrupadas recorrentes é patognomônico de herpes — e o tratamento é antiviral oral, não antibiótico nem corticoide. Fique atento à descrição das lesões e à história de recorrência.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as ISTs na prova, foque na morfologia da lesão: vesículas agrupadas = herpes; úlcera única indolor = sífilis; pápula/pústula com linfadenopatia = linfogranuloma. E lembre: recidiva de herpes trata com aciclovir 400 mg VO 3x/d por 5 dias; primoinfecção, por 7-10 dias.

Gabarito: letra C — aciclovir oral por 5 dias e observação clínica.

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