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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg064449
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Paciente de 50 anos realiza biopsia uterina com o resultado de câncer de endométrio.Para essa doença, é fator de risco:
  1. Aa idade tardia da menarca.
  2. Bo uso de SIU com levonorgestrel.
  3. Co histórico de múltiplas gestações.
  4. Da síndrome dos ovários policísticos.
  5. Eo uso de anticoncepcionais orais combinados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a síndrome dos ovários policísticos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de endométrio: fatores de risco e o papel do estrogênio

Gabarito: letra D. A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é fator de risco para câncer de endométrio porque causa anovulação crônica e, consequentemente, exposição prolongada do endométrio ao estrogênio sem oposição da progesterona — o mecanismo central da doença, conforme a literatura médica. As demais alternativas ou são protetoras (uso de SIU com levonorgestrel, anticoncepcionais orais combinados, múltiplas gestações) ou não se aplicam (idade tardia da menarca, que reduz a exposição estrogênica).

O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum na América do Norte e na Europa, e sua patogênese está intimamente ligada ao estímulo estrogênico sem a contrapartida da progesterona. O estrogênio promove proliferação das células endometriais; quando não há progesterona para equilibrar essa estimulação (como ocorre nos ciclos anovulatórios), o endométrio fica sob estímulo mitogênico contínuo, favorecendo o surgimento de hiperplasia e, eventualmente, carcinoma. Por isso, tudo o que aumenta a exposição ao estrogênio sem oposição — obesidade, menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, anovulação crônica, uso de estrogênio isolado — é fator de risco. Inversamente, o que reduz essa exposição ou adiciona progesterona — uso de anticoncepcionais orais combinados, gestações, tabagismo — é protetor.

A síndrome dos ovários policísticos se encaixa perfeitamente nesse modelo: a mulher com SOP tem anovulação crônica, ou seja, não ovula e não forma corpo lúteo, logo não produz progesterona na segunda fase do ciclo. O estrogênio, porém, continua sendo produzido (inclusive em níveis elevados pela conversão periférica de androgênios em estrogênio nos adipócitos, já que muitas dessas pacientes são obesas). O resultado é um endométrio cronicamente estimulado por estrogênio sem oposição, o que aumenta o risco de hiperplasia endometrial e câncer. Estudos observacionais, embora com limitações metodológicas, apontam associação entre SOP e câncer de endométrio, e a literatura médica consolidada a reconhece como fator de risco.

Para fixar o raciocínio, vale organizar os fatores em dois grupos opostos:

Mecanismo

Fatores de risco (↑ estrogênio sem oposição)

Fatores protetores (↓ estrogênio ou ↑ progesterona)

Exposição hormonal

Obesidade, menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, anovulação crônica (SOP), reposição de estrogênio isolada, tamoxifeno

Uso de ACO combinado, gestações, tabagismo, uso de progesterona

Condições clínicas

Diabetes melito, hipertensão arterial, síndrome de Lynch

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A pegadinha da questão está em inverter a lógica: a banca oferece como "fator de risco" itens que, na verdade, são protetores (SIU com levonorgestrel, ACO combinado, múltiplas gestações) e um item que reduz a exposição estrogênica (menarca tardia). O candidato que decora listas sem entender o mecanismo hormonal erra. A chave é sempre perguntar: essa condição aumenta ou diminui a exposição do endométrio ao estrogênio sem progesterona?

Câncer de endométrio
  • 1Fatores de risco (↑ estrogênio sem oposição)
    • SOP (anovulação crônica)
    • Obesidade
    • Menarca precoce
    • Nuliparidade
    • Menopausa tardia
  • 2Fatores protetores (↓ estrogênio ou ↑ progesterona)
    • ACO combinado
    • Gestações
    • SIU com levonorgestrel
    • Menarca tardia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A idade tardia da menarca é fator protetor, não de risco. Quanto mais tarde a menarca, menor o tempo total de exposição do endométrio ao estrogênio ao longo da vida. O fator de risco é o oposto: menarca precoce, que prolonga a janela de estimulação estrogênica. A banca trocou o termo "precoce" por "tardia" para confundir.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O SIU (sistema intrauterino) com levonorgestrel é protetor contra o câncer de endométrio. O levonorgestrel é um progestágeno liberado localmente na cavidade uterina, que causa atrofia do endométrio e reduz a proliferação celular. É inclusive utilizado no tratamento de hiperplasia endometrial. Portanto, não é fator de risco, e sim medida preventiva/terapêutica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O histórico de múltiplas gestações é protetor. Durante a gestação, há níveis elevados de progesterona e o endométrio não passa por ciclos de proliferação e descamação; além disso, a nuliparidade (ausência de gestações) é que é fator de risco. A banca inverteu a relação: quem nunca engravidou tem maior exposição estrogênica acumulada e, portanto, maior risco.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome dos ovários policísticos é fator de risco reconhecido. A SOP cursa com anovulação crônica, o que significa ausência de progesterona endógena e estímulo estrogênico contínuo e sem oposição sobre o endométrio. Esse é exatamente o mecanismo fisiopatológico que predispõe à hiperplasia e ao carcinoma endometrial. A literatura médica, incluindo estudos de caso-controle e coortes, documenta essa associação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os anticoncepcionais orais combinados (estrogênio + progestágeno) são protetores. O componente progestagênico promove a diferenciação e descamação regular do endométrio, reduzindo a proliferação. O uso de ACO por 4 anos reduz o risco de carcinoma endometrial em até 50%, e por 12 anos, em até 70%. A banca oferece um método contraceptivo como fator de risco, quando na verdade é uma das principais medidas preventivas.

A regra de ouro para esta questão: fator de risco = exposição prolongada ao estrogênio sem oposição da progesterona. Toda condição que aumenta essa exposição (SOP, obesidade, menarca precoce, nuliparidade) é risco; toda condição que a reduz ou adiciona progesterona (ACO, gestações, SIU com levonorgestrel, menarca tardia) é proteção. Guarde o mecanismo e você acerta qualquer variação da questão.

Gabarito: letra D

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