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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg064450
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Paciente do sexo feminino de 26 anos, que nunca gestou, tabagista procura atendimento com mastite na região subareolar à direita que drenou material purulento espontaneamente. Relata ter tido outros quatro episódios semelhantes no mesmo local nos últimos 18 meses.Quanto a esse diagnóstico analise os itens a seguir.I. Deve ser iniciado tratamento antibiótico com cobertura para aeróbios e anaeróbios.II. Deve se considerar a retirada cirúrgica do sistema ductal acometido.III. A suspensão do tabagismo não está relacionada com a diminuição de novas recidivas.Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BI e II, apenas.
  3. CI e III, apenas.
  4. DII e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — I e II, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abscesso subareolar crônico recidivante (doença de Zuska)

Gabarito: letra B — corretos os itens I e II. O quadro descrito — mastite subareolar de repetição em mulher jovem tabagista, com drenagem espontânea de material purulento — é o abscesso subareolar crônico recidivante, condição em que o tratamento antibiótico com cobertura para aeróbios e anaeróbios é indicado na fase aguda e a excisão cirúrgica do sistema ductal acometido é o tratamento definitivo, sendo a suspensão do tabagismo fundamental para reduzir recidivas.

O abscesso subareolar crônico recidivante, também conhecido como doença de Zuska, é uma condição benigna da mama que acomete tipicamente mulheres jovens, frequentemente tabagistas, e se caracteriza por episódios repetidos de abscesso na região subareolar, com ruptura espontânea e fistulização para o complexo areolomamilar. A fisiopatologia envolve a metaplasia escamosa do epitélio dos ductos subareolares, que leva à obstrução ductal, acúmulo de secreção e infecção secundária. O tabagismo é um fator de risco importante, pois parece induzir a metaplasia escamosa e prejudicar a cicatrização.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de abscessos recorrentes no mesmo local, e o tratamento tem duas vertentes principais. Na fase aguda, com abscesso formado, o manejo inclui drenagem cirúrgica ou aspiração guiada por ultrassom, associada a antibioticoterapia com cobertura para aeróbios e anaeróbios, uma vez que a flora envolvida é mista, incluindo anaeróbios como Bacteroides e Peptostreptococcus, além de estafilococos e estreptococos. O tratamento antibiótico isolado, porém, não é curativo, pois a causa subjacente é a obstrução ductal. Por isso, o tratamento definitivo consiste na excisão cirúrgica completa do sistema ductal acometido e do trajeto fistuloso em bloco, procedimento que remove o ducto doente e impede novas recidivas.

A suspensão do tabagismo é medida fundamental no manejo, pois o tabaco é um dos principais fatores associados à recorrência. Estudos mostram que a taxa de recidiva é significativamente menor em pacientes que param de fumar, e a manutenção do hábito tabágico está diretamente relacionada a novos episódios. Portanto, a afirmativa III, que nega essa relação, está incorreta.

A banca explora a confusão entre o abscesso subareolar crônico recidivante e a mastite lactacional comum. Na mastite puerperal, o tratamento é clínico, com antibióticos antiestafilocócicos e esvaziamento mamário, e a cirurgia raramente é necessária. Já no abscesso subareolar crônico, a cirurgia é o pilar do tratamento, e o tabagismo é um fator de risco central. Guarde essa distinção: é exatamente nela que os itens se dividem.

Abscesso subareolar crônico recidivante
  • 1doença de Zuska
  • 2Perfil
    • Mulher jovem
    • Tabagista
    • Abscessos de repetição na região subareolar
  • 3Fisiopatologia
    • Metaplasia escamosa dos ductos
    • Obstrução ductal
    • Infecção secundária (flora mista)
  • 4Tratamento
    • Fase aguda
      • Drenagem cirúrgica
      • Antibiótico p/ aeróbios e anaeróbios
    • Definitivo
      • Excisão cirúrgica do sistema ductal acometido
  • 5Fatores de risco
    • Tabagismo
    • Suspensão do tabagismo reduz recidivas
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Item I — ✅ Correto

O tratamento antibiótico com cobertura para aeróbios e anaeróbios é indicado na fase aguda do abscesso subareolar crônico recidivante. A infecção é polimicrobiana, envolvendo bactérias aeróbias (como Staphylococcus aureus e Streptococcus spp.) e anaeróbias (como Bacteroides e Peptostreptococcus), o que justifica o uso de esquemas como amoxicilina-clavulanato ou clindamicina associada a cefalosporina. O antibiótico, porém, não substitui a drenagem nem a cirurgia definitiva — ele trata a infecção aguda, mas não a causa obstrutiva.

Item II — ✅ Correto

A retirada cirúrgica do sistema ductal acometido é o tratamento definitivo do abscesso subareolar crônico recidivante. A excisão completa dos ductos afetados e do trajeto fistuloso em bloco é necessária para eliminar a causa da recidiva, pois a metaplasia escamosa e a obstrução ductal persistem mesmo após a resolução do episódio agudo. Apesar da técnica cirúrgica adequada, a taxa de recidiva é de quase 50%, o que reforça a importância da abordagem completa e do controle dos fatores de risco.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa está errada ao negar a relação entre tabagismo e recidiva. O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e a recorrência do abscesso subareolar crônico, e a suspensão do hábito está diretamente associada à diminuição de novas recidivas. A banca inverte o sentido da relação causal: em vez de afirmar que parar de fumar reduz recidivas, afirma o contrário.

Conclusão: corretos os itens I e II → portanto a alternativa é a letra B.

Gabarito: letra B

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