Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg064452
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Gestante com 12 semanas realiza ultrassonografia morfológica de 1º trimestre sendo encontrado feto sem alterações aparentes.Ao avaliar as regiões anexiais foi visualizado ovário direito com nódulo misto com áreas hiperecogênicas difusas, compatível com cisto dermoide.A recomendação para essa paciente é
Aabortamento terapêutico.
Bquimioterapia com monitorização fetal.
Chisterectomia com anexectomia bilateral.
Dacompanhamento clínico e ultrassonográfico.
Eparto assim que feto alcançar viabilidade.
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GabaritoD — acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
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Cisto dermoide na gestação: conduta expectante
Gabarito: letra D. O cisto dermoide (teratoma cístico maduro) é a neoplasia ovariana benigna mais comum na gestação; na ausência de complicações (torção, ruptura, crescimento acelerado ou suspeita de malignidade), a conduta é acompanhamento clínico e ultrassonográfico, com avaliação cirúrgica eletiva após o parto, se necessário. As demais alternativas propõem intervenções agressivas ou inadequadas para um achado benigno e assintomático.
O cisto dermoide, também chamado de teratoma cístico maduro, é um tumor de células germinativas composto por tecidos maduros derivados de mais de um folheto embrionário — frequentemente contém pele, pelos, glândulas sebáceas e, por vezes, tecido ósseo ou dentário. Esses componentes explicam o aspecto ultrassonográfico descrito no enunciado: nódulo misto com áreas hiperecogênicas difusas, que correspondem à gordura e aos pelos dentro do cisto. É a neoplasia ovariana benigna mais comum em mulheres em idade reprodutiva e, por isso, é um achado relativamente frequente na ultrassonografia obstétrica de primeiro trimestre.
A grande maioria dos cistos dermoides é assintomática e não interfere na evolução da gestação. O risco de malignização é extremamente baixo (menor que 2%, e ainda menor em mulheres jovens). As complicações mais temidas são a torção ovariana e a ruptura, mas ambas são eventos agudos que se manifestam com dor abdominal intensa — não é o caso descrito, em que o feto está sem alterações e o cisto é um achado incidental. O crescimento do cisto durante a gestação costuma ser lento e, na maioria das vezes, não compromete o desenvolvimento fetal.
A conduta obstétrica diante de um cisto anexial benigno e assintomático na gestação é conservadora: acompanhamento clínico e ultrassonográfico seriado. A cirurgia, quando indicada, é geralmente adiada para o pós-parto, pois a abordagem durante a gestação — mesmo que minimamente invasiva — carrega riscos anestésicos e obstétricos que não se justificam para uma lesão benigna e estável. A exceção seria a presença de complicações (torção, ruptura, suspeita de malignidade, crescimento rápido ou dor refratária), situações em que a cirurgia pode ser considerada, preferencialmente no segundo trimestre, quando o risco de abortamento é menor.
A pegadinha desta questão está em associar qualquer "nódulo" a malignidade e, consequentemente, a tratamentos agressivos como quimioterapia ou histerectomia. O cisto dermoide é benigno por definição, e o termo "áreas hiperecogênicas difusas" é a pista ultrassonográfica clássica do conteúdo sebáceo e piloso — não um sinal de malignidade. A banca testa exatamente o conhecimento de que a conduta diante de um achado benigno e assintomático é a observação, não a intervenção.
Guarde o critério que separa as alternativas: benignidade + ausência de complicações = conduta expectante. É esse binômio que torna a letra D a única correta e descarta todas as demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O abortamento terapêutico é indicado em situações de risco de vida materno ou de doença fetal incompatível com a vida extrauterina. Um cisto dermoide benigno e assintomático não representa nenhuma dessas condições — não há indicação de interromper a gestação. A alternativa confunde um achado anexial incidental com uma condição que ameace a gestação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Quimioterapia é tratamento para neoplasias malignas. O cisto dermoide é um tumor benigno, com risco de malignização ínfimo, e não há evidência de doença maligna no caso descrito. Além disso, quimioterapia na gestação só é considerada em situações oncológicas específicas, com monitorização fetal rigorosa — cenário completamente diverso do apresentado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Histerectomia com anexectomia bilateral é uma cirurgia radical, mutiladora e absolutamente desproporcional para um cisto benigno em uma mulher jovem e gestante. Não há indicação de retirada do útero nem dos ovários. A conduta cirúrgica, quando necessária, seria a cistectomia (retirada apenas do cisto) ou a ooforectomia unilateral, e mesmo assim adiada para o pós-parto na ausência de complicações.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é o acompanhamento clínico e ultrassonográfico. O cisto dermoide é benigno, assintomático e não interfere na gestação; a maioria permanece estável ou cresce lentamente. A vigilância permite detectar precocemente qualquer complicação (torção, crescimento acelerado) e a cirurgia, se indicada, é programada para o pós-parto. Esta é a conduta baseada em evidências e recomendada pelas diretrizes de ginecologia e obstetrícia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Antecipar o parto assim que o feto alcançar viabilidade é uma conduta sem fundamento. O cisto dermoide não é indicação de prematuridade iatrogênica. O parto deve ocorrer a termo, pelas vias habituais, e o cisto será abordado após o nascimento, se necessário. A alternativa sugere uma intervenção obstétrica desnecessária e prejudicial ao recém-nascido.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, diante de um achado anexial na gestação, pergunte-se: é benigno? é assintomático? Se sim, a resposta quase sempre será "acompanhamento". Intervenções agressivas (quimioterapia, histerectomia, abortamento) só aparecem em cenários de malignidade ou complicação aguda — que não é o caso do cisto dermoide.
Gabarito: letra D — acompanhamento clínico e ultrassonográfico.