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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg064455
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologia e Obstetrícia
Uma criança do sexo feminino com 6 anos de idade é levada ao consultório de ginecologia por surgimento do broto mamário unilateral á direita há nove meses. Ao exame físico foi constatado estágio II de Tanner na mama direita e estágio I à esquerda. Não foram encontrados pelos pubianos ou axilares.Assinale a opção que indica a melhor conduta para esse caso.
  1. AFazer a retirada cirúrgica completa do broto pelo risco de evolução para câncer de mama.
  2. BIniciar análogo de GnRH para não prejudicar a estatura final da criança.
  3. CFazer seguimento atentando para possível surgimento de outras manifestações puberais.
  4. DPrescrever cabergolina por via oral para suspensão do estímulo mamário.
  5. EAnalisar a dosagem sérica de FSH, LH, testosterona e prolactina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Fazer seguimento atentando para possível surgimento de outras manifestações puberais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Telarca precoce isolada: conduta expectante

Gabarito: letra C. O quadro descrito — broto mamário unilateral em menina de 6 anos, sem outros sinais puberais — é a apresentação clássica da telarca precoce isolada, uma variante benigna e autolimitada do desenvolvimento puberal. A conduta correta é o seguimento clínico, atentando para o surgimento de outras manifestações puberais, sem necessidade de exames complementares ou intervenção medicamentosa imediata.

A telarca precoce isolada é o desenvolvimento mamário isolado antes dos 8 anos, sem outros sinais de puberdade (pelos pubianos, aceleração da velocidade de crescimento, menarca). É uma condição benigna, geralmente autolimitada, que não compromete a estatura final nem a fertilidade. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, e a conduta é expectante, com reavaliações periódicas.

O ponto-chave é diferenciar a telarca precoce isolada da puberdade precoce verdadeira (central), que exige investigação e tratamento. Na puberdade precoce, há progressão ordenada dos estágios de Tanner, com surgimento de pelos pubianos, aceleração do crescimento e avanço da idade óssea. Na telarca isolada, o broto mamário pode ser unilateral ou bilateral, permanecer estacionário ou até regredir, sem outros sinais puberais.

A avaliação inicial deve incluir história clínica detalhada (idade de início, progressão, uso de medicamentos, exposição a estrógenos exógenos) e exame físico completo, com estadiamento de Tanner. A idade óssea pode ser solicitada se houver dúvida diagnóstica, mas não é obrigatória na apresentação típica. Exames hormonais (FSH, LH, estradiol) e de imagem (USG pélvica, RNM de crânio) são reservados para casos com sinais de progressão ou suspeita de puberdade precoce verdadeira.

A conduta expectante é segura porque a telarca precoce isolada não evolui para puberdade precoce na maioria dos casos, não afeta a estatura final e não aumenta o risco de câncer de mama. O seguimento deve ser feito a cada 3-6 meses, avaliando a progressão dos caracteres sexuais secundários e a velocidade de crescimento. Se houver progressão para outros estágios de Tanner ou surgimento de outros sinais puberais, a investigação deve ser ampliada.

A alternativa C é a única que reflete essa conduta expectante e vigilante, sem intervenções desnecessárias. As demais alternativas propõem condutas agressivas ou exames desnecessários, que não se justificam na telarca precoce isolada típica.

Telarca precoce isolada
  • 1Definição
    • Broto mamário antes dos 8 anos
    • Sem outros sinais puberais
  • 2Características
    • Benigna e autolimitada
    • Pode ser unilateral
    • Não afeta estatura final
  • 3Conduta
    • Seguimento clínico (3-6 meses)
    • Observar progressão puberal
    • Sem exames complementares
    • Sem intervenção medicamentosa
  • 4Diagnóstico diferencial
    • Puberdade precoce verdadeira
      • Progressão ordenada de Tanner
      • Pelos pubianos e aceleração
      • Idade óssea avançada
      • Exige investigação + análogo GnRH
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A retirada cirúrgica do broto mamário é absolutamente contraindicada neste caso. O broto mamário na telarca precoce é tecido mamário normal em desenvolvimento, não uma lesão neoplásica. O risco de câncer de mama em crianças é ínfimo, e a cirurgia causaria dano desnecessário ao tecido mamário em desenvolvimento, podendo comprometer o desenvolvimento futuro da mama. A conduta cirúrgica só se justificaria diante de uma lesão suspeita, o que não é o caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O análogo de GnRH é o tratamento da puberdade precoce central, não da telarca precoce isolada. Na telarca isolada, não há ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, e o uso de análogo de GnRH seria ineficaz e desnecessário. Além disso, a telarca precoce isolada não compromete a estatura final, pois não há aceleração da velocidade de crescimento nem avanço da idade óssea. O tratamento com análogo de GnRH só está indicado quando há puberdade precoce verdadeira com comprometimento da estatura final.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta. O seguimento clínico periódico é a abordagem recomendada para a telarca precoce isolada. O médico deve reavaliar a criança a cada 3-6 meses, verificando a progressão dos caracteres sexuais secundários, a velocidade de crescimento e o surgimento de outros sinais puberais. Se houver progressão para puberdade precoce verdadeira, a investigação e o tratamento devem ser iniciados. Na maioria dos casos, o broto mamário permanece estacionário ou regride espontaneamente, sem necessidade de qualquer intervenção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cabergolina é um agonista dopaminérgico usado no tratamento de hiperprolactinemia (prolactinomas), não na telarca precoce. Não há evidência de hiperprolactinemia na telarca precoce isolada, e o uso de cabergolina seria ineficaz e potencialmente prejudicial. A telarca precoce isolada não é causada por excesso de prolactina, mas sim por uma sensibilidade aumentada do tecido mamário a níveis baixos de estrogênio circulante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dosagem de FSH, LH, testosterona e prolactina não está indicada na apresentação típica de telarca precoce isolada. Esses exames são reservados para casos com suspeita de puberdade precoce verdadeira ou outras endocrinopatias. Na telarca isolada, os níveis hormonais são normais para a idade, e a solicitação de exames seria desnecessária, gerando ansiedade e custos. A investigação hormonal deve ser feita apenas se houver progressão dos sinais puberais ou outros achados sugestivos de puberdade precoce.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre telarca precoce isolada (benigna, conduta expectante) e puberdade precoce verdadeira (que exige investigação e tratamento com análogo de GnRH). O candidato que não domina essa distinção tende a optar pela alternativa B (análogo de GnRH) ou pela E (dosagens hormonais), que seriam condutas adequadas apenas na puberdade precoce verdadeira. A chave é identificar a ausência de outros sinais puberais (pelos pubianos, aceleração do crescimento) e a idade da criança (6 anos), que tornam o diagnóstico de telarca isolada o mais provável.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, lembre-se: telarca precoce isolada = seguimento; puberdade precoce verdadeira = investigação + análogo de GnRH. A presença de apenas um sinal puberal (broto mamário) sem progressão e sem outros sinais aponta para a variante benigna. Se houver dúvida, a idade óssea pode ajudar: na telarca isolada, ela é compatível com a idade cronológica; na puberdade precoce, está avançada.

Gabarito: letra C

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