Em relação ao prognóstico da leucemia linfoblástica aguda do adulto, assinale a afirmativa correta.
AMais de 50% dos pacientes apresentam sobrevida livre de doença superior a 5 anos.
BPacientes que também expressam antígenos mieloides têm um prognóstico mais favorável.
CTranslocações t(9;22) e t(4;11) não são critérios de mau prognóstico.
DPrimeira remissão completa dentro de 4 meses do início do tratamento é um critério para baixo risco.
ELeucometria abaixo de 50.000 por microlitro é considerada critério de baixo risco.
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GabaritoD — Primeira remissão completa dentro de 4 meses do início do tratamento é um critério para baixo risco.
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Prognóstico da leucemia linfoblástica aguda (LLA) do adulto
Gabarito: letra D. A afirmativa correta é a que aponta a obtenção da primeira remissão completa dentro de 4 meses do início do tratamento como critério de baixo risco — o tempo para alcançar a remissão é um dos fatores prognósticos clássicos na LLA, sendo o retardo ou a falha em obtê-la marcadores de pior evolução. As demais alternativas distorcem os critérios estabelecidos: a sobrevida livre de doença em adultos é bem inferior a 50%, a expressão de antígenos mieloides (LLA bilinear/bifenotípica) confere pior prognóstico, as translocações t(9;22) e t(4;11) são justamente fatores de alto risco, e a leucometria considerada de baixo risco é abaixo de 30.000/μL (não 50.000/μL).
A leucemia linfoblástica aguda é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de precursores linfoides (linfoblastos) na medula óssea, com consequente insuficiência medular. O prognóstico do paciente adulto é determinado por uma combinação de fatores clínicos, laboratoriais e genéticos, que orientam a estratificação de risco e a escolha terapêutica — desde quimioterapia convencional até transplante de células-tronco hematopoéticas em casos de alto risco.
Entre os fatores prognósticos mais importantes na LLA estão: idade (faixa favorável de 2 a 10 anos; desfavorável abaixo de 2 ou acima de 10 anos), contagem de leucócitos ao diagnóstico (favorável < 30.000/μL; desfavorável > 50.000/μL), fenótipo imunológico (precursor B mais favorável que precursor T), alterações citogenéticas e moleculares, presença de doença no sistema nervoso central, e o tempo para obtenção da remissão completa. A remissão completa é definida pela ausência de blastos no sangue periférico, medula óssea com menos de 5% de blastos e recuperação das contagens sanguíneas.
O tempo para atingir a remissão completa é um critério prognóstico consolidado: quanto mais rápido o paciente entra em remissão, melhor a sobrevida. Na LLA, a remissão completa costuma ser alcançada após a quimioterapia de indução, e a obtenção da primeira remissão completa dentro de 4 meses é considerada um fator de bom prognóstico (baixo risco). Por outro lado, o tempo prolongado para a remissão ou a incapacidade de obtê-la são fatores desfavoráveis, associados a maior risco de recidiva e menor sobrevida.
É importante distinguir os critérios prognósticos da LLA dos da leucemia mieloide aguda (LMA), pois há sobreposição de alguns conceitos, mas diferenças cruciais. Na LMA, por exemplo, a classificação prognóstica citogenética/molecular inclui alterações como t(8;21), inv(16) e NPM1 mutado como favoráveis, e t(9;22), t(6;9) e TP53 mutado como adversas. Já na LLA, as translocações t(9;22) (cromossomo Filadélfia) e t(4;11) (rearranjo MLL/KMT2A) são reconhecidamente de mau prognóstico. A banca explora justamente essa confusão entre os dois tipos de leucemia aguda.
A pegadinha central desta questão está na inversão dos critérios: o candidato que memoriza os fatores prognósticos da LMA pode se confundir com os da LLA, especialmente em relação à leucometria e às translocações. Na LLA, a leucometria de baixo risco é < 30.000/μL, e não 50.000/μL (este valor é o ponto de corte para alto risco). Além disso, a expressão de antígenos mieloides (LLA com fenótipo misto) é um fator de pior prognóstico, não favorável. A alternativa D, ao contrário, reflete corretamente o critério de tempo para remissão, que é um dos pilares da estratificação de risco.
Guarde a fronteira entre os fatores favoráveis e desfavoráveis na LLA: é exatamente nela que as alternativas se dividem — cada distrator troca um critério de mau prognóstico por um de bom, ou inverte o ponto de corte.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que mais de 50% dos pacientes adultos com LLA apresentam sobrevida livre de doença superior a 5 anos. Isso é falso: a sobrevida a longo prazo em adultos é de aproximadamente 30 a 40%, bem inferior aos 90% observados em crianças. A taxa de remissão completa em adultos é de cerca de 85%, mas a maioria dos pacientes acaba recidivando, e a sobrevida livre de doença em 5 anos fica abaixo de 50%. O erro está em superestimar o prognóstico do adulto, que é significativamente pior que o da criança.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que pacientes com LLA que também expressam antígenos mieloides têm prognóstico mais favorável. Na verdade, a expressão de antígenos mieloides em blastos linfoides (LLA bilinear ou bifenotípica) confere pior prognóstico, pois indica uma doença mais agressiva e com maior resistência à quimioterapia. O fenótipo precursor B é o mais favorável; o precursor T tem prognóstico intermediário, e a presença de marcadores mieloides piora a evolução. A alternativa inverte o sentido do fator prognóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que as translocações t(9;22) e t(4;11) não são critérios de mau prognóstico. Isso é flagrantemente errado: a t(9;22) (cromossomo Filadélfia, BCR-ABL1) e a t(4;11) (rearranjo MLL/KMT2A) são justamente os exemplos clássicos de alterações citogenéticas de alto risco na LLA. A t(9;22) está associada a maior risco de recidiva e menor sobrevida, embora o uso de inibidores de tirosina quinase tenha melhorado o desfecho. A t(4;11) é frequente em lactentes e confere prognóstico muito reservado. A alternativa nega o que a literatura estabelece como fator adverso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A obtenção da primeira remissão completa dentro de 4 meses do início do tratamento é, de fato, um critério de baixo risco na LLA. O tempo para a remissão é um dos fatores prognósticos mais importantes: remissão rápida (em torno de 4 semanas a 4 meses) indica doença quimiossensível e melhor sobrevida; já o retardo na obtenção da remissão ou a falha em alcançá-la são marcadores de doença refratária e pior prognóstico. Essa é a definição clássica de fator favorável, e a alternativa a reproduz corretamente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que leucometria abaixo de 50.000/μL é critério de baixo risco. O ponto de corte correto na LLA é: leucometria < 30.000/μL é fator favorável; > 50.000/μL é fator desfavorável. O valor de 50.000/μL é o limiar para alto risco, não para baixo risco. A alternativa troca o ponto de corte, fazendo parecer que valores abaixo de 50.000/μL (que incluem a faixa de 30.000 a 50.000/μL, considerada de risco intermediário) seriam todos de baixo risco. O erro está na imprecisão do número.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os critérios prognósticos entre LLA e LMA, e também trocar os pontos de corte. Aqui, a alternativa E usa 50.000/μL como se fosse o limite para baixo risco, quando na verdade é o limite para alto risco (o correto para baixo risco é < 30.000/μL). A alternativa C nega que t(9;22) e t(4;11) sejam de mau prognóstico, quando são justamente os exemplos mais cobrados de alterações adversas. Fique atento: na LLA, o tempo para remissão é um fator favorável quando curto — e é exatamente isso que a alternativa D afirma. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.