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Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2023

MedicinaHematologia
Código
fg064470
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Hematologia e Hemoterapia
Criança de 2 anos de idade, sexo masculino, portadora de hemofilia A grave, vinha em tratamento profilático com fator VIII de origem plasmática.Como começou a apresentar episódios de hemartrose, foi feita a pesquisa de inibidor de fator VIII, que foi positiva, com um título de 400 Unidades Bethesda (UB). Foi tentado tratamento de imunotolerância, com o uso de concentrados de fator VIII de origem plasmática para supressão do anticorpo anti-fator VIII, por 6 meses, sem sucesso, já que o título de inibidor subiu para 580 UB.Segundo as diretrizes clínicas e protocolos do Ministério da Saúde, assinale a opção que corresponde ao tratamento de escolha para esta criança.
  1. ATratamento profilático, com emicizumabe.
  2. BNovo ciclo de imunotolerância com fator VIII recombinante de longa duração.
  3. CTratamento de demanda, com uso de complexo protrombínico parcialmente ativado.
  4. DTerapia genética.
  5. ETratamento profilático com o uso de concentrado de fator VII recombinante e ativado.
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GabaritoA — Tratamento profilático, com emicizumabe.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemofilia A com inibidor de alto título: tratamento de escolha

Gabarito: letra A. Em criança com hemofilia A grave e inibidor de alto título (400 UB, que subiu para 580 UB após imunotolerância sem sucesso), o tratamento de escolha segundo as diretrizes do Ministério da Saúde é a profilaxia com emicizumabe — anticorpo biespecífico que mimetiza a função do fator VIII, não é neutralizado pelos inibidores e é administrado por via subcutânea. As demais opções não se aplicam: novo ciclo de imunotolerância já falhou, agentes de bypass são para tratamento de sangramento agudo (não profilaxia de escolha), terapia gênica ainda não é rotina no SUS e fator VII recombinante ativado é agente de bypass, não profilaxia.

A hemofilia A é uma coagulopatia hereditária ligada ao X, caracterizada pela deficiência do fator VIII. O tratamento clássico é a reposição do fator, seja sob demanda (nos sangramentos) ou profilática (para prevenir hemartroses e artropatia). O grande desafio terapêutico é o desenvolvimento de inibidores — aloanticorpos contra o fator VIII infundido, que neutralizam sua atividade. O título é medido em Unidades Bethesda (UB): 1 UB neutraliza 50% da atividade do fator. Inibidores de alto título (> 5 UB) neutralizam completamente a reposição, tornando o tratamento convencional ineficaz.

A imunotolerância (ITI) é a estratégia para erradicar o inibidor, com infusões frequentes e em altas doses do fator, na tentativa de dessensibilizar o paciente. No caso, a ITI foi tentada por 6 meses com fator plasmático, sem sucesso — o título subiu de 400 para 580 UB. Nesse cenário, as diretrizes do Ministério da Saúde indicam o emicizumabe como profilaxia de escolha. O emicizumabe é um anticorpo biespecífico que se liga aos fatores IXa e X, mimetizando a função do fator VIII na cascata da coagulação. Como não é um fator da coagulação, os inibidores anti-fator VIII não interferem em sua eficácia. Além disso, tem meia-vida de cerca de 30 dias e é administrado por via subcutânea, o que melhora a adesão e a qualidade de vida.

É importante distinguir as opções terapêuticas:

Opção

Indicação

Por que não é a escolha aqui

Emicizumabe

Profilaxia em hemofilia A com inibidor

É a escolha — eficaz mesmo com inibidor

Imunotolerância (novo ciclo)

Erradicar inibidor

Já falhou com fator plasmático; repetir com recombinante não é a conduta de escolha

Complexo protrombínico parcialmente ativado (CCPa)

Tratamento de sangramento agudo (bypass)

Não é profilaxia; usado para eventos hemorrágicos

Terapia gênica

Potencial curativo

Ainda não é rotina no SUS; não é a conduta imediata

Fator VII recombinante ativado

Tratamento de sangramento agudo (bypass)

Não é profilaxia; usado para eventos hemorrágicos

A pegadinha da questão está em confundir profilaxia com tratamento de sangramento agudo. Os agentes de bypass (CCPa e fator VIIa) são usados para controlar hemorragias em pacientes com inibidor, mas não previnem novos sangramentos. O emicizumabe, por sua vez, é especificamente para profilaxia, reduzindo drasticamente a frequência de hemartroses. Guarde essa fronteira: profilaxia com emicizumabe vs. tratamento de sangramento com bypass.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O emicizumabe é a profilaxia de escolha para hemofilia A com inibidor de alto título, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. Ele mimetiza o fator VIII, não é neutralizado pelo inibidor e é administrado por via subcutânea, com meia-vida longa. No caso, após falha da imunotolerância, é a opção que melhor previne novas hemartroses.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Novo ciclo de imunotolerância com fator VIII recombinante de longa duração não é a conduta de escolha após falha do primeiro ciclo. A imunotolerância já foi tentada com fator plasmático e o título aumentou; repetir com recombinante não é indicado como tratamento de escolha nesse contexto. A diretriz prioriza o emicizumabe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O complexo protrombínico parcialmente ativado (CCPa) é um agente de bypass, indicado para tratamento de sangramento agudo em pacientes com inibidor, não para profilaxia. A questão pede o tratamento de escolha para prevenção de hemartroses, e o CCPa não é usado profilaticamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A terapia gênica é uma promessa futura, ainda em fase de estudos e não incorporada como rotina no SUS. Não é o tratamento de escolha imediato para esta criança, especialmente considerando as diretrizes atuais do Ministério da Saúde.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O fator VII recombinante ativado é outro agente de bypass, usado para tratamento de sangramento agudo, não para profilaxia. Embora seja eficaz em pacientes com inibidor, não é a opção profilática de escolha; o emicizumabe é superior para prevenção.

Gabarito: letra A

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