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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064471
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Mulher de 55 anos, com história de endocardite mitral sem microrganismo isolado e tratada clinicamente há 6 anos, é internada para investigação de febre.

Refere que os episódios febris começaram há 2 semanas, sempre no período noturno e nunca ultrapassaram 39ºC. Na avaliação clínica o exame físico não demonstra nenhuma alteração notável, à exceção de dentes em mau estado de conservação e febre documentada de 39,2ºC.

Exames complementares:

– Radiografia de tórax normal.
– Ecocardiograma transtorácico com regurgitação mitral moderada, semelhante ao descrito no último ecocardiograma da internação anterior.
– Crescimento de Streptococcus sanguinis em três amostras de hemoculturas.


Para estabelecer o diagnóstico definitivo de endocardite infecciosa em atividade nessa paciente, de acordo com os novos critérios de Duke (2023), um dos achados possíveis é:
  1. Aatividade metabólica anormal em PET/CT em topografia valvar.
  2. Bocorrência de hemorragia intracraniana até o quinto dia de internação.
  3. Cisolamento de S. sanguinis em material obtido da cavidade oral.
  4. Dpresença de hematúria macroscópica mantida por pelo menos 1 dia.
  5. Eocorrência de aneurisma dissecante na porção ascendente da aorta.
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GabaritoA — atividade metabólica anormal em PET/CT em topografia valvar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endocardite infecciosa: critérios de Duke (2023) e diagnóstico definitivo

Gabarito: letra A. A paciente tem febre, regurgitação mitral prévia e hemoculturas positivas para Streptococcus sanguinis (estreptococo oral, agente típico de endocardite). Para fechar o diagnóstico definitivo pelos critérios de Duke, ela precisa de 2 critérios maiores ou 1 maior + 3 menores ou 5 menores. A hemocultura positiva em 3 amostras já configura 1 critério maior; a alternativa A — atividade metabólica anormal em PET/CT em topografia valvar — é um dos achados que, nos critérios de Duke de 2023, entrou como critério maior de imagem, permitindo o diagnóstico definitivo. As demais alternativas não correspondem a critérios maiores ou menores válidos.

Os critérios de Duke são o padrão para o diagnóstico de endocardite infecciosa (EI), uma infecção do endotélio cardiovascular que acomete preferencialmente valvas previamente lesadas — como a regurgitação mitral desta paciente. A doença é grave e potencialmente letal, por isso o diagnóstico precoce é essencial. Os critérios se dividem em maiores e menores, e o diagnóstico definitivo exige a combinação: 2 critérios maiores, ou 1 maior + 3 menores, ou 5 menores.

Os critérios maiores são: (1) hemocultura positiva com microrganismo típico (como Streptococcus viridans, S. bovis, grupo HACEK, S. aureus ou enterococo) em 2 amostras distintas, ou hemocultura persistentemente positiva; e (2) evidência de envolvimento endocárdico, que inclui ecocardiograma com massa oscilante, abscesso, deiscência de prótese ou nova regurgitação valvar. Em 2023, os critérios foram atualizados para incluir a atividade metabólica anormal em PET/CT (ou SPECT/CT com leucócitos marcados) como critério maior de imagem, especialmente útil em próteses valvares e quando o ecocardiograma é inconclusivo.

Os critérios menores incluem: predisposição (cardiopatia ou uso de drogas IV), febre ≥ 38°C, fenômenos vasculares (êmbolos, infarto pulmonar séptico, aneurisma micótico, hemorragia intracraniana, lesões de Janeway), fenômenos imunológicos (glomerulonefrite, nódulos de Osler, manchas de Roth, fator reumatoide) e evidência microbiológica que não preencha critério maior.

Nesta paciente, a hemocultura positiva para S. sanguinis em 3 amostras já configura 1 critério maior (microrganismo típico em hemoculturas persistentemente positivas). A febre (39,2°C) é 1 critério menor, e a regurgitação mitral prévia é fator de predisposição (outro critério menor). Para o diagnóstico definitivo, ela precisaria de mais 1 critério maior (como o PET/CT positivo) ou de mais critérios menores. A alternativa A fornece exatamente esse critério maior adicional.

A pegadinha central desta questão é distinguir o que é critério maior do que é critério menor — e, principalmente, o que não é critério nenhum. A banca mistura achados que parecem plausíveis (hemorragia intracraniana, isolamento oral do germe, hematúria) mas que não constam dos critérios de Duke, com o único achado que realmente é critério maior: o PET/CT positivo.

Critérios de Duke (2023)
  • 1Maiores
    • Hemocultura positiva (germe típico)
    • Imagem: ECO com massa/abscesso
    • Imagem: PET/CT ou SPECT/CT positivo
  • 2Menores
    • Predisposição (cardiopatia, droga IV)
    • Febre ≥ 38°C
    • Fenômenos vasculares
      • êmbolos, aneurisma micótico, hemorragia intracraniana
    • Fenômenos imunológicos (glomerulonefrite, Osler, Roth)
    • Evidência microbiológica incompleta
  • 3Diagnóstico definitivo
    • 2 maiores
    • 1 maior + 3 menores
    • 5 menores
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A atividade metabólica anormal em PET/CT em topografia valvar é um dos critérios maiores dos critérios de Duke atualizados em 2023, configurando evidência de envolvimento endocárdico. Como a paciente já tem 1 critério maior (hemocultura positiva para S. sanguinis em 3 amostras), a presença desse achado fecha o diagnóstico definitivo (2 critérios maiores). É exatamente o que a questão pede: "um dos achados possíveis" para estabelecer o diagnóstico definitivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hemorragia intracraniana é um fenômeno vascular, portanto um critério menor dos critérios de Duke — não um critério maior. Além disso, o enunciado não menciona sua ocorrência. Mesmo que presente, seria apenas 1 critério menor, insuficiente isoladamente para o diagnóstico definitivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O isolamento de S. sanguinis em material da cavidade oral não é critério de Duke. O que vale como critério maior é o isolamento do microrganismo em hemoculturas (sangue), não em outros sítios. A bactéria na boca apenas sugere a porta de entrada — e, de fato, a paciente tem dentes em mau estado, o que explica a bacteremia — mas não configura critério diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hematúria macroscópica não é critério de Duke. O que se relaciona ao sistema urinário nos critérios é a glomerulonefrite (fenômeno imunológico, critério menor), que pode cursar com hematúria microscópica, mas a hematúria macroscópica isolada não é critério. Além disso, o enunciado não a menciona.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O aneurisma dissecante da aorta ascendente não é critério de Duke. O que existe é o aneurisma micótico (fenômeno vascular, critério menor), que é uma dilatação arterial por infecção — diferente do aneurisma dissecante, que é uma condição estrutural da parede arterial, sem relação com os critérios diagnósticos de endocardite.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre critérios maiores e menores, e entre achados que parecem plausíveis mas não constam dos critérios. A hemorragia intracraniana (B) e o aneurisma (E) são fenômenos vasculares — critérios menores, não maiores. O isolamento oral (C) e a hematúria (D) não são critérios nenhum. O PET/CT positivo (A) é o único que é critério maior — e é justamente o que a paciente precisa para fechar o diagnóstico definitivo. Decore: critério maior = hemocultura positiva + imagem (ECO ou PET/CT); critério menor = predisposição, febre, fenômenos vasculares/imunológicos, evidência microbiológica incompleta.

Gabarito: letra A

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