Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023
- Código
- fg064475
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Infectologia
- AI, apenas.
- BII e III, apenas.
- CI e II, apenas.
- DI, II e III.
- EI e III, apenas.
GabaritoE — I e III, apenas.
Gabarito: letra E (I e III, apenas). O paciente tem HIV com CD4 de 197 células/mm³ e antígeno criptocócico sérico positivo, o que indica necessidade de tratamento preemptivo para criptococose com fluconazol e punção lombar para excluir comprometimento do sistema nervoso central (afirmativa I correta). A sífilis (VDRL 1/16) deve ser tratada com penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades, dose única por semana, por 3 semanas (afirmativa III correta). A afirmativa II está incorreta porque o esquema antirretroviral atual (TDF/3TC + DTG) é o preferencial e não há indicação de troca para TAF + darunavir/ritonavir neste contexto. A base é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para manejo da infecção pelo HIV em adultos.
O caso apresenta um paciente com diagnóstico recente de HIV, já em uso de TARV (tenofovir-desoproxila, lamivudina e dolutegravir), com imunossupressão avançada (CD4 = 197 células/mm³) e exames que revelam duas coinfecções importantes: criptococose subclínica (antígeno criptocócico sérico positivo) e sífilis (VDRL 1/16). A conduta correta envolve tratar ambas as infecções oportunistas, além de manter a TARV adequada.
Criptococose: A positividade do antígeno criptocócico no sangue em paciente com CD4 < 200 células/mm³ indica risco elevado de doença disseminada, incluindo meningite criptocócica. A recomendação é realizar punção lombar para pesquisa de antígeno no líquor e, se ausente doença no SNC, iniciar tratamento preemptivo com fluconazol (geralmente 400-800 mg/dia por 8 semanas, seguido de manutenção). Essa conduta reduz a incidência de meningite criptocócica e a mortalidade. A afirmativa I está correta.
Sífilis: O VDRL 1/16 indica sífilis ativa. Em pacientes com HIV, o tratamento da sífilis é o mesmo da população geral, mas com seguimento mais rigoroso. Para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente), o esquema é penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades, dose única. No entanto, a afirmativa III menciona "dose única por semana, ao longo de 3 semanas", que é o esquema para sífilis latente tardia ou de duração ignorada. Como o enunciado não especifica a fase clínica, e o VDRL 1/16 é um título baixo, a interpretação mais aceita é que se trata de sífilis latente (duração ignorada), justificando o esquema de 3 doses semanais. A afirmativa III está correta.
TARV: O esquema inicial preferencial no Brasil é TDF/3TC + DTG (tenofovir-desoproxila, lamivudina e dolutegravir). Não há indicação de troca para TAF + darunavir/ritonavir neste contexto. A afirmativa II está incorreta. A troca de TDF por TAF poderia ser considerada em casos de disfunção renal ou osteoporose, mas não é o caso. O darunavir/ritonavir é um inibidor de protease, que não é a primeira escolha para início de tratamento. Portanto, a afirmativa II está incorreta.
A banca tenta confundir o candidato ao sugerir a troca do esquema antirretroviral (afirmativa II) e ao detalhar o esquema da penicilina (afirmativa III). Lembre-se: o esquema TDF/3TC + DTG é o preferencial e não deve ser trocado sem indicação clínica. Na sífilis, o esquema de 3 doses semanais é para latente tardia ou duração ignorada, enquanto a dose única é para sífilis recente. Fique atento à fase da sífilis para escolher o esquema correto.
A afirmativa I está correta. O paciente tem CD4 < 200 células/mm³ e antígeno criptocócico sérico positivo, o que indica necessidade de punção lombar para excluir meningite criptocócica e, se ausente, iniciar tratamento preemptivo com fluconazol. Essa conduta é recomendada pelo PCDT para reduzir a morbimortalidade por criptococose em pacientes com imunossupressão avançada.
A afirmativa II está incorreta. O esquema TDF/3TC + DTG é o preferencial para início de TARV em adultos, conforme o PCDT. Não há indicação de troca para TAF + darunavir/ritonavir neste contexto. A troca de TDF por TAF poderia ser considerada em casos de disfunção renal ou osteoporose, mas não é o caso. O darunavir/ritonavir é um inibidor de protease, que não é a primeira escolha para início de tratamento.
A afirmativa III está correta. O VDRL 1/16 indica sífilis ativa. Em pacientes com HIV, o tratamento da sífilis é o mesmo da população geral, mas com seguimento mais rigoroso. Para sífilis latente tardia ou de duração ignorada, o esquema é penicilina benzatina 2,4 milhões de unidades, dose única por semana, por 3 semanas. Como o enunciado não especifica a fase clínica, e o VDRL 1/16 é um título baixo, a interpretação mais aceita é que se trata de sífilis latente (duração ignorada), justificando o esquema de 3 doses semanais.
Conclusão: Corretos os itens I e III → portanto, a alternativa é a letra E.
Gabarito: letra E
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