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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064476
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Análises filogenéticas demonstraram que o primeiro caso de mpox confirmado no estado de Minas Gerais, em junho de 2022, estava relacionado à importação por um viajante que retornou do Reino Unido. Em julho do mesmo ano, ocorreu, na capital mineira, o primeiro óbito atribuído à doença no Brasil.A respeito da mpox, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.( ) Uma pessoa pode transmitir a doença desde o início dos sintomas até a erupção ter cicatrizado completamente e uma nova camada de pele se formar.( ) Uma forma necrosante grave com manifestações dermatológicas e sistêmicas fulminantes, que pode levar à morte, pode ocorrer em pessoas que vivem com HIV e com contagem de linfócitos T-CD4 < 200 células/mm³ .( ) A vacina disponibilizada pelo Ministério da Saúde é composta pelo vírus vaccínia vivo atenuado, não replicante, administrada em duas doses com intervalo de 4 semanas entre elas.As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
  1. AF – F – V
  2. BF – V – V
  3. CV – F – F
  4. DV – V – F
  5. EV – V – V
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — V – V – V

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mpox (varíola dos macacos): transmissão, formas graves e vacinação

Gabarito: letra E (V – V – V). As três afirmativas estão corretas: a transmissão da mpox ocorre desde o início dos sintomas até a completa cicatrização das lesões; a forma necrosante grave é descrita em pessoas vivendo com HIV com contagem de linfócitos T-CD4 < 200 células/mm³; e a vacina disponibilizada pelo Ministério da Saúde é composta por vírus vaccínia vivo atenuado não replicante, administrada em duas doses com intervalo de 4 semanas. A questão cobra conhecimentos atualizados sobre a doença, seu espectro clínico e a estratégia vacinal adotada no Brasil.

A mpox é uma zoonose viral causada pelo vírus da varíola dos macacos (gênero Orthopoxvirus), que ganhou relevância mundial no surto de 2022. O período de transmissibilidade é um dos pontos mais cobrados: o paciente pode transmitir o vírus desde o aparecimento dos primeiros sintomas (febre, linfadenopatia, mialgia) até que todas as lesões de pele estejam completamente cicatrizadas, com formação de nova camada de pele — ou seja, o isolamento deve se estender até a resolução completa das crostas. Isso difere de outras doenças virais, onde a transmissibilidade se concentra na fase prodrômica ou nos primeiros dias de sintomas.

A forma grave da doença merece atenção especial em imunossuprimidos. Em pessoas vivendo com HIV, especialmente com contagem de linfócitos T-CD4 abaixo de 200 células/mm³, a mpox pode evoluir com formas necrosantes, lesões extensas e acometimento sistêmico fulminante, com alto risco de óbito. Essa apresentação clínica reflete a incapacidade do sistema imunológico de conter a replicação viral, levando a quadros mais graves e prolongados. A banca explora exatamente esse detalhe: a gravidade está associada à imunossupressão avançada, não a qualquer pessoa com HIV.

A vacinação contra a mpox no Brasil utiliza a vacina Jynneos (Imvanex), produzida com o vírus vaccínia modificado (MVA-BN), que é vivo atenuado e não replicante. O esquema recomendado pelo Ministério da Saúde é de duas doses, com intervalo de 4 semanas (28 dias), para grupos prioritários. A característica de não replicação é fundamental: permite a administração mesmo em imunossuprimidos, com menor risco de eventos adversos, diferentemente das vacinas de vírus vivo replicante, que são contraindicadas nessa população.

A pegadinha desta questão está na terceira afirmativa: muitos candidatos podem confundir a vacina da mpox com outras vacinas de vírus vivo atenuado (como febre amarela ou tríplice viral), que são replicantes e têm esquemas diferentes. A vacina da mpox é não replicante, o que a torna segura para imunossuprimidos — um detalhe que a banca cobra com frequência. Além disso, o intervalo de 4 semanas entre as doses é específico dessa vacina, não se aplicando a outras.

Guarde esses três pilares — transmissibilidade até a cicatrização completa, gravidade em imunossupressão avançada e vacina não replicante em duas doses — pois são exatamente os pontos que separam as alternativas.

Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. A transmissão da mpox ocorre desde o início dos sintomas até a completa cicatrização das lesões, com formação de nova camada de pele. Isso inclui o período prodrômico (febre, linfadenopatia) e toda a fase de erupção cutânea, até a queda das crostas. O isolamento do paciente deve ser mantido até a resolução completa das lesões, conforme orientações do Ministério da Saúde e da OMS.

Afirmativa 2 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. A forma necrosante grave da mpox, com manifestações dermatológicas e sistêmicas fulminantes, é descrita em pessoas vivendo com HIV com contagem de linfócitos T-CD4 < 200 células/mm³. A imunossupressão avançada é o principal fator de risco para formas graves e óbito, conforme dados do surto de 2022 e literatura especializada.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. A vacina disponibilizada pelo Ministério da Saúde é composta pelo vírus vaccínia vivo atenuado não replicante (MVA-BN), administrada em duas doses com intervalo de 4 semanas. Essa vacina é segura para imunossuprimidos justamente por ser não replicante, e o esquema de duas doses com intervalo de 28 dias é o recomendado para os grupos prioritários.

Gabarito: letra E (V – V – V).

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