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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064480
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
O Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública tem como um de seus objetivos promover a incorporação de iniciativas inovadoras para aprimorar o controle da tuberculose. Uma das estratégias previstas é incorporar oportunamente novas tecnologias para o diagnóstico rápido da infecção.A respeito de tais tecnologias, assinale a afirmativa correta.
  1. AO teste rápido molecular (TRM-TB) do escarro pode ser utilizado para o diagnóstico de tuberculose pulmonar e de resistência a rifampicina, isoniazida e pirazinamida, em adultos com sintomas típicos da doença.
  2. BO teste de detecção do antígeno lipoarabinomanana em amostras de urina possui boa especificidade para o diagnóstico de tuberculose ativa em pessoas que vivem com HIV com contagem de linfócitos T-CD4 ≤ 100 células/μL.
  3. CO ensaio de liberação de interferon-gama para tuberculose (IGRA) é um método quantitativo que permite a diferenciação entre infecção latente e doença em atividade, com pontos de corte bem definidos para imunocompetentes.
  4. DA detecção no sangue periférico da adenosina-deaminase (ADA) por métodos imunocromatográficos auxilia no diagnóstico de tuberculose extrapulmonar em adultos imunocomprometidos e crianças não vacinadas com BCG.
  5. EOs testes moleculares em fita – Line probe assay – em amostras teciduais podem detectar material genético da micobactéria e genes codificadores de resistência à rifampicina em amostras nas quais o TRM-TB foi negativo.
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GabaritoB — O teste de detecção do antígeno lipoarabinomanana em amostras de urina possui boa especificidade para o diagnóstico de tuberculose ativa em pessoas que vivem com HIV com contagem de linfócitos T-CD4 ≤ 100 células/μL.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico laboratorial da tuberculose: tecnologias e indicações

Gabarito: letra B. O teste LF-LAM (fluxo lateral para detecção do antígeno lipoarabinomanana em urina) é indicado para auxiliar o diagnóstico de tuberculose em pessoas vivendo com HIV (PVHA) com imunossupressão grave, especialmente com LT-CD4 < 100 células/mm³, conforme o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. As demais alternativas contêm erros técnicos sobre as indicações e limitações de cada método diagnóstico.

O diagnóstico da tuberculose (TB) evoluiu significativamente com a incorporação de novas tecnologias, e a FGV cobra exatamente o conhecimento das indicações precisas de cada uma. O TRM-TB (teste rápido molecular) detecta DNA do complexo Mycobacterium tuberculosis e resistência à rifampicina, mas não à isoniazida ou pirazinamida — essas exigem teste de sensibilidade por cultura. O IGRA (ensaio de liberação de interferon-gama) não diferencia infecção latente de doença ativa, pois ambos os estados cursam com resposta imune celular positiva. A ADA (adenosina-deaminase) é dosada em líquidos corporais (pleural, pericárdico, peritoneal, liquor), não no sangue periférico, e não é método imunocromatográfico. O Line probe assay (LPA) é utilizado em amostras respiratórias (escarro, lavado broncoalveolar), não em amostras teciduais, e não é indicado quando o TRM-TB é negativo — na verdade, o LPA é usado para detectar resistência a múltiplas drogas em amostras com baciloscopia ou cultura positiva.

A alternativa B está correta porque o LF-LAM é um teste rápido de urina, com resultado em cerca de 25 minutos, sem necessidade de processamento laboratorial. Sua principal indicação é em PVHA com contagem de LT-CD4 < 100 células/mm³, mesmo assintomáticas, pois nessa população a sensibilidade do teste é maior. A especificidade é boa, e o teste auxilia no diagnóstico de TB pulmonar e extrapulmonar. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (2019) estabelece as indicações do LF-LAM, incluindo PVHA assintomáticas com LT-CD4 < 100 células/mm³ no atendimento ambulatorial.

A pegadinha central desta questão é a troca de indicações e limitações entre os métodos diagnósticos. O candidato que memoriza superficialmente as tecnologias tende a confundir o que cada teste detecta e para qual população é indicado. A banca explora exatamente essas fronteiras: o TRM-TB detecta apenas resistência à rifampicina (não a isoniazida/pirazinamida), o IGRA não diferencia latente de ativa, a ADA não é dosada no sangue, e o LPA não é usado em tecidos nem como teste de confirmação após TRM-TB negativo.

Para fixar, compare as principais tecnologias diagnósticas da TB:

Método

Amostra

O que detecta

Indicação principal

TRM-TB (GeneXpert)

Escarro, LBA, LCR, outros

DNA do M. tuberculosis + resistência à rifampicina

Diagnóstico de TB pulmonar e extrapulmonar; triagem de resistência à rifampicina

LF-LAM

Urina

Antígeno lipoarabinomanana

PVHA com LT-CD4 < 100 células/mm³ (ambulatorial) ou < 200 (hospitalar), sintomáticos ou graves

IGRA (Quantiferon, T-SPOT)

Sangue

Liberação de interferon-gama após estímulo antigênico

Diagnóstico de infecção latente (ILTB); não diferencia latente de ativa

ADA

Líquidos corporais (pleural, pericárdico, peritoneal, liquor)

Atividade da adenosina-deaminase

Auxílio diagnóstico de TB extrapulmonar (pleural, meníngea, peritoneal)

Line probe assay (LPA)

Escarro, LBA (amostras respiratórias)

DNA da micobactéria + genes de resistência (rifampicina e isoniazida)

Detecção de TB-MDR em amostras com baciloscopia/cultura positiva

Guarde a fronteira entre o que cada teste detecta e para quem é indicado: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O TRM-TB detecta DNA do complexo M. tuberculosis e resistência à rifampicina, mas não à isoniazida ou pirazinamida. A resistência a essas drogas é avaliada por teste de sensibilidade por cultura (método das proporções, por exemplo). O TRM-TB é indicado para diagnóstico de TB pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes, mas a afirmação de que detecta resistência a três drogas está incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O LF-LAM (fluxo lateral para detecção do antígeno lipoarabinomanana em urina) é um teste rápido, com resultado em cerca de 25 minutos, sem necessidade de processamento laboratorial. É indicado para auxiliar o diagnóstico de TB em PVHA, especialmente com LT-CD4 < 100 células/mm³ (no atendimento ambulatorial, mesmo assintomáticas) ou < 200 células/mm³ (no hospitalar). A especificidade é boa, e o teste auxilia no diagnóstico de TB pulmonar e extrapulmonar. A alternativa espelha corretamente a indicação do teste.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O IGRA é um método qualitativo (positivo ou negativo), não quantitativo, e não diferencia infecção latente de doença ativa. Tanto na ILTB quanto na TB ativa, há resposta imune celular com liberação de interferon-gama. O diagnóstico de doença ativa é feito por critérios clínicos, radiológicos e bacteriológicos (baciloscopia, TRM-TB, cultura), não pelo IGRA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ADA é dosada em líquidos corporais (pleural, pericárdico, peritoneal, liquor), não no sangue periférico. Além disso, a dosagem é feita por método enzimático-colorimétrico, não por imunocromatografia. A ADA é um marcador auxiliar no diagnóstico de TB extrapulmonar, especialmente pleural e meníngea, mas não é dosada no sangue.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O Line probe assay (LPA) é utilizado em amostras respiratórias (escarro, lavado broncoalveolar), não em amostras teciduais. Além disso, o LPA é indicado para detectar resistência à rifampicina e isoniazida (TB-MDR) em amostras com baciloscopia ou cultura positiva, e não é utilizado quando o TRM-TB é negativo — na verdade, o TRM-TB negativo não exclui TB, e a conduta é repetir o teste ou solicitar cultura, não realizar LPA.

Gabarito: letra B

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