Diagnóstico laboratorial da tuberculose: tecnologias e indicações
Gabarito: letra B. O teste LF-LAM (fluxo lateral para detecção do antígeno lipoarabinomanana em urina) é indicado para auxiliar o diagnóstico de tuberculose em pessoas vivendo com HIV (PVHA) com imunossupressão grave, especialmente com LT-CD4 < 100 células/mm³, conforme o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. As demais alternativas contêm erros técnicos sobre as indicações e limitações de cada método diagnóstico.
O diagnóstico da tuberculose (TB) evoluiu significativamente com a incorporação de novas tecnologias, e a FGV cobra exatamente o conhecimento das indicações precisas de cada uma. O TRM-TB (teste rápido molecular) detecta DNA do complexo Mycobacterium tuberculosis e resistência à rifampicina, mas não à isoniazida ou pirazinamida — essas exigem teste de sensibilidade por cultura. O IGRA (ensaio de liberação de interferon-gama) não diferencia infecção latente de doença ativa, pois ambos os estados cursam com resposta imune celular positiva. A ADA (adenosina-deaminase) é dosada em líquidos corporais (pleural, pericárdico, peritoneal, liquor), não no sangue periférico, e não é método imunocromatográfico. O Line probe assay (LPA) é utilizado em amostras respiratórias (escarro, lavado broncoalveolar), não em amostras teciduais, e não é indicado quando o TRM-TB é negativo — na verdade, o LPA é usado para detectar resistência a múltiplas drogas em amostras com baciloscopia ou cultura positiva.
A alternativa B está correta porque o LF-LAM é um teste rápido de urina, com resultado em cerca de 25 minutos, sem necessidade de processamento laboratorial. Sua principal indicação é em PVHA com contagem de LT-CD4 < 100 células/mm³, mesmo assintomáticas, pois nessa população a sensibilidade do teste é maior. A especificidade é boa, e o teste auxilia no diagnóstico de TB pulmonar e extrapulmonar. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (2019) estabelece as indicações do LF-LAM, incluindo PVHA assintomáticas com LT-CD4 < 100 células/mm³ no atendimento ambulatorial.
A pegadinha central desta questão é a troca de indicações e limitações entre os métodos diagnósticos. O candidato que memoriza superficialmente as tecnologias tende a confundir o que cada teste detecta e para qual população é indicado. A banca explora exatamente essas fronteiras: o TRM-TB detecta apenas resistência à rifampicina (não a isoniazida/pirazinamida), o IGRA não diferencia latente de ativa, a ADA não é dosada no sangue, e o LPA não é usado em tecidos nem como teste de confirmação após TRM-TB negativo.
Para fixar, compare as principais tecnologias diagnósticas da TB:
Método | Amostra | O que detecta | Indicação principal |
|---|
TRM-TB (GeneXpert) | Escarro, LBA, LCR, outros | DNA do M. tuberculosis + resistência à rifampicina | Diagnóstico de TB pulmonar e extrapulmonar; triagem de resistência à rifampicina |
LF-LAM | Urina | Antígeno lipoarabinomanana | PVHA com LT-CD4 < 100 células/mm³ (ambulatorial) ou < 200 (hospitalar), sintomáticos ou graves |
IGRA (Quantiferon, T-SPOT) | Sangue | Liberação de interferon-gama após estímulo antigênico | Diagnóstico de infecção latente (ILTB); não diferencia latente de ativa |
ADA | Líquidos corporais (pleural, pericárdico, peritoneal, liquor) | Atividade da adenosina-deaminase | Auxílio diagnóstico de TB extrapulmonar (pleural, meníngea, peritoneal) |
Line probe assay (LPA) | Escarro, LBA (amostras respiratórias) | DNA da micobactéria + genes de resistência (rifampicina e isoniazida) | Detecção de TB-MDR em amostras com baciloscopia/cultura positiva |
Guarde a fronteira entre o que cada teste detecta e para quem é indicado: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O TRM-TB detecta DNA do complexo M. tuberculosis e resistência à rifampicina, mas não à isoniazida ou pirazinamida. A resistência a essas drogas é avaliada por teste de sensibilidade por cultura (método das proporções, por exemplo). O TRM-TB é indicado para diagnóstico de TB pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes, mas a afirmação de que detecta resistência a três drogas está incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O LF-LAM (fluxo lateral para detecção do antígeno lipoarabinomanana em urina) é um teste rápido, com resultado em cerca de 25 minutos, sem necessidade de processamento laboratorial. É indicado para auxiliar o diagnóstico de TB em PVHA, especialmente com LT-CD4 < 100 células/mm³ (no atendimento ambulatorial, mesmo assintomáticas) ou < 200 células/mm³ (no hospitalar). A especificidade é boa, e o teste auxilia no diagnóstico de TB pulmonar e extrapulmonar. A alternativa espelha corretamente a indicação do teste.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O IGRA é um método qualitativo (positivo ou negativo), não quantitativo, e não diferencia infecção latente de doença ativa. Tanto na ILTB quanto na TB ativa, há resposta imune celular com liberação de interferon-gama. O diagnóstico de doença ativa é feito por critérios clínicos, radiológicos e bacteriológicos (baciloscopia, TRM-TB, cultura), não pelo IGRA.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ADA é dosada em líquidos corporais (pleural, pericárdico, peritoneal, liquor), não no sangue periférico. Além disso, a dosagem é feita por método enzimático-colorimétrico, não por imunocromatografia. A ADA é um marcador auxiliar no diagnóstico de TB extrapulmonar, especialmente pleural e meníngea, mas não é dosada no sangue.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Line probe assay (LPA) é utilizado em amostras respiratórias (escarro, lavado broncoalveolar), não em amostras teciduais. Além disso, o LPA é indicado para detectar resistência à rifampicina e isoniazida (TB-MDR) em amostras com baciloscopia ou cultura positiva, e não é utilizado quando o TRM-TB é negativo — na verdade, o TRM-TB negativo não exclui TB, e a conduta é repetir o teste ou solicitar cultura, não realizar LPA.
Gabarito: letra B