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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064482
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Paciente masculino de 40 anos é encaminhado para tratamento de hepatite C, diagnosticada há cerca de 1 mês. Nega episódios anteriores de hepatite viral. IMC = 24 kg/m² . HCV-RNA = 1 milhão UI/mL. Clearence de creatinina estimado em 80mL/min. HBsAg reagente. HBV-DNA = 2 milhões UI/mL. Anti-HIV não reagente. Anti-HAV IgG não reagente. Outros exames laboratoriais permitem o cálculo de APRI = 0,8 e FIB-4 = 1,5.A respeito do caso, analise as afirmativas a seguir.I. As alternativas de tratamento oferecidas pelo SUS são genótipo-específicas, exigindo a realização da genotipagem antes do tratamento.II. É dispensável a realização de elastografia hepática para o início do tratamento da hepatite C.III. O tratamento para hepatite B deverá ser iniciado somente após o da hepatite C.IV. O paciente deverá ser vacinado contra a hepatite A.Está correto o que se afirma em:
  1. AI e II, apenas.
  2. BII e IV, apenas.
  3. CII e III, apenas.
  4. DIII e IV, apenas.
  5. EI e IV, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — II e IV, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hepatites virais B e C: tratamento e coinfecção

Gabarito: letra B. Estão corretas as afirmativas II e IV: a elastografia hepática não é obrigatória para iniciar o tratamento da hepatite C (podem ser usados escores não invasivos como APRI e FIB-4) e o paciente, por ser suscetível (anti-HAV IgG não reagente), deve ser vacinado contra a hepatite A. A afirmativa I é falsa porque os esquemas de tratamento da hepatite C pelo SUS são pangenotípicos, não exigindo genotipagem prévia; a afirmativa III é falsa porque, em coinfecção HBV/HCV, o tratamento da hepatite B deve ser iniciado antes ou concomitantemente ao da hepatite C, nunca após.

O caso apresenta um paciente com coinfecção pelos vírus das hepatites B e C, situação que exige do médico o domínio de dois protocolos distintos e a compreensão da interação entre eles. A hepatite C, hoje, tem tratamento curativo com os antivirais de ação direta (DAA), que atuam em todas as etapas do ciclo replicativo do HCV. A hepatite B, por sua vez, é controlada com análogos de nucleosídeo/nucleotídeo (AN), como tenofovir, entecavir ou tenofovir alafenamida, que suprimem a replicação viral sem erradicar o vírus.

A grande virada na abordagem da hepatite C foi a chegada dos DAA pangenotípicos, que eliminam a necessidade de genotipagem prévia ao tratamento. Antes, os esquemas eram genótipo-específicos e exigiam a identificação do genótipo do HCV para a escolha da medicação. Com os regimes pangenotípicos, o tratamento pode ser iniciado imediatamente após o diagnóstico, independentemente do genótipo, o que simplifica e acelera o acesso à cura. Essa é a base da afirmativa I, que está incorreta.

Quanto à avaliação de fibrose hepática, os escores não invasivos APRI e FIB-4, calculados a partir de exames laboratoriais de rotina, são ferramentas validadas e amplamente utilizadas para estimar o grau de fibrose. A elastografia hepática (transitória ou por ressonância) é um método mais preciso, mas não é obrigatória para o início do tratamento da hepatite C, especialmente em pacientes sem sinais de cirrose. No caso, o APRI de 0,8 e o FIB-4 de 1,5 indicam ausência de fibrose significativa, o que torna a elastografia dispensável. Essa é a base da afirmativa II, que está correta.

A coinfecção HBV/HCV é um cenário complexo. O HCV geralmente exerce efeito supressor sobre o HBV, mantendo a replicação do HBV em níveis baixos. Ao tratar a hepatite C com DAA, esse efeito supressor é removido, podendo ocorrer reativação do HBV. Por isso, antes de iniciar o DAA, o paciente com HBsAg reagente deve ser avaliado quanto à necessidade de tratamento para HBV. Se houver indicação, o AN deve ser iniciado antes ou concomitantemente ao DAA. Se não houver indicação de tratamento, deve-se fazer profilaxia antiviral com AN, iniciada logo antes ou simultaneamente ao DAA. Em nenhuma hipótese o tratamento da hepatite B é adiado para depois do da hepatite C. Essa é a base da afirmativa III, que está incorreta.

Por fim, a vacinação contra hepatite A é recomendada para todos os pacientes com hepatite C, pois a infecção aguda pelo VHA em um fígado já comprometido pode levar a hepatite fulminante. O paciente em questão tem anti-HAV IgG não reagente, ou seja, é suscetível e deve ser vacinado. Essa é a base da afirmativa IV, que está correta.

A fronteira que separa as alternativas é exatamente o conhecimento dos protocolos atuais: pangenotípico (não genótipo-específico), elastografia dispensável, tratamento da hepatite B antes/concomitante (nunca depois) e vacinação contra hepatite A para suscetíveis. Vamos analisar cada afirmativa.

Afirmativa

Veredito

Justificativa

I. Tratamento SUS genótipo-específico, exigindo genotipagem

❌ Incorreto

Esquemas são pangenotípicos; genotipagem não é pré-requisito.

II. Elastografia hepática dispensável para início do tratamento

✅ Correto

APRI e FIB-4 são suficientes; elastografia não é obrigatória.

III. Tratamento da hepatite B somente após o da C

❌ Incorreto

HBV deve ser tratado antes ou concomitantemente ao HCV, nunca depois.

IV. Vacinação contra hepatite A indicada

✅ Correto

Paciente suscetível (anti-HAV IgG não reagente) e com hepatite C deve ser vacinado.

Coinfecção HBV/HCV
  • 1Tratamento da hepatite C
    • DAA pangenotípico
    • Genotipagem prévia (dispensável)
    • Elastografia obrigatória (APRI/FIB-4 bastam)
  • 2Tratamento da hepatite B
    • Iniciar antes ou concomitantemente
    • Iniciar após o HCV
  • 3Vacinação contra hepatite A
    • Suscetível (anti-HAV IgG não reagente)
    • Vacinar obrigatoriamente
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Item I — ❌ Incorreto

A afirmativa afirma que as alternativas de tratamento oferecidas pelo SUS são genótipo-específicas, exigindo genotipagem antes do tratamento. Isso está errado frente aos protocolos atuais. Os esquemas de tratamento da hepatite C com DAA são pangenotípicos, ou seja, eficazes contra todos os genótipos do HCV, não sendo necessária a genotipagem para a escolha do esquema. A genotipagem pode ser útil em situações específicas, mas não é um pré-requisito para o início do tratamento.

Item II — ✅ Correto

A afirmativa está correta. A elastografia hepática não é obrigatória para o início do tratamento da hepatite C. A avaliação da fibrose pode ser feita por métodos não invasivos como APRI e FIB-4, que são calculados a partir de exames laboratoriais simples. No caso, o APRI de 0,8 e o FIB-4 de 1,5 já fornecem essa informação, tornando a elastografia dispensável.

Item III — ❌ Incorreto

A afirmativa está errada. Em pacientes coinfectados HBV/HCV, o tratamento da hepatite B deve ser iniciado antes ou concomitantemente ao da hepatite C, nunca após. Isso porque o tratamento da hepatite C com DAA pode levar à reativação do HBV, e o uso do AN protege o paciente dessa complicação. A conduta correta é avaliar a necessidade de tratamento para HBV antes do início do DAA e, se indicado, iniciar o AN imediatamente.

Item IV — ✅ Correto

A afirmativa está correta. O paciente é suscetível à hepatite A (anti-HAV IgG não reagente) e, por ter hepatite C, deve ser vacinado contra a hepatite A. A infecção aguda pelo VHA em um paciente com doença hepática crônica pode evoluir para hepatite fulminante, com alto risco de mortalidade. A vacinação é uma medida preventiva essencial nesse grupo.

Conclusão: corretos os itens II e IV, portanto o gabarito é a letra B.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento antigo e o atual da hepatite C. O candidato que memorizou que o tratamento era genótipo-específico marca a afirmativa I como correta, mas os DAA pangenotípicos mudaram essa prática. Além disso, a afirmativa III inverte a ordem correta do tratamento na coinfecção: o HBV deve ser tratado antes ou junto com o HCV, nunca depois. Fique atento a essas inversões de protocolo.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de hepatites virais, decore os pontos-chave: tratamento da hepatite C é pangenotípico e não exige genotipagem; elastografia não é obrigatória (APRI/FIB-4 bastam); na coinfecção HBV/HCV, trate HBV antes ou junto; vacine contra hepatite A todo paciente com hepatite C suscetível. Esses são os tópicos mais cobrados em provas de residência e concursos.

Gabarito: letra B

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