Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064483
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Um paciente de 29 anos, heterossexual e sem parceria fixa, esteve em seu ambulatório há sete dias e você o diagnosticou com uretrite, solicitou cultura e painel molecular para IST no corrimento uretral, sorologias e o tratou com ceftriaxona 500mg dose única IM e azitromicina 1g dose única VO.Hoje refere que não houve melhora da dor e a descarga uretral se mantém, mas em menor quantidade. Ele não conseguiu colher amostra de corrimento no laboratório e foi orientado a fornecer o primeiro jato de urina para cultura (que fechou negativa) e para painel molecular, cujo resultado foi:A respeito do caso deste paciente, assinale a afirmativa correta.
ADeve ser tratado com doxiciclina, contemplando M. genitalium e T. vaginalis e a cultura deve ser confirmada utilizando descarga uretral.
BDeve ser tratado com claritromicina para M. genitalium e amoxicilina-clavulanato para T. vaginalis, e encaminhado à Urologia para avaliar complicações.
CDeve ser tratado com moxifloxacina para M. genitalium possivelmente resistente a macrolídeos, além de metronidazol para T. vaginalis.
DNão deve receber tratamento para T. vaginalis. Já M. genitalium deve ser retratado com azitromicina, utilizando dose de 1,5 g ao dia, por 3 dias.
ENão deve receber tratamento antimicrobiano e o painel molecular deve ser repetido, processando o exsudato expurgado pela uretra corretamente.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Deve ser tratado com moxifloxacina para M. genitalium possivelmente resistente a macrolídeos, além de metronidazol para T. vaginalis.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Uretrite persistente: manejo de M. genitalium e T. vaginalis
Gabarito: letra C. O paciente apresenta uretrite persistente após tratamento com ceftriaxona + azitromicina, e o painel molecular (não mostrado, mas inferido pelo contexto) revelou Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis. O M. genitalium é frequentemente resistente a macrolídeos (azitromicina), e a moxifloxacina é a opção para cepas resistentes; o T. vaginalis é tratado com metronidazol. A alternativa C é a única que contempla ambos os agentes com as drogas corretas.
A uretrite é uma síndrome clínica caracterizada por inflamação da uretra, manifestando-se com corrimento uretral, disúria e prurido. O manejo inicial é sindrômico, com ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1 g VO dose única, cobrindo Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Quando o paciente não melhora após esse esquema, é essencial investigar agentes menos comuns, como Mycoplasma genitalium e Trichomonas vaginalis.
O M. genitalium é uma bactéria sem parede celular, o que a torna naturalmente resistente a beta-lactâmicos (ceftriaxona) e a outros antibióticos que atuam na parede. A azitromicina, usada no esquema inicial, é eficaz contra o M. genitalium, mas a resistência a macrolídeos é um problema crescente. Estudos mostram que a resistência induzida após terapia com azitromicina é documentada, e não há evidências de que um esquema estendido (1,5 g) seja mais eficaz que a dose única de 1 g. A moxifloxacina permanece altamente ativa contra a maioria das cepas resistentes a macrolídeos, sendo a opção de retratamento.
O T. vaginalis é um protozoário flagelado que causa tricomoníase, uma IST comum. O tratamento de primeira linha é o metronidazol, na dose de 250 mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 7 dias. A clindamicina é a segunda opção. O T. vaginalis não é coberto pelo esquema inicial (ceftriaxona + azitromicina), portanto, se identificado, deve ser tratado especificamente.
A alternativa C é a correta porque propõe moxifloxacina para M. genitalium (possivelmente resistente a macrolídeos) e metronidazol para T. vaginalis. As demais alternativas erram ao indicar drogas ineficazes, doses incorretas ou condutas inadequadas.
Uretrite persistente
1Esquema inicial (sindrômico)
Ceftriaxona 500 mg IM
Azitromicina 1 g VO
Cobre N. gonorrhoeae e C. trachomatis
2Investigar agentes atípicos
Mycoplasma genitalium
Sem parede celular
Resistente a beta-lactâmicos
Resistência a macrolídeos (azitromicina)
Retratar com moxifloxacina
Trichomonas vaginalis
Protozoário flagelado
Não coberto pelo esquema inicial
Tratar com metronidazol
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A doxiciclina é uma opção para uretrite não gonocócica, mas não é o tratamento de escolha para M. genitalium resistente a macrolídeos. Além disso, a doxiciclina não é eficaz contra T. vaginalis. A cultura com descarga uretral é um método diagnóstico, mas o painel molecular já identificou os agentes, tornando a confirmação por cultura desnecessária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A claritromicina é um macrolídeo, mas não é a primeira escolha para M. genitalium, especialmente se houver suspeita de resistência. A amoxicilina-clavulanato é ineficaz contra T. vaginalis, que é um protozoário. O encaminhamento à Urologia pode ser necessário em casos de complicações, mas não é a conduta imediata para o tratamento dos agentes identificados.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A moxifloxacina é a opção para M. genitalium resistente a macrolídeos, e o metronidazol é o tratamento de primeira linha para T. vaginalis. Esta alternativa aborda corretamente ambos os agentes identificados no painel molecular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A azitromicina em dose estendida (1,5 g/dia por 3 dias) não é mais eficaz que a dose única de 1 g, e não é a conduta recomendada para M. genitalium resistente. Além disso, o T. vaginalis deve ser tratado, não ignorado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O painel molecular já identificou os agentes, e o paciente apresenta sintomas persistentes. Repetir o exame sem tratar não é a conduta adequada. O tratamento deve ser iniciado com base nos resultados já disponíveis.