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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064484
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia
Um homem de 26 anos é internado para investigação de quadro iniciado há 4 meses de febre intermitente, inapetência e perda ponderal. Ao exame físico, além de sinais de desnutrição, há hepatoesplenomegalia.Exames iniciais indicaram sorologia anti-HIV reagente, contagem de linfócitos T-CD4 = 70 células/mm³ e ferritina muito acima do limite superior da normalidade.Por também apresentar pancitopenia, foi solicitado aspirado de medula óssea e o citopatológico do tecido detectou a presença de formas amastigotas na coloração de Giemsa.Com base nas informações apresentadas, é imperativo o início de tratamento com
  1. Acloroquina + primaquina.
  2. Bsulfadiazina + pirimetamina.
  3. Cantimoniato de metilglucamina.
  4. Danfotericina B lipossomal.
  5. Eclaritromicina + etambutol.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — anfotericina B lipossomal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leishmaniose visceral em paciente com HIV/AIDS

Gabarito: letra D. O quadro clínico — febre intermitente, perda ponderal, hepatoesplenomegalia, pancitopenia, ferritina muito elevada e, decisivamente, a presença de formas amastigotas no aspirado de medula óssea — é clássico de leishmaniose visceral (LV) em paciente com AIDS (CD4 = 70 células/mm³). Para o tratamento da LV em pacientes coinfectados pelo HIV, a anfotericina B lipossomal é a droga de escolha, conforme recomendação do Ministério da Saúde e da OMS, por sua eficácia e menor toxicidade em relação aos antimoniais.

A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania (no Brasil, principalmente a Leishmania infantum), transmitida pela picada do mosquito-palha (flebotomíneo). O parasita, na sua forma amastigota, invade o sistema fagocítico mononuclear, instalando-se no baço, fígado e medula óssea — daí a tríade clássica de febre, hepatoesplenomegalia e pancitopenia. Em pacientes imunocomprometidos, como o do caso (CD4 = 70), a doença tende a ser mais grave, com maior carga parasitária e maior mortalidade, e a apresentação clínica pode ser indistinguível de outras infecções oportunistas, como a histoplasmose disseminada — que também cursa com febre, perda de peso, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e ferritina elevada. O diagnóstico definitivo, porém, foi dado pela citologia da medula óssea: a presença de formas amastigotas em coloração de Giemsa é patognomônica de leishmaniose.

A escolha do tratamento na LV depende de vários fatores: gravidade, idade, comorbidades, e principalmente o status imunológico. Historicamente, os antimoniais pentavalentes (como o antimoniato de metilglucamina) foram a primeira linha de tratamento. Porém, em pacientes coinfectados com HIV, a eficácia dos antimoniais é menor e a toxicidade (cardíaca, hepática e pancreática) é maior. Por isso, as diretrizes atuais recomendam a anfotericina B lipossomal como droga de escolha para o tratamento da LV em pacientes com HIV/AIDS, independentemente da gravidade. A anfotericina B lipossomal é uma formulação que reduz significativamente a nefrotoxicidade da anfotericina B desoxicolato, mantendo alta eficácia. Outras opções, como a miltefosina, podem ser consideradas em situações específicas, mas a anfotericina B lipossomal é a preferida.

A pegadinha desta questão está em reconhecer a doença e, em seguida, lembrar da particularidade do tratamento no paciente HIV positivo. O candidato que sabe que a LV é tratada com antimoniato pode marcar a letra C, mas esquece que, na coinfecção HIV/LV, a droga de escolha é a anfotericina B lipossomal. As demais alternativas tratam de outras doenças: cloroquina + primaquina é esquema para malária; sulfadiazina + pirimetamina é para toxoplasmose; claritromicina + etambutol é para micobacterioses (como o complexo Mycobacterium avium).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca do tratamento da leishmaniose visceral em paciente imunocompetente (antimoniato) pelo tratamento no paciente com HIV/AIDS (anfotericina B lipossomal). O candidato que decora o tratamento "padrão" da LV e não se atenta à coinfecção com HIV erra a questão. Lembre-se: em paciente com AIDS, a anfotericina B lipossomal é a primeira escolha.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Cloroquina + primaquina é o esquema para tratamento da malária (geralmente por Plasmodium vivax ou falciparum). O paciente tem leishmaniose visceral, não malária. Além disso, a cloroquina não tem atividade contra Leishmania.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sulfadiazina + pirimetamina é o tratamento clássico da toxoplasmose, especialmente na forma cerebral em pacientes com AIDS. O paciente não tem toxoplasmose, mas sim leishmaniose visceral, confirmada pela presença de amastigotas na medula óssea.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O antimoniato de metilglucamina é uma das drogas de primeira linha para o tratamento da leishmaniose visceral em pacientes imunocompetentes. Porém, em pacientes coinfectados com HIV, sua eficácia é reduzida e a toxicidade é maior, sendo a anfotericina B lipossomal a droga de escolha. Esta alternativa é o principal distrator.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A anfotericina B lipossomal é a droga de escolha para o tratamento da leishmaniose visceral em pacientes com HIV/AIDS, conforme recomendação do Ministério da Saúde e da OMS. Sua formulação lipossomal reduz a nefrotoxicidade e apresenta alta eficácia, sendo superior aos antimoniais nesse grupo de pacientes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Claritromicina + etambutol é um esquema para tratamento de micobacterioses, como a infecção pelo complexo Mycobacterium avium (MAC) em pacientes com AIDS. O paciente tem leishmaniose, não micobacteriose.

Gabarito: letra D

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