Entre 2013 e 2022, de acordo com o Sistema Nacional de Agravos de Notificação, a quantidade de acidentes com abelhas notificados passou de 10,7 mil para 24,2 mil por ano, o que representou um incremento de cerca de 126% na incidência do agravo.A respeito de tais acidentes, assinale a afirmativa correta.
AA síndrome de envenenamento cursa com urticária, angioedema, hemólise e rabdomiólise, podendo complicar com torpor, colapso circulatório e insuficiência renal.
BO soro antiapílico está disponível mediante notificação do acidente e é indicado para casos em que ocorra não-resposta ao tratamento com corticosteroides.
CO tratamento de escolha para as reações anafiláticas é a administração de adrenalina, anti-histamínicos e corticosteroides por via intravenosa.
DO uso de roupas escuras e a instalação de uma fonte de ruído permitem que as abelhas se dispersem, possibilitando a retirada mais segura das colmeias.
EA maioria dos indivíduos que apresentam grandes reações localizadas evoluirão, dentro de 6 horas, com reações sistêmicas mediadas por dopamina e óxido nítrico.
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GabaritoA — A síndrome de envenenamento cursa com urticária, angioedema, hemólise e rabdomiólise, podendo complicar com torpor, colapso circulatório e insuficiência renal.
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Acidentes com abelhas: síndrome de envenenamento e manejo clínico
Gabarito: letra A. A síndrome de envenenamento por múltiplas picadas de abelhas cursa com hemólise intravascular, rabdomiólise, torpor, colapso circulatório e insuficiência renal aguda — exatamente o que a alternativa descreve. As demais opções contêm erros técnicos: o soro antiapílico não é indicado para não-resposta a corticosteroides, o tratamento da anafilaxia não é feito com adrenalina por via intravenosa como primeira escolha, roupas escuras atraem abelhas e as reações sistêmicas são mediadas por histamina e outros mediadores, não por dopamina e óxido nítrico.
O himenopterismo é o acidente causado por insetos com ferrão verdadeiro — abelhas, vespas e formigas. A picada única tem interesse principalmente pela reação alérgica, mas o quadro de maior gravidade toxicológica é o ataque múltiplo, sobretudo por abelhas africanizadas, mais agressivas. Quando um enxame ataca, o volume de veneno inoculado é grande: cada abelha deixa o ferrão e parte do conteúdo abdominal com a glândula de veneno, e o veneno contém melitina (que causa hemólise e bloqueio neuromuscular), apamina (neurotoxina), fosfolipase A2 (principal alérgeno) e fator degranulador de mastócitos, que libera histamina e serotonina.
A distinção central que a questão explora é entre a reação alérgica (que pode ocorrer com uma única picada, em indivíduos sensibilizados, e se manifesta como anafilaxia) e a síndrome de envenenamento (que ocorre com múltiplas picadas, geralmente mais de 500, e é um efeito tóxico direto do veneno, independente de sensibilização prévia). Na síndrome de envenenamento, o quadro é de hemólise intravascular, rabdomiólise, torpor e coma, hipotensão, oligúria/anúria e insuficiência renal aguda — o que a alternativa A descreve com precisão.
O manejo prático envolve: remover os ferrões por raspagem com lâmina sem fio (nunca com os dedos, para não espremer mais veneno), tratar a reação alérgica com adrenalina intramuscular (não intravenosa) e, nos casos graves de envenenamento, suporte intensivo com hidratação, correção de distúrbios hidreletrolíticos e, se necessário, diálise. O soro antiapílico existe, mas sua indicação é para casos graves de envenenamento sistêmico, não para "não-resposta a corticosteroides" — essa é uma inversão de conceito.
A pegadinha da banca está em trocar o perfil clínico da síndrome de envenenamento (que é tóxico, com hemólise e rabdomiólise) pelo perfil da reação alérgica (que é imunológica, com urticária e angioedema), e em atribuir ao tratamento condutas que não correspondem à prática clínica. Guarde a fronteira: picada única → reação alérgica/anafilaxia; múltiplas picadas → síndrome tóxica com hemólise e insuficiência renal — é nela que as alternativas se dividem.
Acidentes com abelhas (himenopterismo): Picada única (Reação alérgica/anafilaxia, Adrenalina IM (1ª escolha)); Múltiplas picadas (Síndrome de envenenamento, Hemólise + rabdomiólise, IRA, torpor, colapso, Suporte + soro antiapílico); Manejo (Remover ferrões por raspagem, Roupas claras (evitar escuras))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a síndrome de envenenamento por ataque múltiplo de abelhas. O veneno, rico em melitina e fosfolipase, causa hemólise intravascular e rabdomiólise; a liberação maciça de mediadores e a lesão tecidual levam a torpor, colapso circulatório (hipotensão/choque) e insuficiência renal aguda (por necrose tubular aguda, decorrente da hemólise, da rabdomiólise e da hipoperfusão renal). É o quadro tóxico clássico, distinto da reação alérgica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O soro antiapílico (soro antiveneno de abelhas) é indicado para casos graves de envenenamento sistêmico por múltiplas picadas, não para "não-resposta ao tratamento com corticosteroides". Essa é uma inversão: o soro trata a toxicidade do veneno, não a falha de um tratamento anti-inflamatório. Além disso, a disponibilidade do soro não está condicionada à notificação do acidente — a notificação é uma obrigação epidemiológica, não um pré-requisito para o tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tratamento de escolha da anafilaxia é a adrenalina intramuscular (na face anterolateral da coxa), não intravenosa. A via intravenosa é reservada para casos refratários, em ambiente hospitalar, com monitorização. Anti-histamínicos e corticosteroides são adjuvantes (tratam urticária e previnem reações tardias), mas não são o tratamento de primeira linha da anafilaxia — a adrenalina é o fármaco que reverte o broncoespasmo, a hipotensão e o edema de laringe.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso de roupas claras (não escuras) é recomendado para evitar atrair abelhas, que são atraídas por cores escuras e por odores. A instalação de fonte de ruído não é medida reconhecida para dispersar enxames; o manejo seguro de colmeias envolve técnicas específicas de apicultura, como uso de fumaça (que acalma as abelhas), roupas de proteção adequadas e horários apropriados. A alternativa inverte a recomendação de cor de roupa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As reações sistêmicas após picadas de himenópteros são mediadas por histamina, serotonina e outros mediadores da degranulação de mastócitos (além de leucotrienos e prostaglandinas), não por dopamina e óxido nítrico. Além disso, a maioria das grandes reações localizadas não evolui para reação sistêmica — a progressão para anafilaxia é imprevisível e não segue um padrão temporal fixo de 6 horas. A alternativa mistura mediadores errados com uma afirmação epidemiológica sem fundamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o perfil clínico da síndrome tóxica (hemólise, rabdomiólise, IRA) pelo da reação alérgica (urticária, angioedema) e inverte condutas: adrenalina IV em vez de IM, roupas escuras em vez de claras, e mediadores químicos inventados (dopamina/óxido nítrico) no lugar dos reais (histamina/serotonina). Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para acidentes com animais peçonhentos, decore o binômio: picada única → reação alérgica/anafilaxia (adrenalina IM); múltiplas picadas → síndrome tóxica (hemólise + rabdomiólise + IRA, tratar com suporte e soro específico). E lembre: adrenalina na anafilaxia é sempre IM na coxa, nunca IV de primeira escolha.